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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A falta que faz os "Avisos aos Navegantes"

A Hora do Brasil e depois a Voz do Brasil, já em processo de liquidação, há muito tempo deixaram de mencionar os "Avisos aos Navegantes".

Uma seção do noticiário em que a Marinha informava pelo rádio todos os dias a situação e a confiabilidade dos farois na costa brasileira.

Era um conforto de que não nos apercebíamos quando ouvíamos.

O governo informava diariamente quando os "navegantes" não deviam confiar em sua sinalização.

O encerramento da seção deve ter sido deflagrado diante da ausência e impossibilidade de publicar todos os dias os avisos a muitas outras profissões que precisariam de muito mais alertas do que os navegantes.

Por exemplo, um "avisos aos estudantes" começaria a gerar protestos bem antes da primeira prova do ENEN ser respondida.

Não haveria infraestrutura para atender a demanda de perguntas e ações.

O grande desafio seria um "avisos sos eleitores": pensando bem,notas neutras sobre o que os eleitores deveriam saber todos os dias talvez viessem a descontinuar as eleições.

Mas, ao ouvir no carro ontem a Voz do Brasil senti subitamente que o "Avisos aos Navegantes" fazia falta, mas jamais poderá ser renascido.

Graças a Deus, a Internet permite que você busque os avisos sobre tudo. O problema é separar os alhos dos bugalhos...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

E ÁGORA José ? Para onde vai nos levar esta resultante?

A resultante em física é aquela direção obtida quando há o confronto de duas forças. A resultante não é favorável a qualquer delas, apenas demonstra visualmente o que deve resultar quando forças divergentes se aplicam a qualquer coisa.

Politicamente, ou humanamente, a resultante tem de ser desagradável aos "defensores" das forças divergentes.

Mas, ao longo dos anos de civilização, e até para que a civilização ocorresse como "resultante" dos diversos interesses conflitantes das diversas tribos, o mundo valorizou a cada dia mais as resultantes e o que resultou disto tem o nome de democracia.

Sempre que a "democracia" ou a resultante dos conceitos divergentes não são respeitadas a coisa desanda.

As grandes ideias, os novos rumos da política, os novos costumes sociais, tudo que seja proposto para mudar algo que vinha sendo feito, há um choque.

Sempre de 10 a 15 por cento das pessoas serão favoráveis às mudanças e terão de lutar bravamente para que estas mudanças sejam aceitas.

Só nos últimos 100 anos a quantidade de mudanças propostas e aceitas - em proporções nunca antes vistas ou divulgadas na história - ensaiaram as mudanças ainda mais radicais que deverão ser propostas nos próximos anos.

Hoje, estamos vivendo uma era da leniência global. Em vez do "não" a priori que caracterizava os conservadores os reacionários , temos cada vez mais presente o "porque não ?"

Para questionar o que quer que seja, desde se chupar picolé é um hábito sadio ou não, ao uso das sacolas de plástico em supermercados, é preciso se ter informações sólidas para embasar as nossas decisões.

E aí chega a história da resultante. E um novo conflito.

Quanto mais informação se tenha, e quanto mais pesquisadas sejam as nossas informações, mais nós todos vamos nos aferrar a estas verdades.

Daí o radicalismo de grupos que querem - sem este amainamento de seguir a resultante - atuar sobre toda a humanidade.

É duro ter de aceitar ordens, leis, portarias, determinações - escolha os sinônimos - emanadas de entidades, pessoas, países, lideranças que chegaram às suas conclusões sem nos ouvirem.

Mas, lamento, esta será a tendência da moda intelectual nos próximos anos...

E só poderemos fugir a ela quando a nossa tendência de não aceitar estas novas forças e não a força definida pela resultante ao longo da história se tornar entendida e respeitada por mais e mais gente.

Não vai ser fácil, mas será muito mais fácil num mundo cada vez com mais acesso às informações.

E a forma das ideias serem expostas será via Internet.

A verdadeira ÁGORA dos cidadãos gregos que iam à praça pública dizer o que pensavam de tudo e de todos.

Não conheço nenhuma grande decisão registrada como uma decisão da Ágora no sexto século antes de Cristo. Nem sei mesmo se das discussões eram feitos registros que obrigassem a alguém a fazer ou deixar de fazer alguma coisa.

Mas o resultado paralelo - tal como hoje ocorre no mundo da Internet - é todo mundo saber da sua denúncia. Todo mundo compartilhar as suas ideias.

O sucesso futuro de tudo isto nós mesmos vamos ver ÁGORA mesmo...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Dil...ema da Democracia.

“Previsões são muito difíceis, especialmente sobre o futuro” é uma frase tão boa, com tanta sabedoria e humor que durante anos eu a atribuía a Mark Twain, um dos mais inteligentes frasistas que o mundo já conheceu.

Uma outra frase que de fato foi sua foi usada por mim num artigo em que ousei confrontar as minhas ideias com a opinião vigente sobre o tema:

It is better to keep your mouth closed and let people think you are a fool than to open it and remove all doubt.

Ou seja:

É melhor ficar de boca fechada e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que abri-la e eliminar qualquer dúvida a respeito.


Mark Twain foi humorista, novelista e contista norte-americano e viveu de 1835 a 1910.

