segunda-feira, 13 de setembro de 2010

E ÁGORA José ? Para onde vai nos levar esta resultante?

A resultante em física é aquela direção obtida quando há o confronto de duas forças. A resultante não é favorável a qualquer delas, apenas demonstra visualmente o que deve resultar quando forças divergentes se aplicam a qualquer coisa.

Politicamente, ou humanamente, a resultante tem de ser desagradável aos "defensores" das forças divergentes.

Mas, ao longo dos anos de civilização, e até para que a civilização ocorresse como "resultante" dos diversos interesses conflitantes das diversas tribos, o mundo valorizou a cada dia mais as resultantes e o que resultou disto tem o nome de democracia.

Sempre que a "democracia" ou a resultante dos conceitos divergentes não são respeitadas a coisa desanda.

As grandes ideias, os novos rumos da política, os novos costumes sociais, tudo que seja proposto para mudar algo que vinha sendo feito, há um choque.

Sempre de 10 a 15 por cento das pessoas serão favoráveis às mudanças e terão de lutar bravamente para que estas mudanças sejam aceitas.

Só nos últimos 100 anos a quantidade de mudanças propostas e aceitas - em proporções nunca antes vistas ou divulgadas na história - ensaiaram as mudanças ainda mais radicais que deverão ser propostas nos próximos anos.

Hoje, estamos vivendo uma era da leniência global. Em vez do "não" a priori que caracterizava os conservadores os reacionários , temos cada vez mais presente o "porque não ?"

Para questionar o que quer que seja, desde se chupar picolé é um hábito sadio ou não, ao uso das sacolas de plástico em supermercados, é preciso se ter informações sólidas para embasar as nossas decisões.

E aí chega a história da resultante. E um novo conflito.

Quanto mais informação se tenha, e quanto mais pesquisadas sejam as nossas informações, mais nós todos vamos nos aferrar a estas verdades.

Daí o radicalismo de grupos que querem - sem este amainamento de seguir a resultante - atuar sobre toda a humanidade.

É duro ter de aceitar ordens, leis, portarias, determinações - escolha os sinônimos - emanadas de entidades, pessoas, países, lideranças que chegaram às suas conclusões sem nos ouvirem.

Mas, lamento, esta será a tendência da moda intelectual nos próximos anos...

E só poderemos fugir a ela quando a nossa tendência de não aceitar estas novas forças e não a força definida pela resultante ao longo da história se tornar entendida e respeitada por mais e mais gente.

Não vai ser fácil, mas será muito mais fácil num mundo cada vez com mais acesso às informações.

E a forma das ideias serem expostas será via Internet.

A verdadeira ÁGORA dos cidadãos gregos que iam à praça pública dizer o que pensavam de tudo e de todos.

Não conheço nenhuma grande decisão registrada como uma decisão da Ágora no sexto século antes de Cristo. Nem sei mesmo se das discussões eram feitos registros que obrigassem a alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

Mas o resultado paralelo - tal como hoje ocorre no mundo da Internet - é todo mundo saber da sua denúncia. Todo mundo compartilhar as suas ideias.

O sucesso futuro de tudo isto nós mesmos vamos ver ÁGORA mesmo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Dil...ema da Democracia.

“Previsões são muito difíceis, especialmente sobre o futuro” é uma frase tão boa, com tanta sabedoria e humor que durante anos eu a atribuía a Mark Twain, um dos mais inteligentes frasistas que o mundo já conheceu.

Uma outra frase que de fato foi sua foi usada por mim num artigo em que ousei confrontar as minhas ideias com a opinião vigente sobre o tema:

It is better to keep your mouth closed and let people think you are a fool than to open it and remove all doubt.

Ou seja:

É melhor ficar de boca fechada e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que abri-la e eliminar qualquer dúvida a respeito.


Mark Twain foi humorista, novelista e contista norte-americano e viveu de 1835 a 1910.

