quinta-feira, 12 de junho de 2008

Vou falar sobre SEXO. Interessa?

Todas as vezes que você fizer uma apresentação em público deve tomar em conta uma informação fascinante:
Depois de ouvir alguém falar por 20 minutos num auditório a cabeça das pessoas presentes tende a embarcar em "devaneios sexuais". Portanto, a partir daquele momento, o interesse agudo no que você esteja falando mergulha num “vale”.
A primeira vez que ouvi esta afirmação perturbadora foi numa palestra de MENOS de 20 minutos feita pelo Martin Sorrel na primeira mega reunião dos Heads of Office das agências do grupo WPP, em Nova York em 1989.
Durante algum tempo considerei a afirmação um dito jocoso de um inglês estreante no cenário dos big bosses da comunicação para demonstrar a centenas de pessoas criativas que ele -originalmente o cara de finanças da Saatchi & Saatchi - poderia dizer coisas que ninguém por ali poderia prever, ou imaginar.
Passam-se os anos e recentemente me deparei com nova versão – também inglesa – da mesma informação. Desta vez dizia que num board de empresa de que façam parte homens e mulheres os tais devaneios sexuais ocorriam não 20 minutos após o início de uma reunião. Mas praticamente quando a reunião começava...
Para descobrir quem fez estas pesquisas recomendo usar o Google e chegar exatamente às fontes oficiais da notícia. Por aqui garanto que as informações são verdadeiras e eu as publico para compartilhar com você – sem devaneios sexuais – como este tipo de distração afeta os nossos esforços de comunicação e sugerir e pedir sugestões sobre como superar o problema.
Há um viés nas pesquisas sobre devaneios sexuais: ambas terem sido feitas na Inglaterra. Mas este fato seria mais um fator de convencimento de que suas conclusões são aplicáveis a outros países do que se as pesquisas tivessem sido feitas num país como o Brasil, onde ao contrário da Inglaterra, a cada banca de jornal com que nos deparamos expõe dezenas de capas, displays e fotografias lindas e por si sós naturais incentivos para parar de pensar no que se está pensando diante de “ valores mais altos (que) se alevantam” diante de nossos olhos.
Num auditório a melhor forma de vencer esta concorrência quando percebo algum desassossego é fazer o que o Martin fez em NY: conto esta história provoco alguns risos e dou uma chance a quem estava com devaneios sexuais em relação a alguém sentado ao lado a puxar o assunto.
Num texto é diferente. É preciso oferecer algo semelhante a um belvedere numa estrada de serra. Sem permitir que o seu leitor saia da estrada você abre para ele um espaço para descontrair suas tensões, mas sem deixar que ele se esqueça da estrada que terá de seguir logo em seguida.
É como o cafezinho que você vai beber no escritório, ou até como faziam os antigos, puxar um cigarro, cumprir todo um ritual para acendê-lo, dar as primeiras baforadas e seguir debatendo, ou escrevendo, ou pensando o seu trabalho.
O Google tem um serviço, o Zeitgeist, que revela quais as palavras mais pesquisadas nos vários países, e em poucos lugares as palavras pesquisadas se referem a sexo. Isto sempre me intrigava, pois nos primeiros anos de Internet fiz pesquisas e verifiquei que das 20 palavras mais pesquisadas em média 14 eram relacionadas a sexo. Eram palavras como nude, naked, e todas as demais em várias línguas relacionadas ao assunto.
Descobri, porém que o tema sexual é ainda o mais explorado pelos Internautas, conforme informações ouvidas por mim em um seminário recente de que infelizmente não consigo lembrar do autor – (talvez se fosse autora...) .
O cuidado do redator, o fato que deve sempre estar em sua cabeça deve seguir a mesma linha adotada pelos generais romanos nos seus desfiles triunfais ao vencerem suas batalhas: faziam que lhes fosse lembrado, dito ao pé do ouvido ou em cartazes nas mãos de seus soldados: Memento Mori , ou lembre-se de que você vai morrer!
No nosso caso, menos belicoso, mas talvez para vencermos batalhas até mais difíceis do que as enfrentadas pelos generais romanos, é bom colocar diante de seu computador um Memento Sexi, renovado a cada mês com uma ilustração sempre atualizada e inspiradora tanto de ingleses quanto de brasileiros...
Fico sempre atento às oportunidades num texto do leitor pular fora, deixar-se envolver por devaneios sexuais ou outros, e procuro sempre oferecer um belvedere para ele relaxar e poder voltar à estrada pronto para me acompanhar até a chegada.
O que você acha?

3 comentários:

railer disse...

não tive devaneios sexuais lendo o seu texto, mas me peguei lembrando de uma entrevista que li, tempos atrás, com alfred hitchcock.

ele comentava como colocava cenas cômicas no meio de seus filmes, propositalmente, para que a platéia pudesse extravazar o nervosismo. segundo ele, as pessoas nervosas com o suspense vão acabar rindo de forma a aliviar a tensão (como a risada que a gente dá após um susto) e ele não queria que elas rissem no momento errado.

piob disse...

Perfeito, Railer, o Hitchcock confirma, com muito mais base o que proponho.
Principalmente quando você diz que o humor nos filmes dele eram para o espectador tenso não risse na hora errada.
O mesmo se aplica na "minha" teoria em relação ao texto para convencer.
Obrigado e um abraço
Pio

Philipe disse...

Pio, que texto maravilhoso!!! E, mesmo falando em sexo, juro que também não tive devaneios sexuais!! (risos)

Ótima dica, que será devidamente lembrada em momentos oportunos!

Abraços.