A frase sobre a imprevisibilidade do futuro que eu também atribuía a ele é de fato do físico e pesquisadorf Niels Bohr.e originalmente era assim:
Prediction is very difficult, especially about the future.

Niels Bohr
Físico dinamarquês (1885 - 1962)

Todo este “nariz de cera” para pedir a sua atenção para um fato que tem cada vez mais possibilidade de se tornar realidade dentro de poucos dias:

A eleição da Dilma Roussef para a presidência da República.

Não vai ser pouca coisa, em termos de mobilização democrática no mundo.

Imagine você no exterior, identificado como brasileiro, e ter de explicar que o seu país tem 130 milhões de eleitores, numa população de 190 milhões e que a maioria deles votou na Dilma.

Esta quantidade de eleitores (que no Brasil são obrigados a votar) é que faz a nossa diferença...

Outros países – como os EUA – têm mais eleitores registrados, mas lá o voto não é obrigatório. No fim de uma grande eleição votam menos da metade dos registrados.

Aqui não tem conversa, mais de 130 milhões de cidadãos vão votar e pelo andar da carruagem quem vai ganhar o cargo de presidente da república e oitava economia do mundo será a Dilma Rousssef. Sucessora do Lula e sua invenção política mais ousada.

A Dilma é a melhor metáfora do poste eleito por recomendação do dirigente de plantão.

Juscelino Kubitschek, que construiu Brasília e começou a formar a indústria automobilística no país, tinha seu candidato nas eleições de 1960: o marechal Henrique Lott.

Mas, quem ganhou as eleições naquele tempo realizadas em um único turno( não havia o segundo turno) foi o Jânio Quadros.

Se a eleição fosse realizada em dois turnos o segundo turno seria dispensado, pois Jânio teve mais da metade dos votos válidos. Foi escolhido pela população dentre vários candidatos num arco que incluía do integralista Plínio Salgado, ao paulista a quem era atribuída a “virtude” do rouba mas faz, o Lott e o Jãnio.

Sete meses depois de sua posse Jânio renunciou fazendo o país mergulhar num caos institucional de que somente nos livramos com a eleição do Collor. Isto é, pensávamos que tínhamos nos livrado...

Pois bem, em 2010, o Lula escolheu a Dilma como sua sucessora, deixando de lado toda uma chusma de possíveis candidatos de seu partido. Ao fazer isto se dedicou a falar, falar, falar, elogiar, apoiar a pessoa que sem qualquer experiência eleitoral lhe pareceu mais conveniente para sucedê-lo.

O Lula, antes de ser eleito presidente tinha sido eleito deputado federal.

Na Câmara definiu que havia pelo menos 300 picaretas eleitos como ele, algo muito negativo na construção da imagem dos políticos.

Lula chegou à Câmara depois de ter sido eleito e reeleito presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Onde ele aprimorou a virtude mais necessária para ser eleito: a retórica, ou sendo menos sofisticado, a capacidade de entender e de falar o que os seus ouvintes precisam ouvir, dito por ele, da maneira como ele julgue mais conveniente.

Durante todo o século XX os intelectuais, jornalistas, líderes de opinião brasileiros e internacionais lutaram pela Democracia. Muitos deles foram presos, tomaram pancadas, morreram por defender até as últimas conseqüências a Democracia que almejavam.

A Dilma no seu histórico de vida pública esteve dentre aqueles que durante os governos militares, os anos de chumbo, foram presos, torturados e sobreviveu.

Encerrado o ciclo dos anos de chumbo exerceu funções administrativas no Rio Grande do Sul, e daí foi guindada –convidada pelo Lula – para ser Ministra de Minas e Energia.

Após o escândalo do mensalão que teve no chefe de gabinete da presidência da República o mais importante personagem, Dilma veio a substituí-lo, consolidando o currículo que está em vias de levá-la à presidência da República.

Pronto, instalou-se em minha consciência o que chamei de DIL...EMA...

O que se está apurando em relação às entranhas das campanhas presidenciais é uma sucessão de ilegalidades praticadas por associados ao PT que prenunciam mais ilegalidades se este grupo compartilhar o poder.

Mas, este grupo, no caso da vitória nas urnas, terá sido eleito democraticamente pela maioria dos brasileiros.

Não consigo me conformar com esta perspectiva de padecer por pelo menos quatro anos – um importante percentual dos anos que tenho a viver - mas que afinal de contas são poucos dias em nossa história.

Este é o dil..ema. O que fazer?


De minha parte vou permanecer atento, acompanhar, interpretar, reclamar e também aplaudir o que possa dar certo.

Cuspindo fogo em ambos os casos...

Para encerrar nada melhor do que a observação do Mark Twain:

É melhor ficar de boca fechada e deixar que os outros pensem que você é um idiota do que abri-la e eliminar qualquer dúvida a respeito.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

O que este “pé na cozinha” tem a ver com os brasileiros que também têm um pé na tribo...

Quem chamou atenção para o fato de os brasileiros terem uma cara de brasileiros que nos permite identificar numa multidão na Europa que ali há gente com jeito de brasileiros foi o Fernando Henrique Cardoso.

Ele disse que tinha um pé na cozinha, para grande espanto de muita gente, especialmente dos representantes de famílias tradicionais que pelo menos durante os últimos séculos tratavam de todos os modos de esconder as estripulias genéticas de seus antepassados.