A frase sobre a imprevisibilidade do futuro que eu também atribuía a ele é de fato do físico e pesquisadorf Niels Bohr.e originalmente era assim:
Prediction is very difficult, especially about the future.

Niels Bohr
Físico dinamarquês (1885 - 1962)

Todo este “nariz de cera” para pedir a sua atenção para um fato que tem cada vez mais possibilidade de se tornar realidade dentro de poucos dias:

A eleição da Dilma Roussef para a presidência da República.

Não vai ser pouca coisa, em termos de mobilização democrática no mundo.

Imagine você no exterior, identificado como brasileiro, e ter de explicar que o seu país tem 130 milhões de eleitores, numa população de 190 milhões e que a maioria deles votou na Dilma.

Esta quantidade de eleitores (que no Brasil são obrigados a votar) é que faz a nossa diferença...

Outros países – como os EUA – têm mais eleitores registrados, mas lá o voto não é obrigatório. No fim de uma grande eleição votam menos da metade dos registrados.

Aqui não tem conversa, mais de 130 milhões de cidadãos vão votar e pelo andar da carruagem quem vai ganhar o cargo de presidente da república e oitava economia do mundo será a Dilma Rousssef. Sucessora do Lula e sua invenção política mais ousada.

A Dilma é a melhor metáfora do poste eleito por recomendação do dirigente de plantão.

Juscelino Kubitschek, que construiu Brasília e começou a formar a indústria automobilística no país, tinha seu candidato nas eleições de 1960: o marechal Henrique Lott.

Mas, quem ganhou as eleições naquele tempo realizadas em um único turno( não havia o segundo turno) foi o Jânio Quadros.

Se a eleição fosse realizada em dois turnos o segundo turno seria dispensado, pois Jânio teve mais da metade dos votos válidos. Foi escolhido pela população dentre vários candidatos num arco que incluía do integralista Plínio Salgado, ao paulista a quem era atribuída a “virtude” do rouba mas faz, o Lott e o Jãnio.

Sete meses depois de sua posse Jânio renunciou fazendo o país mergulhar num caos institucional de que somente nos livramos com a eleição do Collor. Isto é, pensávamos que tínhamos nos livrado...

Pois bem, em 2010, o Lula escolheu a Dilma como sua sucessora, deixando de lado toda uma chusma de possíveis candidatos de seu partido. Ao fazer isto se dedicou a falar, falar, falar, elogiar, apoiar a pessoa que sem qualquer experiência eleitoral lhe pareceu mais conveniente para sucedê-lo.

O Lula, antes de ser eleito presidente tinha sido eleito deputado federal.

Na Câmara definiu que havia pelo menos 300 picaretas eleitos como ele, algo muito negativo na construção da imagem dos políticos.

Lula chegou à Câmara depois de ter sido eleito e reeleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Onde ele aprimorou a virtude mais necessária para ser eleito: a retórica, ou sendo menos sofisticado, a capacidade de entender e de falar o que os seus ouvintes precisam ouvir, dito por ele, da maneira como ele julgue mais conveniente.

Durante todo o século XX os intelectuais, jornalistas, líderes de opinião brasileiros e internacionais lutaram pela Democracia. Muitos deles foram presos, tomaram pancadas, morreram por defender até as últimas conseqüências a Democracia que almejavam.

A Dilma no seu histórico de vida pública esteve dentre aqueles que durante os governos militares, os anos de chumbo, foram presos, torturados e sobreviveu.

Encerrado o ciclo dos anos de chumbo exerceu funções administrativas no Rio Grande do Sul, e daí foi guindada –convidada pelo Lula – para ser Ministra de Minas e Energia.

Após o escândalo do mensalão que teve no chefe de gabinete da presidência da República o mais importante personagem, Dilma veio a substituí-lo, consolidando o currículo que está em vias de levá-la à presidência da República.

Pronto, instalou-se em minha consciência o que chamei de DIL...EMA...

