Há uns poucos dias escrevi uma notinha sobre meu espanto com o Universo e com a possibilidade compartilhada por mim e nada mais nada menos do que o Enrico Fermi - prêmio Nobel de Física - de podermos estar sozinhos como formas de vida no Universo.
O Paulo, um velho amigo há muito tempo não contatado,com muita atenção e carinho enviou o seu comentário que até hoje me havia passado despercebido.
Portanto este post é dedicado ao Paulo Kirschner já com um lamentável retardamento, que espero não se infiltre no que digo.
Achei sensacional nos reencontrarmos no Almanaque e mesmo sem a cerveja ao vivo vamos fazer de conta que a temos diante de nós.
Numa missa no domingo passado que assisti com Frei Clemente Kesselmeier,no mosteiro das irmãs clarissas ele abordou com muita sabedoria a questão da FÉ.
A fé na visão dele (minha interpretação)tem a vantagem de não ser passível de avaliação racional, ou intelectual.
A fé É.
Percebo no comentário dele quase como uma explicação para a minha cisma que a busca de um nível de evolução superior seja parte do programa deflagrado pelo E=MC2, original.
Evolução esta que está "marinando" entre nós, em nossas mentes e em nossa FÉ no vasto universo aguardando que aconteça algo na linha da volta do Messias para promover a grande integração de tudo e de todas as vidas.
Sinceramente gostaria de ser abençoado com uma Fé assim tão absoluta e confiante de que ao fim e ao cabo o grande objetivo do universo e de nossa evolução viva seja o de atender aos nossos mais honrados propósitos, tal como alguns de nós os consideremos honrados propósitos assim.
Foi o Frei Clemente, mais do que um padre, um amigo da família que na missa pelo Guilherme, diante da nossa dura perda de um filho, definiu a morte como um mistério incognoscível, algo muito mais confortador do que qualquer cogitação quanto a ser a perda de alguém tão amado ser ou não um justo ou injusto ato de Deus.
Este momento do mundo, pelos mais diversos motivos que não cabem neste texto antitwitteristico está buscando a Fé com muito mais empenho do que por exemplo no período existencialista de 50 anos atrás.Ou antes...
A minha proposiçao como promotor deste Almanaque - aberto como devem ser os Almanaques a todas as ideias - é que honremos a nossa capacidade de cogitar e portanto sermos dignos da capacidade maravilhosa de usarmos os nossos cérebros.
Sermos ou não sermos é mesmo a grande questão que acho um espanto ter sido assim formulada por um camarada nascido num vilarejo do interior da Inglaterra, que já era um interior da cultura no mundo daquele tempo.
E além de debatermos numa sexta-feira coisas assim ainda termos ser capazes de desenvolver programas de marketing que sem querermos acabam por ter ideias assim em seu DNA...