A questão de como seria a mapa genético dos brasileiros me intrigou ainda mais quando li que o João Ramalho, que havia sido deixado por volta de 1506 nas alturas de São Vicente como um degredado foi reencontrado por Martin Afonso de Souza, em 1530 com cerca de 170 filhos, fruto de numerosos partos das índias das várias tribos da região.

É claro que um degredado não se constitui numa força militar. O João Ramalho ao chegar e ao ficar aqui contava apenas com umas poucas ferramentas para sobreviver, abandonado por seus patrícios:

1. Saber que teria aprender a língua e os costumes muito depressa.
2. Valorizar as ferramentas de ferro – facão, machados, martelo – que somente ele possuía numa vasta região onde ninguém fundira metais.
3. Seu vigor sexual imenso, incentivado pela visão continuada das mulheres indígenas que não escondiam , conforme Pero Vaz Caminha, em sua carta de 1500, as suas vergoinhas.
4. O fato dos chefes dar mulheres prazerosamente para gente externa às tribos para geração de filhos ser adotado por todos.
5. Hans Staden, prisioneiro condenando a morte num ritual antropófago a ser realizado em data futura, recebeu de Cunhambebe todas as mulheres interessadas em gerarem filhos do bravo estrangeiro antes de comê-lo num churrasco festivo. Ramalho obteve o mesmo privilégio sem ter de arquitetar sua fuga, como Staden, para fugir da grelha.
6. O empreendedorismo lusitano, pois em 1530 quando o governador português chegou para estabalecer a capitania de São Vicente tudo tinha de ser negociado com o Ramalho, tornado um xerife do pedaço.

Resultado deste empenho de João Ramalho, e de todos os portugueses que conviveram em terras brasileiras com os seus machados e facões: O crescimento geométrico da população de mamelucos.

Um fato econômico que precisa ser relembrado: o Brasil que se formava era o lugar para derrubar as árvores do pau Brasil.

Um produto quase tão lucrativo quanto as “especiarias” que tinham de ser buscadas na Ásia, contornando a África, numa viagem perigosa que em milhas era equivalente a uma volta à Terra.

Os franceses foram os primeiros não ibéricos a buscarem o pau Brasil pirata nas terras que o Tratado de Tordesilhas assegurava ser portuguesas.

E os franceses, como todos que queriam buscar troncos daquela madeira aqui, tinham machados e facões, o que os tornava representantes do equivalente à mais sofisticada tecnologia nos dia de hoje.

E sem dúvida da mesma lubricidade para gerarem filhos e filhas com as índias de tribos que os admiravam.

Em 1580 a primeira força expedicionária brasileira, sob comando de Salvador Correa de Sá e Benevides partiu do Rio rumo a Angola que estava sendo ocupada por holandeses inconformados com a divisão do mundo entre portugueses e espanhóis sob as bênçãos do papa.

Uma força expedicionária é um negócio complicado de formar. São precisos homens jovens, treinados nas artes da guerra, capazes de se organizarem militarmente, de saberem se comunicar e fazerem o que o seu comandante ordene, sem hesitações.

Os brasileiros expulsaram os holandeses de Angola em 1580. Mas quem eram estes brasileiros surgidos nos 50 anos que se seguiram à ocupação mais formal do Brasil? Eram os mamelucos, filhos de portugueses com índias, filhos de filhos mamelucos destes primeiros mamelucos com outras índias, todos criados num mundo em que a língua era a língua das tribos, mas também capazes de entender a língua de seus pais ou avós.

Os brasileiros de então e de todos os anos seguintes ao longo de nossa história eram cada vez mais frutos destes cruzamentos que não eram repudiados por lusitanos, cujo país tinha sido “ocupado” durante 800 anos pelos mouros.


Grande parte dos portugueses originais eram já fruto do cruzamento dos povos primitivos da Europa – suevos, visigodos, celtas, lusitanos e iberos – com os ocupantes árabes. Não poderia lhes parecer um grande pecado crescer e multiplicarem-se com as índias no Brasil.

Por outro lado os índios brasileiros, revelando grande inteligência emocional, não haviam buscado em seus mais de 10 000 anos de ocupação da região, qualquer empenho em fazerem alguma coisa que não fosse essencial para sobreviver.

A palavra “trabalho” cuja origem é tripálio o instrumento de tortura dos romanos para punir quem não trabalhasse conforme determinavam os seus feitores, não era conhecida nas terras brasileiras.

Os avós e as mães dos mamelucos, conforme a história do Brasil que aprendemos no colégio, não se adaptavam muito bem ao trabalho forçado deles exigido por “feirtores” portugueses.

Mas, na África esta fuga ao trabalho não existia. Comprar e vender escravos, tribos inteiras dominadas nas guerras infindáveis entre etnias rivais era o dia-a-dia há milênios.

Os nossos mamelucos da força expedijcionária que libertou Angola foram testemunhas oculares das “vantagens da escravidão de africanos” e sabiam por suas próprias experiências de vida tribal como seria bom contar com escravos negros em vez de terem seus parentes “trabalhando” duro nos empreendimentos dos portugueses.