O que se está apurando em relação às entranhas das campanhas presidenciais é uma sucessão de ilegalidades praticadas por associados ao PT que prenunciam mais ilegalidades se este grupo compartilhar o poder.

Mas, este grupo, no caso da vitória nas urnas, terá sido eleito democraticamente pela maioria dos brasileiros.

Não consigo me conformar com esta perspectiva de padecer por pelo menos quatro anos – um importante percentual dos anos que tenho a viver - mas que afinal de contas são poucos dias em nossa história.

Este é o dil..ema. O que fazer?


De minha parte vou permanecer atento, acompanhar, interpretar, reclamar e também aplaudir o que possa dar certo.

Cuspindo fogo em ambos os casos...

Para encerrar nada melhor do que a observação do Mark Twain:

É melhor ficar de boca fechada e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que abri-la e eliminar qualquer dúvida a respeito.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Arrecadar fundos para entidades de caridade é o negócio mais sofisticado de marketing

A compensaçao que voce tem ao comprar um produto ou um serviço é representada pelo próprio produto ou pela performance do serviço.

Quem comprova que a sua compra do carro novo é o carro novo funcionando como voce esperava.

Um cartao de crédito justifica a sua aquisiçao quando serve de meio de pagamento nos locais em que voce for, quando cobra os valores corretos, quando cancela débitos indevidos, e assim por diante.

Quando voce decide doar alguma coisa, dinheiro ou bens, para uma entidade dedicada a fazer o bem a única forma de voce ter satisfaçao com o seu investimento é a contínua comprovaçao de que voce fez a coisa certa.

Ou seja, a venda da entidade para quem a comprou para doar alguma coisa nao termina quando a doaçao ocorre. Na verdade começa quando ela é paga.

Estou em Recife participando do Festival Latino-Americano de Captaçao de Recursos 2010 como um ativo membro da Associaçao Brasileira de Captadores de Recursos e minha funçao será explicar a todos os interessados que ao contrário do que possa parecer esta é atividade de marketing que mais exige de seus gestores.

O tema é fascinante e as oportunidades no Brasil estao em contínuo crescimento e isto irá seguir com mais vigor.

O país, confirmada a sua posiçao de 8a economia mundial, vai precisar cada vez mais se organizar profissionalmente para asssegurar as entidades que precisam de recursos para viver.

E elas sao mais de 300 000 conforme o IBGE.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

VEJA BEM !!! SERÁ QUE TUDO É MESMO RELATIVO?

Você tem mesmo certeza da qualidade de seus julgamentos?

Se diante de qualquer decisão sua em relação a quem quer que seja você ouvisse a pergunta que Jesus fez à turba que queria matar a pedradas a adúltera - que atire a primeira pedra quem não tenha cometido pecados - você persistiria em seu julgamento?

A popularização do VEJA BEM na linguagem corrente como preparação na maior parte das vezes de justificativas para o injustificável não ocorreu por acaso.

Há uma crescente leniência em relação ao comportamento humano. Leniência levada aos extremos e de aceitação comprovada por audiências de milhões de pessoas nos reality shows.

O bom também pode ser mau. O mau pode ser excepcionalmente bom. O que pode ocorrer até simultaneamente.

O VEJA BEM menos que um vício de linguagem é a expressão de novos tempos nos costumes e na moral.

Cuidado,portanto, ao abordar este dilema nos próximos tempos.

Mais cuidado ainda ao escolher - democraticamente - quem vai ajudar a eleger nas próximas eleições...

domingo, 22 de agosto de 2010

O que justifica dizer que a REPENSE é a melhor agência

A melhor agencia é a REPENSE

Poucas atividades humanas são mais complexas e mais difíceis de coordenar e gerir do que as agências de comunicação.

É uma atividade que funciona e executa suas missões baseada UNICAMENTE em gente.

