Ao postar o blog anterior sobre o Haiti achei que podia parecer um exagero. Ou um jornalismo meio irresponsável o que estava dizendo antes de ter informações mais checadas sobre os acontecimentos.
Hoje garanto que as informações checadas são muito mais assustadoras.
Mas, há uma portinha entreaberta para você fazer algo prático.
Ajude a ActionAid a ajudar os haitianos.
Eles já estão lá há bastante tempo, e sabem como trabalhar em meio ao caos diário sem terremotos. Por isto sabem melhor do que ninguém - chegado lá ontem - a lidar com os problemas pós terremoto.
Acesse https://seguro.actionaid.org.br/doacao01.aspx?origem=EMA102E44&Form=E e saiba como fazer alguma coisa.
Doses diárias de informações sobre comunicação, marketing direto, coisas que nos fazem agir, mudar de opinião e muito mais se você participar
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Meus oito anos depois de algumas décadas...

Acho que não há ninguém que desconheça os primeiros versos de Meus Oito Anos:
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Estes versos são usados como um ícone para os anos saudosos da infância assim como citamos o ufanismo , do Por que me ufano de meu país, como um outro ícone das virtudes do Brasil.
Pouca gente, e na minha certeza, quase ninguém conhece os versos todos nem pensa neles. E se pensa, os imagina como algo meio fora de época, como eram as roupas das mulheres cheias de panos do início do século XX.
Hoje de manhã, porém, a rádio BandNews, num programete do Juca de Oliveira lendo textos diversos estes Meus Oito Anos me fez engasgar de emoção, quase indo às lágrimas enquanto dirigia para o escritório.
Casimiro cujo melhor retrato é este aí acima era filho de um português imigrante pobre que enriqueceu no comércio e com a agricultura e de uma fazendeira, Luisa Joaquina das Neves , com quem não se casou embora tivessem uma paixão avassaladora .
Casimiro em sua infância nunca morou com o pai e limitou os seus estudos, além das primeiras letras na fazenda da mãe, a três anos ( dos seus 11 aos 13 anos) no Instituto Freeze em Friburgo.
Daí em diante seu pai tratou de encaminhá-lo para o comércio, no Rio de Janeiro, de onde o carregou aos 14 anos para Lisboa onde ele poderia preparar-se melhor para a vida comercial.
Neste momento o menino já escrevia para si próprio e colaborava na imprensa local com crônicas e poesias que dividiam espaço com grandes autores portugueses como Alexandre Herculano e Rebelo e Silva.
Quando voltou ao Brasil, já meio adoentado, no Rio conviveu com Machado de Assis, Manoel Antonio de Almeida escreveu para os jornais, mesmo sendo um quase menino cheio de complexos, dizendo-se um filho dos trópicos e na maneira da época devia considerar-se um autêntico “filho da mãe”.
Bota angústia nisto.
Só teve publicado um único livro “Primaveras” cuja edição foi paga pelo pai que devia reconhecer no garoto qualidades que iam além de sua vocação forçada para o comércio.
Foi Casimiro que criou a expressão “Simpatia é quase amor” num de seus versos e esta expressão passou a ter uso corrente nos meios literários durante os primeiros anos dos século XX.
E veio batizar um bloco carnavalesco de Ipanema de que faziam parte Bussunda e a turma do Casseta às vésperas do Carnaval de 1985.
Detalhe: Casimiro de Abreu jamais foi citado como autor da frase Simpatia é quase amor...
Pois bem, hoje de manhã quando o Boechat anunciou o momento literário do jornal do Rio com o Juca de Oliveira recitando os “Meus oito anos” me preparei para alguns segundos de chatice erudita.
Mas, à medida que o Juca falava, aqui e ali sentia a emoção aflorar. Em alguns trechos mais do que aflorar a emoção vinha à garganta e ficava ali engatada me deixando bem sem graça diante de meu preconceito inicial. O texto bem lido e interpretado era uma joia rara que merecia muito mais atenção que eu jamais havia dado a estes poetas de nosso passado.
Quando o Juca terminou o Boechat também devia estar emocionado, pois lembrou que o Paulo Autran, num programa Canal Livre da TV Bandeirantes decidiu recitar de memória o poema terminando-o muito emocionado ao vivo, coisa que não costuma acontecer com os grandes atores.
O Rex Harrison disse um dia que o grande ator, para ser um grande ator mesmo, transmite as emoções levando os espectadores a chorar, mas ele não chora.
Ora, o Boechat me consolou pela minha emoção e minhas quase lágrimas com esta citação.
Agora vou mostrar aqui o texto dos Meus Oito Anos. Leia com toda as suas emoções e veja como toca as cordas mais sensíveis de sua mente:
MEUS OITO ANOS Casimiro de Abreu
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais.
Como são belos os dias
Do despontar da existência
Respira a alma inocência,
Como perfume a flor;
O mar é lago sereno,
O céu um manto azulado,
O mundo um sonho dourado,
A vida um hino de amor !
Que auroras, que sol, que vida
Que noites de melodia,
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar
O céu bordado de estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar !
Oh dias de minha infância,
Oh meu céu de primavera !
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delicias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha, irmã !
Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Pés descalços, braços nus,
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!
Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas
Brincava beira do mar!
Rezava as Ave Marias,
Achava o céu sempre lindo
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar !
Oh que saudades que tenho
Da aurora da minha vida
Da, minha infância querida
Que os anos não trazem mais
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
A sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!
Para terminar este longuíssimo texto.