Veja os quadros abaixo e tire as suas próprias conclusões:



Entrada de escravos africanos no Brasil(IBGE)

Período 1500-1700 1701-1760 1761-1829 1830-1855
Quantidade 510.000 958.000 1.720.000 718.000

Durante os séculos XVII e XVIII, os negros e mulatos ( e mamelucos ...)foram a grande maioria da população brasileira. O crescimento da entrada de escravos africanos a partir do século XVI, o extermínio dos indígenas por ataques às tribos, mas principalmente pelo cruzamento com os “brasileiros”e a relativamente pequena quantidade de colonos portugueses contribuíram para o surgimento de uma maioria de gente com uma origem racial mista no Brasil.

Neste quadro veja como nos brasileiros que se consideram brancos , devidamente pesquisados geneticamente HÁ MAIOR PERCENTUAL DE SANGUE ÍNDIO DO QUE DE SANGUE NEGRO 33% CONTRA 29%.

O pé na cozinha do Fernando Henrique Cardoso e da grande maioria dos brasileirpos com cara de brasileiros é também pé na tribo.

O incrível na opinião do redator deste Almanaque é que ninguém fala dos índios em nosso sangue.

Quem vá a São Paulo e ande pelos Ibirapueras, Anhangabaus, Itaquecetubas, Moemas e outros nomes indígenas poderia até desconfiar de alguma coisa não está sendo dita.

Detalhe também não mencionado: até o século 19, a língua falada em São Paulo, antes da chegada maciça de imigrantes europeus e japoneses era a mesma língua geral falada pelos mamelucos.


As razões da troca dos r pelos l. A palavra arco em vez de álcool e outras semelhantes é que índios têm dificuldade de falar os rS e os ls.

Logo, caros leitores e leitoras, discretamente o Almanaque do Pio os convida a pensar nestas coisas.

Valores arredondados provenientes de duas pesquisas independentes feitas respectivamente com brasileiros negros e com brasileiros brancos

Há mais sangue´indígena nos brancos do que sangue negro nestes mesmos brancos.

Pesquise e uga e uga.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Lula escolhido pela Time com o cara mais influente do mundo. É mole?

Caramba! Eles não tem, nem podem ter qualquer interesse subalterno em encherem a bola do Lula. Muito menos de seus seguidores, eleitores, do bando do PT e de todas as pessoas que estão criando o lulismo como versão aprimorada do peronismo em nossas bandas.

Mas, para quem critica o que o Lula faz, o que o Lula diz, a maneira como faz e diz é um balde de água fria.

É algo como o time rival de nosso próprio time ser escolhido como melhor do mundo. Os brasileiros que eles também são, não são os brasileiros com a nossa camisa...

E esta turma lulista vai ser muitas vezes mais chata para aturar do que os torcedores do outro time.

Vamos tratar de valorizar o nosso cara e influenciá-lo - se isto é possível no Olimpo em que ele está habitando - para que tudo isto seja ainda mais positivo para o Brasil.

Um cara que admira o Chávez, os irmãos Castro e outros da lista negra seria ainda mais admirado se com sua fama fizesse os seus amigos mudarem de postura e dizerem que estão fazendo isto por recomendação do Lula.

Não me lembro bem, mas acho que houve uma novela em que um personagem explodia sozinho no último capítulo. Espero que com todo este vento o Lula não fique perigosamente mais cheio de si. E que nós ganhemos alguma vantagem com isto.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Continuação - Dados para ajudar você a chegar a conclusões sobre ser Brasileiro

1. Temos um território de mais de 8 milhões de quilõmetros quadrados que pode ser usado para plantar todas os principais produtos agrícolas. Este nosso Brasil imenso, "país essencialmente agrícola" durante boa parte do século passado, país sem petróleo em seu sub-solo muito menos com perspectivas de auto-suficiência em petróleo (também no passado e até passado recente), país com as costas voltadas aos hispano-americanos nossos vizinhos sempre democraticamente conturbados, país com baixíssimo número de anos na educação de seus filhos (menos de 10% nas universidades enquanto até argentinos vão a 40%, americanos a 80% )o Brasil chega neste momento às vésperas de encenar uma peça em que não há qualquer preparo dos encenadores.

Olhe para fora de sua janela, onde quer que você esteja: é provável que veja alguma árvore; aqui no Rio basta subir os olhos para os morros em volta e mesmo quando há favelas, você verá árvores, muitas árvores.

Se estiver num avião, indo para onde quer que seja neste país, vai voar sobre áreas de mata verde, de florestas, ou de canmpos em que "se plantando, tudo dá", como já disse Pero Vaz Caminha na Bahia em 1500, só olhando a terra em frente às naus de Cabral à caminho das Índias.

Quando você não estiver vendo campos ou florestas no seu voo vai ver rios e mais rios. E planaltos que levam os seus rios em calhas para que cheguem ao mar - imenso - que é nossa fronteira de uns 8 000 quilômetros de extensão com o Oceano Atlântico.

Quando estas imensas massas d'água mudam de nível em cascatas e corredeiras produzem energia depois de construídas usinas hidrelétricas. A melhor forma de gerar eletricidade enquanto houver chuvas para encherem rios.

Além destas riquezas naturais temos em nossas fronteiras quase 200 milhões de seres humanos que têm em comum serem "brasileiros". Os atores e atrizes que querendo ou não vão trabalhar na peça cuja estreia já está marcada: daqui pra frente no século 21, todo.