Uma orquestra sinfônica, uma orquestra de um grande teatro, uma companhia de ópera, uma companhia de balé, a montagem de cenários, a iluminação, o conforto do teatro para acolher os espectadores, a promoção dos espetáculos, a monitoração do que a mídia divulga tudo isto são tarefas conduzidas por gente. E portanto complexa e de difícil realização.

Quando tudo dá certo o resultado se torna público e visível por todos.

Tudo isto ,porém, é tão complexo quanto gerir uma agência de comunicação, e no entanto ao relacionar todas estas atividades teatrais parece meio exagerado fazer comparação com o simples negócio da comunicação com o mercado.

Mas não é.

Uma agência se torna bem mais complexa por que não há pautas, não há esquemas pré-definidos do que deva ser feito em cada espetáculo e principalmente por que nas agências não há ensaios.

Por isto ao me ser pedida uma frase sobre a REPENSE não hesitei em escrever a frase simples que inicia esta postagem.

A REPENSE é uma agência com menos de quatro anos com escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba dedicada a trabalhar com brilho, competência e criatividade em todas as disciplinas da comunicação de marketing.

E faz isto todos os dias, sem ensaios, mas obtendo para isto a perfeita sintonia entre os seus colaboradores.

E dá certo.

E o que faz tudo isto dar certo é o orgulho pessoal de cada um ou cada uma das pessoas que estão na REPENSE ao constatar que repensar a comunicação funciona em favor dos resultados requeridos pelos clientes tornando todos mais competentes em sua profissão.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Um movimento que foi do positivo ao negativo em menos de 50 anos - onde foram parar o amor por princípio, a ordem por meio e o progresso por fim?

Os positivistas faziam para mim parte de um pano de fundo mental relativo à formação do Brasil.

Havia menções sobre eles – Benjamin Constant , em especial,- nos livros de história, e parava por aí.

Quando comecei a por volta dos anos 60 do século passado a avaliar melhor a importância deles na formação da república brasileira a sua influência já era totalmente insignificante no dia a dia de nós todos.

Positivistas estavam em minha cabeça arquivados – sem que com isto desmereça quem vai ser citado a seguir – outras facções em que reuniam pessoas cheias de méritos intelectuais e morais, gente bem formada, mas que não empolgavam as multidões.

Junto com os positivistas estavam kardecistas, rosa-cruzes, cientologistas, praticantes da yoga (quando seus líderes no Brasil podiam ser contados nos dedos de uma mão) , teosofistas, e vários outros sempre respeitados a priori e ignorados logo em seguida pelos que não seguiam suas teorias e práticas.

No entanto diferentemente destas outras atividades e crenças os positivistas mais do que falaram, agiram.


Augusto Comte, o fundador do positivismo, a religião da humanidade, engendrada por ele num momento de grandes invenções e descobertas no século XIX propunha o abandono pelos homens de todas as referências “mágicas” ou relacionadas a deuses, ou espíritos.

Comte pregava que estas coisas não teriam sentido se não pudessem ser comprovadas cientificamente.

Nada de teosofia,teologia. Nada de metafísica. Se o que se dizia ou pregava não pudesse ser comprovado nos laboratórios e nas universidades devia ser jogado no lixo para não levar o homem a abdicar de sua virtude máxima: a inteligência.


A relação dos nomes dos líderes positivistas brasileiros é a mesma lista dos líderes republicanos brasileiros. Eles eram a melhor expressão da intelectualidade brasileira. Eram um exemplo invejável de que todos os brasileiros se orgulhavam.

Viver às claras, era uma de sua máximas praticadas no grande templo do Rio de Janeiro que tinha (e ainda tem) em seu frontispício a frase “O amor por princípio, a ordem por meio e o progresso por fim”.

Não foi a toa que a frase mereceu este destaque: de forma muito mais sintética do que os 10 mandamentos e numa sucessão de apenas três pontos - Amor,Ordem e Progresso – era a fórmula para a vida harmoniosa em sociedade.