Casimiro morreu antes de completar 22 anos, tuberculoso, na mesma Fazenda da Prata de sua mãe onde havia nascido.
Casimiro embora tenha sido considerado pelos críticos como um poeta menor é o patrono da cadeira 6 da Academia Brasileira de Letras.
Ele não merece?
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
O Universo e o Paulo Kirschner
Há uns poucos dias escrevi uma notinha sobre meu espanto com o Universo e com a possibilidade compartilhada por mim e nada mais nada menos do que o Enrico Fermi - prêmio Nobel de Física - de podermos estar sozinhos como formas de vida no Universo.
O Paulo, um velho amigo há muito tempo não contatado,com muita atenção e carinho enviou o seu comentário que até hoje me havia passado despercebido.
Portanto este post é dedicado ao Paulo Kirschner já com um lamentável retardamento, que espero não se infiltre no que digo.
Achei sensacional nos reencontrarmos no Almanaque e mesmo sem a cerveja ao vivo vamos fazer de conta que a temos diante de nós.
Numa missa no domingo passado que assisti com Frei Clemente Kesselmeier,no mosteiro das irmãs clarissas ele abordou com muita sabedoria a questão da FÉ.
A fé na visão dele (minha interpretação)tem a vantagem de não ser passível de avaliação racional, ou intelectual.
A fé É.
Percebo no comentário dele quase como uma explicação para a minha cisma que a busca de um nível de evolução superior seja parte do programa deflagrado pelo E=MC2, original.
Evolução esta que está "marinando" entre nós, em nossas mentes e em nossa FÉ no vasto universo aguardando que aconteça algo na linha da volta do Messias para promover a grande integração de tudo e de todas as vidas.
Sinceramente gostaria de ser abençoado com uma Fé assim tão absoluta e confiante de que ao fim e ao cabo o grande objetivo do universo e de nossa evolução viva seja o de atender aos nossos mais honrados propósitos, tal como alguns de nós os consideremos honrados propósitos assim.
Foi o Frei Clemente, mais do que um padre, um amigo da família que na missa pelo Guilherme, diante da nossa dura perda de um filho, definiu a morte como um mistério incognoscível, algo muito mais confortador do que qualquer cogitação quanto a ser a perda de alguém tão amado ser ou não um justo ou injusto ato de Deus.
Este momento do mundo, pelos mais diversos motivos que não cabem neste texto antitwitteristico está buscando a Fé com muito mais empenho do que por exemplo no período existencialista de 50 anos atrás.Ou antes...
A minha proposiçao como promotor deste Almanaque - aberto como devem ser os Almanaques a todas as ideias - é que honremos a nossa capacidade de cogitar e portanto sermos dignos da capacidade maravilhosa de usarmos os nossos cérebros.
Sermos ou não sermos é mesmo a grande questão que acho um espanto ter sido assim formulada por um camarada nascido num vilarejo do interior da Inglaterra, que já era um interior da cultura no mundo daquele tempo.
E além de debatermos numa sexta-feira coisas assim ainda termos ser capazes de desenvolver programas de marketing que sem querermos acabam por ter ideias assim em seu DNA...
O Paulo, um velho amigo há muito tempo não contatado,com muita atenção e carinho enviou o seu comentário que até hoje me havia passado despercebido.
Portanto este post é dedicado ao Paulo Kirschner já com um lamentável retardamento, que espero não se infiltre no que digo.
Achei sensacional nos reencontrarmos no Almanaque e mesmo sem a cerveja ao vivo vamos fazer de conta que a temos diante de nós.
Numa missa no domingo passado que assisti com Frei Clemente Kesselmeier,no mosteiro das irmãs clarissas ele abordou com muita sabedoria a questão da FÉ.
A fé na visão dele (minha interpretação)tem a vantagem de não ser passível de avaliação racional, ou intelectual.
A fé É.
Percebo no comentário dele quase como uma explicação para a minha cisma que a busca de um nível de evolução superior seja parte do programa deflagrado pelo E=MC2, original.
Evolução esta que está "marinando" entre nós, em nossas mentes e em nossa FÉ no vasto universo aguardando que aconteça algo na linha da volta do Messias para promover a grande integração de tudo e de todas as vidas.
Sinceramente gostaria de ser abençoado com uma Fé assim tão absoluta e confiante de que ao fim e ao cabo o grande objetivo do universo e de nossa evolução viva seja o de atender aos nossos mais honrados propósitos, tal como alguns de nós os consideremos honrados propósitos assim.
Foi o Frei Clemente, mais do que um padre, um amigo da família que na missa pelo Guilherme, diante da nossa dura perda de um filho, definiu a morte como um mistério incognoscível, algo muito mais confortador do que qualquer cogitação quanto a ser a perda de alguém tão amado ser ou não um justo ou injusto ato de Deus.
Este momento do mundo, pelos mais diversos motivos que não cabem neste texto antitwitteristico está buscando a Fé com muito mais empenho do que por exemplo no período existencialista de 50 anos atrás.Ou antes...
A minha proposiçao como promotor deste Almanaque - aberto como devem ser os Almanaques a todas as ideias - é que honremos a nossa capacidade de cogitar e portanto sermos dignos da capacidade maravilhosa de usarmos os nossos cérebros.
Sermos ou não sermos é mesmo a grande questão que acho um espanto ter sido assim formulada por um camarada nascido num vilarejo do interior da Inglaterra, que já era um interior da cultura no mundo daquele tempo.
E além de debatermos numa sexta-feira coisas assim ainda termos ser capazes de desenvolver programas de marketing que sem querermos acabam por ter ideias assim em seu DNA...
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