Estranho nome este que caracteriza um povo não por sua eetnia (raça) ou por sua fidelidade religiosa, nem por seus hábitos alimentares, comportamentos culturais, seja o que for. Brasileiros, da mesma forma que o termo impressionistas usado para caracterizar alguns pintores que aparentemente registravam mais impressões em seus quadros do que a vida real em todos os seus detalhes, brasileiros foi o nome dado pelos portugueses às pessoas originadas ou residentes nas terras onde havia um tronco cujo processamento numa forma rústica de indústria produzia uma tinta vermelha capaz de tingir tecidos.

A terra descoberta por Cabral foi batizada de Santa Cruz, logo, quem lá nascesse ou permanecesse deveria se chamar Santenses, ou algo semelhante.

Mas, logo de saída, e este tema vai ser abordado adiante, tivemos a imensa vantagem de nos chamarmos brasileiros.


Os impressonistas foram chamados desta forma para diminuir a sua qualificação. Os brasileiros foram chamados assim - sem nenhuma intenção de valorizar a sua localização - relacionando sua existência a um imperativo econômico.

Vamos de novo mergulhar num cenário imaginário - como a da peça de teatro das primeiras linhas - e pensar nas pessoas que chegavam a estas costas em naus e caravelas no século 16.

O nome oficial, adotado na carta do Pero Vaz Caminha ao rei D. Manoel dando conta do achamento destas terras era Vera Cruz, ou Santa Cruz. À bordo das naus de Cabral havia um marco de pedra, que foi cravado na praia baiana sem que nele houvesse registrado a palavra Brasil.

Na verdade a decisão de promover o "achamento" destas terras, como sub-produto de uma viagem de negócios às Índias, ocorreu somente depois de ter sido negociado e assinado o Tratado das Tordesilhas, como Vaticano, revogando a Bula Intercoetera, datada de 1493.

Em 1498 Duarte Pacheco Ferreira, mandado pelo rei especificamente para verificar se realmente havia novas terras asseguradas para a Coroa Portuguesa, chegou às nossas terras entre o Maranhão e Pará e foi o primeiro a falar em brasil.

Leia este trecho de seu relatório ao rei português:

"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."

Neste pequeno trecho Duarte Pacheco Ferreira propõe alguns temas muito importantes para este post:

1. Fica muito claro que as terras portuguesas na América foram de fato "descobertas" ou "achadas" por ele. E não por nosso festejado Cabral.
2. Foi muito além do Cabral - que achava ter descoberto uma ilha - e diante da extensão da costa percebeu que a área era muito maior.
3. No seu relatório, não transcrito acima, ele referiu-se a uma pororoca, a primeira registrada, no que viria a ser o rio Mearim. Ele fez isto, dentre outros motivos, por que era um cosmógrafo, um cientista que calculou a longitude com um erro de menos de 4º.
4. Como arguto observador, numa missão secreta do rei de Portugal, deu atenção ao "fino brasil" destacado entre outras riquezas identificadas por ele no litoral.

Se você buscar informações sobre o pau brasil vai se surpreender ao verificar que a árvore é originária da Mata Atlântica.E que, com os primeiros séculos de ocupação europeia, pois além dos portugueses, franceses e outros navegantes trataram de derrubar quanto pau brasil havia, praticamente eliminando-o de nossas matas.

Como podia o Duarte Coelho chamar de brasil - e saber de seu valor econômico - se até 1498 a Mata Atlântica e sua árvore ainda sequer eram conhecidas na Europa?

Duarte Coelho já havia estado na Ásia, já havia lutado nas colônias portuguesas na região (voltadas a encontrar as especiarias a serem levadas para a Europa para obtenção de grandes lucros) e devia ter visto a árvore já lá denominada de Brasil.

Era um pau tão denso e pesado que não flutuava, impossibilitando derrubá-lo às margens de rios para transportá-lo em jangadas. Tinha de ser acomodado como carga pesada nos porões das naus. E isto valia a pena por que os tecidos tingidos com a sua seiva eram mais valiosos do que os tingidos com terras.

Os nossos antepassados portuguêses depois dedicaram-se a ganhar dinheiro com a cana, o açucar e o álcool, e daí evoluiram para os minerais vindos das minas gerais, tivemos a sorte grande do café e durante os nossos poucos séculos sempre a nossa brava gente - os brasileiros - corremos atrás do que desse dinheiro de forma regular.

Igualzinho aos demais povos da terra, que dependendo de sua localização e de sua história, querem preservar para seu próprio gozo todas as riquezas que possam controlar.

Nós os brasileiros em especial devemos não só o nosso nome, mas o nome de nosso país, e a nossa bandeira verde e amarela à nossa obsessão pelas riquezas, coisa que não vinha dando tão certo ao longo dos anos, mas que derepente encaixou.

Do pau brasil evoluimos para a energia elétrica capaz de mover fábricas de qualquer coisa que queiramos fabricar.

Apesar dos medos e o histórico de Hiroshima e Nagazaki, dos vazamentos de Three Mile Island ( nos EUA) e de Chernobil (na antiga URSS) a geração de energia a partir do urânio é o que está permitindo a França e boa parte da Europa superarem a inexistência de carvão, petróleo e represas para gerar a energia necessária para serem países organizados. E ricos.