Quando a República foi proclamada em 1889 com a deposição do governo imperial, coube aos positivistas dizer o que seria a república brasileira.

Não queriam que houvesse um resquício dos poderes do imperador e do império. Nada que elevasse um cidadão “por direito divino” acima dos demais.

O país, libertado da família imperial, precisava definir como iria ser. Precisava de saída de uma nova bandeira que representasse a nova república.

O desenho desta primeira bandeira foi pintado por Décio Vilares,um festejado artista da época. Mas sua concepção foi de Raimundo Teixeira Mendes (positivista), Miguel Lemos (diretor do Apostolado Positivista do Brasil) e Manuel Pereira Reis (astrônomo) Décio Vilares a desenhou.Esta pintura da bandeira foi roubada do templo positivista em abril de 2010 e até agora em agosto ainda não foi encontrada.

Mais do que um furto, o sumiço da bandeira positivista tornou-se assim a melhor expressão do que ocorreu com os positivistas.

O templo está em péssimo estado de conservação. O telhado desabou em parte, sua rica biblioteca histórica está preservada da chuva por uma lona de plástico preto. O número total de positivistas remanescente é estimado em não mais de 20 pessoas.

A proposta dos positivistas para a bandeira com a esfera celeste e uma faixa reproduzindo a latitude do Rio de Janeiro, onde se lê Ordem e Progresso foi, no entanto a evolução minimamente traumática da bandeira do Brasil Império.

O verde e o amarelo, exatamente como estão hoje na bandeira brasileira, estavam na mesma posição da bandeira desenhada por Debret em 1822.Debret veio ao Brasil na missão artística francesa chegada ao Rio em março de 1816.
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O que mudou na nova bandeira foi a retirada das armas do império e a troca pelo céu azul, com as estrelas representando as unidades da federação numa reprodução dos céus (no Rio) na noite de 15 de novembro de 1889.

Como estes positivistas tão importantes para a história do Brasil perderam a sua influência a ponto de pouco mais de 70 anos depois um jovem jornalista ávido por informações ter deles uma visão tão condescendente?



Aqui vai uma proposta de discussão a ser melhor analisada por pesquisadores mais qualificados do que o editor deste Almanaque.

Quando Augusto Comte morreu em 1857 o mundo ainda não havia tomado conhecimento do Manifesto Comunista . E sem a menor dúvida depois de sua publicação, e do aparecimento de Marx e Engels, o monopólio da quebra de verdades históricas passou a ser a bandeira mais importante dos seus seguidores – com as suas múltiplas faces – em todo o mundo.

Enquanto o positivismo no Brasil já se havia provado campeão do pensamento inovador – sempre por inspiração na religião de Comte – o comunismo começava a se mostrar como o caminho do paraíso para todos os povos que se sentiam oprimidos.

Quem era inconformado com as condições da convivência humana no início do século XX ia para o comunismo e sequer cogitava do positivismo e de suas determinações morais tão assustadoras para os pecadores quanto a lista de pecados reunidos pela igreja em 1900 anos.

E, no entanto no movimento cíclico das crenças e fidelidades intelectuais houve uma decadência profunda no movimento comunista no mundo nos últimos anos do século XX. E um intenso movimento em busca de verdades antes não abordadas por pesquisadores, munidos agora de ferramentas que fariam Augusto Comte acreditar ainda mais nas propostas dele para o positivismo.

A tendência da humanidade é não voltar sobre seus passos, e mesmo com a colocação agora do positivismo no foco das notícias é muito pouco provável que o estado de miserabilidade do seu templo sirva de incentivo para a formação de novos positivistas.

A queda dos positivistas depois de terem reunido tanto poder no Brasil choca bastante quem não analise o que ocorre como um cenário de mudanças contínuas. E cada vez mais rápidas.

Cabe a nós todos observadores/atores estarmos sempre preparados para mudar. Mas, não custa nada tendo o amor por princípio, a ordem por meio e o progresso por fim.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O que este “pé na cozinha” tem a ver com os brasileiros que também têm um pé na tribo...

Quem chamou atenção para o fato de os brasileiros terem uma cara de brasileiros que nos permite identificar numa multidão na Europa que ali há gente com jeito de brasileiros foi o Fernando Henrique Cardoso.

Ele disse que tinha um pé na cozinha, para grande espanto de muita gente, especialmente dos representantes de famílias tradicionais que pelo menos durante os últimos séculos tratavam de todos os modos de esconder as estripulias genéticas de seus antepassados.

A questão de como seria a mapa genético dos brasileiros me intrigou ainda mais quando li que o João Ramalho, que havia sido deixado por volta de 1506 nas alturas de São Vicente como um degredado foi reencontrado por Martin Afonso de Souza, em 1530 com cerca de 170 filhos, fruto de numerosos partos das índias das várias tribos da região.

É claro que um degredado não se constitui numa força militar. O João Ramalho ao chegar e ao ficar aqui contava apenas com umas poucas ferramentas para sobreviver, abandonado por seus patrícios:

1. Saber que teria aprender a língua e os costumes muito depressa.
2. Valorizar as ferramentas de ferro – facão, machados, martelo – que somente ele possuía numa vasta região onde ninguém fundira metais.
3. Seu vigor sexual imenso, incentivado pela visão continuada das mulheres indígenas que não escondiam , conforme Pero Vaz Caminha, em sua carta de 1500, as suas vergoinhas.
4. O fato dos chefes dar mulheres prazerosamente para gente externa às tribos para geração de filhos ser adotado por todos.
5. Hans Staden, prisioneiro condenando a morte num ritual antropófago a ser realizado em data futura, recebeu de Cunhambebe todas as mulheres interessadas em gerarem filhos do bravo estrangeiro antes de comê-lo num churrasco festivo. Ramalho obteve o mesmo privilégio sem ter de arquitetar sua fuga, como Staden, para fugir da grelha.
6. O empreendedorismo lusitano, pois em 1530 quando o governador português chegou para estabalecer a capitania de São Vicente tudo tinha de ser negociado com o Ramalho, tornado um xerife do pedaço.

Resultado deste empenho de João Ramalho, e de todos os portugueses que conviveram em terras brasileiras com os seus machados e facões: O crescimento geométrico da população de mamelucos.

Um fato econômico que precisa ser relembrado: o Brasil que se formava era o lugar para derrubar as árvores do pau Brasil.

Um produto quase tão lucrativo quanto as “especiarias” que tinham de ser buscadas na Ásia, contornando a África, numa viagem perigosa que em milhas era equivalente a uma volta à Terra.

Os franceses foram os primeiros não ibéricos a buscarem o pau Brasil pirata nas terras que o Tratado de Tordesilhas assegurava ser portuguesas.

E os franceses, como todos que queriam buscar troncos daquela madeira aqui, tinham machados e facões, o que os tornava representantes do equivalente à mais sofisticada tecnologia nos dia de hoje.

E sem dúvida da mesma lubricidade para gerarem filhos e filhas com as índias de tribos que os admiravam.

Em 1580 a primeira força expedicionária brasileira, sob comando de Salvador Correa de Sá e Benevides partiu do Rio rumo a Angola que estava sendo ocupada por holandeses inconformados com a divisão do mundo entre portugueses e espanhóis sob as bênçãos do papa.

Uma força expedicionária é um negócio complicado de formar. São precisos homens jovens, treinados nas artes da guerra, capazes de se organizarem militarmente, de saberem se comunicar e fazerem o que o seu comandante ordene, sem hesitações.

Os brasileiros expulsaram os holandeses de Angola em 1580. Mas quem eram estes brasileiros surgidos nos 50 anos que se seguiram à ocupação mais formal do Brasil? Eram os mamelucos, filhos de portugueses com índias, filhos de filhos mamelucos destes primeiros mamelucos com outras índias, todos criados num mundo em que a língua era a língua das tribos, mas também capazes de entender a língua de seus pais ou avós.