Aqui no Brasil temos um conglomerado de usinas nuclares em Angra dos Reis gerando uma energia elétrica que tem péssima fama.

Tipo, veja se isto é lugar para construir uma usina nuclear...

Se este troço explodir acaba a região. Além disto é uma usina vagalume, acende e apaga, não se pode confiar. O pessoal que a administra esconde as falhas, não parece muito competente e pode ter a certeza de que não vão avisar ninguém a tempo se der confusão...

Tudo de ruim. Tudo de negativo sendo repetido ano após ano, há mais de 30 anos.

Resultado: o Brasil que tem a quarta maior reserva de urânio do mundo não se dedicou a fazer qualquer nova usina nuclear.E limitou a geração de energia elétrica vinda de seu urânio a pouco mais de 3% do total.

Além de Three Mile Island - nos Estados Unidos - e de Chernobil - na antiga União Soviética - não houve problemas com usinas nucleares em lugar algum do mundo.

Dados do Greenpeace mostram como o resto do mundo está usando e gerando riquezas a partir de usinas nucleares:

Em 2006, a França foi o país que mais produziu energia nuclear: 82,2% do total de energia gerada pelo país foi proveniente de fonte nuclear. Lituânia (78,7%), Bélgica (57,3%), Ucrânia (50,57%), Suécia (49,9%), Bulgária (47,7%) e Eslováquia (42,7%), vêm na sequência como os países que mais utilizam tecnologia nuclear como fonte energética. A Coréia do Sul (40,7%) e o Japão (31,2%) são os países qua mais usam esta tecnologia no oriente. Já no Brasil a energia nuclear produz apenas 3,31% da geração total de energia. Até maio de 2008 n o mundo , 439 usinas estavam em operação, representando 16 % da geração de energia total mundial.

Cada kilowatt não gerado e não consumido, ou cada kilowatt gerado a um custo maior do que o pudesse ser menos custoso geraria com certeza absoluta mais competitividade aos produtos fabricados com este eletricidade. Mesmo que o preço dos produtos seguisse uma tabela internacional. Quem ganharia mais seriam então as fábricas e este dinheiro iria mesmo que houvesse uma conspiração muito bem urdida para detonar o Brasil, iria beneficiar o Brasil e os brasileiros.

A falta de jazidas de petróleo no Brasil - com a história da Petrobras dizendo que o petróleo é nosso e os relatórios Link dizendo que no nosso território continental não havia petróleo que nos desse autosuficiência - chegou no fim do século 20 ao momento mágico da descoberta do óleo no pré-sal.

Para quem como o redator deste Almanaque não conseguia entender o porque deste petróleo surgir num buraco tão mais embaixo do que todos os demais petróleos, aqui vai a explicação simples e forçosamente incompleta:

Quando houve a separação do continente de Gondwana, onde a América e e África eram parte de uma só massa de terra, formou-se uma rachadura, que sem exageros podemos chamar "a rachadura rainha".

Começou a separação há 200 milhões de anos fazendo o mar penetrar na rachadura inicial na maior queda d'água que possa ser imaginada. E neste deslocamento de águas cheias de vida iam junto peixes, crustáceos e o que mais pudesse estar vivo com átomos de carbono prontos a se transformar em petróleo ao longo dos milhões de anos à frente.

Sobre a massa de animais mortos o oceano na rachadura passou por momentos de redução, acumulando na rachadura água que evaporava e deixava os sais dissolvidos ao fundo.

Este é o sal mais profundo sob o solo do mar nas proximidades das costas da América do Sul e da África. E abaixo desta camada estão - tranaformados por milhões de anos de aquecimento e compressão em petróleo que poderá nos levar aos primeiros lugares dentre os produtores dentro de uns 20 a 30 anos.

Mas, em relação a este grande momento, há a considerar uma novidade ameaçadora: o homem pela queima de combustível fóssil (petróleo e carvão) gera CO²o qual por sua vez cria o "efeito estufa" que em última instância poderia acabar com a vida na Terra...

Que chato... Logo agora que estamos chegando ao petróleo abundante, o sonho de todos os "brasileiros" há tanto tempo!

Mas este é apenas um dos grandes problemas a serem enfrentados.

Como explicar o retardamento em mais de 40 anos na decisão de construir e por consequência iniciar as obras de uma hidrelétrica no rio Xingu?

Em janeiro de 2010 um sinal verde foi dado, desde que sejam atendidas 70 ou 80 exigências que vão custar mais um bilhão de dólares para serem cumpridas.

Imagine só, pelo custo inferior a um décimo da compra de um caças a jato - para defender o nosso pré-sal do ataque de algum país oportunista - a usina de Belo Monte ficou no papel desde 1970.

Se tivesse sido construída em 10 anos e tivesse gerado seus kilowatts nos últimos 30 anos o Brasil teria gerado o equivalente a uma Suécia por ano a mais de energia.

De qualquer forma a energia não gerada pela segunda maior usina do Brasil durante 20 anos seria suficiente para produzir muito mais bens e gerar muito mais riquezas do que as que levaram o país para a 8ª posição no ranking das economias mundiais.

Pegunte a você agora: será que podemos viver como se no mundo os países fossem amigos uns dos outros?