Os brasileiros de então e de todos os anos seguintes ao longo de nossa história eram cada vez mais frutos destes cruzamentos que não eram repudiados por lusitanos, cujo país tinha sido “ocupado” durante 800 anos pelos mouros.


Grande parte dos portugueses originais eram já fruto do cruzamento dos povos primitivos da Europa – suevos, visigodos, celtas, lusitanos e iberos – com os ocupantes árabes. Não poderia lhes parecer um grande pecado crescer e multiplicarem-se com as índias no Brasil.

Por outro lado os índios brasileiros, revelando grande inteligência emocional, não haviam buscado em seus mais de 10 000 anos de ocupação da região, qualquer empenho em fazerem alguma coisa que não fosse essencial para sobreviver.

A palavra “trabalho” cuja origem é tripálio o instrumento de tortura dos romanos para punir quem não trabalhasse conforme determinavam os seus feitores, não era conhecida nas terras brasileiras.

Os avós e as mães dos mamelucos, conforme a história do Brasil que aprendemos no colégio, não se adaptavam muito bem ao trabalho forçado deles exigido por “feirtores” portugueses.

Mas, na África esta fuga ao trabalho não existia. Comprar e vender escravos, tribos inteiras dominadas nas guerras infindáveis entre etnias rivais era o dia-a-dia há milênios.

Os nossos mamelucos da força expedijcionária que libertou Angola foram testemunhas oculares das “vantagens da escravidão de africanos” e sabiam por suas próprias experiências de vida tribal como seria bom contar com escravos negros em vez de terem seus parentes “trabalhando” duro nos empreendimentos dos portugueses.

Veja os quadros abaixo e tire as suas próprias conclusões:



Entrada de escravos africanos no Brasil(IBGE)

Período 1500-1700 1701-1760 1761-1829 1830-1855
Quantidade 510.000 958.000 1.720.000 718.000

Durante os séculos XVII e XVIII, os negros e mulatos ( e mamelucos ...)foram a grande maioria da população brasileira. O crescimento da entrada de escravos africanos a partir do século XVI, o extermínio dos indígenas por ataques às tribos, mas principalmente pelo cruzamento com os “brasileiros”e a relativamente pequena quantidade de colonos portugueses contribuíram para o surgimento de uma maioria de gente com uma origem racial mista no Brasil.

Neste quadro veja como nos brasileiros que se consideram brancos , devidamente pesquisados geneticamente HÁ MAIOR PERCENTUAL DE SANGUE ÍNDIO DO QUE DE SANGUE NEGRO 33% CONTRA 29%.

O pé na cozinha do Fernando Henrique Cardoso e da grande maioria dos brasileirpos com cara de brasileiros é também pé na tribo.

O incrível na opinião do redator deste Almanaque é que ninguém fala dos índios em nosso sangue.

Quem vá a São Paulo e ande pelos Ibirapueras, Anhangabaus, Itaquecetubas, Moemas e outros nomes indígenas poderia até desconfiar de alguma coisa não está sendo dita.

Detalhe também não mencionado: até o século 19, a língua falada em São Paulo, antes da chegada maciça de imigrantes europeus e japoneses era a mesma língua geral falada pelos mamelucos.


As razões da troca dos r pelos l. A palavra arco em vez de álcool e outras semelhantes é que índios têm dificuldade de falar os rS e os ls.

Logo, caros leitores e leitoras, discretamente o Almanaque do Pio os convida a pensar nestas coisas.

Valores arredondados provenientes de duas pesquisas independentes feitas respectivamente com brasileiros negros e com brasileiros brancos

Há mais sangue´indígena nos brancos do que sangue negro nestes mesmos brancos.

Pesquise e uga e uga.