Pense na retrospectiva das riquezas geradas pelo pau brasil, pela migração das seringueiras promovidas pela Grã Bretanha para a Malásia, pela absoluta aderência da opinião pública brasileira a nao construir usinas nucleares, aos cuidados mais do que detalhados para autorizar o início dos trabalhos na Belo Monte, e na aparente confusão governamental.

É a partir de conceitos como estes que se desenvolvem as teorias conspiratórias.

A primeira pergunta dos investigadores para chegar aos culpados por um crime é relativa ao "a quem interessa este crime tenha sido cometido?"

Mais de 80% dos assassinatos ocorridos no Brasil não resultam nem em processos, nem em acusações, nem em condenações de seus culpados. Como não se chega a definir a quem poderia interessar o crime, não se pode chegar aos culpados.

No caso do Brasil poderia ocorrer algo semelhante. E que por uma bela decisão pessoal deixou de ocorrer em grande parte devido a uma análise feita por Jim O'Neill , economista chefe do Goldman Sachs, pouco tempo depois do atentado de 11 de setembro nos Estados Unidos.

O 'Neill, afetado pessoalmente pelo atentado que poderia ter terminado com a sua vida - um dia antes ele esteve no prédio atacado onde ficava a sede de NY do Goldman Sachs - perecebeu que naquele momento começava a se formar uma nova ordem mundial. Uma mudança previsível no eixo do poder econômico para quatro super-países : Brasil, Rússia, Índia e China cujo acrônimo feito com as suas iniciais era BRIC - tijolo - algo muito adequado para a reconstruir um novo mundo econômico.

Quando nos comparamos com países - na verdade, civilizações - milenares como China , ìndia e até a Rússia poderia parecer que o Brasil teria entrado nesta lista apenas por um capricho de O'Neill. Mas, economistas chefes de grandes financeiras não se deixam levar por este tipo de tentação.

O Brasil além da série de vantagens expostas em outra parte deste texto é uma democracia estável, confiável nas relações internacionais pelos dirigentes eleitos de governos que sejam até opositores do anterior. É um país sem ambições territoriais sobre os países vizinhos e que tem em sua população de 200 milhões de habitantes a quantidade boa de consumidores para formar um respeitável mercado interno.

Ter entrado neste clube do BRIC foi muito mais importante do que qualquer outro reconhecimento internacional, como por exemplo, ser eleito membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Tudo de bom tem o seu preço e o preço maior é a inevitável percepção de que o Brasil não pode ser deixado sem cuidadoso monitoramento de todos os países do mundo. Em especial daqueles sobre os quais o sucesso do Brasil possa provocar ou acelerar perdas para os seus cidadãos.

Um empresário brasileiro com atividade internacional quando isto ainda era raro - o Horácio Klabin que dentre outras atividades tinha a franquia do Diners Club na Alemanha, Bélgica e Portugal nos anos 70 - achava muito engraçada a mania de políticos, jornalistas, intelectuais dizerem que tal país era grande amigo de outro país.

Ele sabia que o interesse econômico dos dirigentes dos países ditava a forma como as amizades internacionais se manifestava. E este fato nunca foi diferente antes, nem muito menos agora.

O que certamente vai mudar e está mudando é necessidade de que os profissionais incumbidos de conduzir os relacionamenrtos internacionais do Brasil (diplomatas e negociantes) com o resto do mundo voltem a se chamar com absoluta adequação de brasileiros.

Gente reunida não por terem nascido aqui, por serem descendentes de determinados povos ou etnias, por professarem alguma religião mas por buscarem vantagens com a venda do pau brasil da ocasião. Defendendo-o contra as imitações e as armadilhas diretas ou indiretas à sua comercialização.

Dentre as quais as barreiras para dotar o Brasil da infraestrutura de energia, de transporte, de produção, de formação de profissionais capazes de não esmorecer nos seus esforços de vender pau brasil , como se a nossa vida dependesse disto.

E não é que depende!










sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

E por falar em palavras... e esta história da Hidrelétrica de Monte Alto. Já pensou?

Imagine que você está nos bastidores de um teatro onde está sendo montada uma peça espetacular. Um super espetáculo.

Imagine que você, que não entende muito de teatro, percebe que a confusão é total.

Gente aos berros reclamando que os demais não estão trabalhando, cenários tortos e mal montados, atores e atrizes correndo de um lado para o outro em busca do diretor, as luzes despencando do teto.

E você sabendo que a estreia será nas próximas semanas.

Agora troque o teatro pelo Brasil, troque a peça pelo projeto dos próximos 20 ou 30 anos. Mas, para seu terror, conserve a mesma bagunça, a mesma confusão nos bastidores...

Nunca na história deste planeta tanta coisa está acontecendo relacionando as diversas partes do mundo, os diversos povos e as diversas economias acomodando-se sob novos formatos.

Nós brasileiros fazemos parte do BRIC, com a Russia, China e Índia. O BRIC é a grande novidade no cenário do século 21. Países hoje mais importantes que não eram tão destacados antes surgiram como o novo "tijolo mágico" no novo mundo.

Os demais países do BRIC , além do Brasil, têm populações imensas, histórias milenares, disposições bélicas evidentes (pois todos têm bombas atômicas e ninguém fabrica bombas nucleares para festejos juninos) e até por esta visão estratégica quanto a seu poder todos têm gente pensante em busca (1) de sucesso pessoal dos dirigentes E (2) como líderes comprometidos com o sucesso de seus países.

No Brasil (cuja presença neste grupo seria até de se estranhar) pertencer a um clube tão poderoso sem ter feito qualquer esforço maior para merecer este status nos obrigaria a ter as nossas melhores cabeças, os nossos melhores institutos pensando nossos próximos passos.

A primeira atitude pública chamando a atenção para o Brasil como parte dos BRICs foi tomada nos dias 22 e 23 de fevereiro, no Rio de Janeiro por iniciativa da Prefeiture que convidou grandes especialistas para apresentar o tema no evendo "Uma Agenda para os BRIC".

O Ministério das Relações Exteriores tem sido o órgão encarregado de posicionar o país no mundo. De repente, não tão de repente assim , a visão estratégica do mundo do Brasil parece ter sido atribuída a um assessor presidencial não diplomata, cuja presença a princípio pareceu mais uma curiosidade do que algo com consequências.

Ao surgirem boatos da formação de um Itamaraty do B, sob a forma de um conselho composto de conselheiros de origens caras ao governo, tudo leva a crer que está sendo cuidada de uma substituição dos diplomatas por outras pessoas dedicados à política externa.

Nada disto teria maiores consequências se a montagem deste cenário não tivesse relação com o que se espera sejam as decisões estratégicas do Brasil pelos próximos anos do século 21. Tanto do Brasil como parte do BRIC quanto do Brasil como parte do mundo econômico de maneira geral.

No que o Brasil é imbatível sem qualquer viés ufanista foi exposto por um conferencista no texto abaixo - um discurso - pronunciado em 2005 a que juntei informações mais recentes:

O Brasil, com os seus 8.547.403,5 quilômetros quadrados de território continental é o quinto maior compartimento político da Terra, suplantado apenas pela Rússia, Canadá, China e Estados Unidos da América.

Essa superfície corresponde a 5,9% do total de terras emersas e a 47,9% de toda a América do Sul, percentual esse que enquadra o Brasil entre os países com tamanho conveniente para sobreviver no mundo atual, segundo critério enunciado em 1939, pelo geopolítico norte-americano Derwent Stainthorpe Whittlesey:

“Difícil acreditar que Estados com pequena dimensão, cujos ecúmenos já se expandiram até os últimos limites, sejam bem sucedidos, num mundo em que o tamanho conveniente de um Estado é, no mínimo, metade de um continente”.

Se considerada, também, a área marítima sob jurisdição econômica exclusiva, denominada “Amazônia Azul”, o espaço brasileiro seria bonificado com mais 4,3 milhões de quilômetros quadrados, em números redondos.

Voltando ao território continental, pode-se afirmar, sem qualquer laivo de ufanismo, que dentre todas as entidades políticas, é o nosso Brasil a única capaz de passar ao largo das cinco grandes crises em potencial que ameaçam a humanidade, pelo simples fato de se aproximar da situação autárquica, no que tange aos recursos naturais disponíveis nos seus domínios.

O exame do território continental brasileiro revela, “a priori”, que dispõe ele de um pouco mais de 5 milhões de quilômetros quadrados de terras potencialmente utilizáveis para as atividades agropecuárias, número esse excepcional, quando cotejado com os de outras unidades ou blocos de superfícies avantajadas.

Desse total só estão sendo aproveitados hoje cerca de 3,5 milhões de quilômetros quadrados.

Além da vantagem quantitativa em áreas passíveis de aproveitamento para a agropecuária, a posição e a forma do continente brasileiro, dois fatores geopolíticos de suma importância, asseguram certas qualificações a essas terras.

O espaço brasileiro está nas zonas de maior luminosidade e calor do planeta e, simultaneamente, situa-se fora das áreas submetidas a rigores climáticos e fenômenos geológicos ou meteorológicos adversos, inibidores da utilização constante do solo.

A posição geográfica e os climas que a ela correspondem, por favorecerem a fotossíntese, sem qualquer embaraço inibidor, permitem a colheita de duas e, até mesmo, três safras anuais de culturas de ciclo curto, além de dispensarem, no caso da criação de animais, o emprego de instalações para abrigá-los durante parte do ano.

Conseqüentemente, a superioridade do Brasil em terras potencialmente agricultáveis deve ser multiplicada, no mínimo, por dois, quando se desejar comparar o potencial doméstico com o dos demais Estados-Gigantes.

Outro privilégio concedido pela posição relaciona-se com o oceano que banha o nosso litoral. Como a linha de costa situa-se a oeste da massa líquida, o “Efeito Coriolis” faz com que sejam quentes as correntes circulantes, por derivarem ambas da corrente sul-equatorial.

Por esse motivo, são sempre elevadas as taxas de evaporação do oceano adjacente, razão pela qual não há desertos no território brasileiro.

A combinação das taxas de evaporação do Atlântico Sul, na altura do nosso litoral, com os ventos dominantes nas latitudes correspondentes, faz com que a precipitação média diária no Brasil seja a mais elevada da Terra, por atingir a ordem de 43 trilhões de litros (precipitação média anual de 184 centímetros). Nos Estados Unidos da América, por exemplo, a atmosfera só precipita 16 trilhões de litros por dia.

Os 500 mil quilômetros quadrados da caatinga, vegetação compatível com o clima semi-árido instalado em parte da Região Nordeste, estão submetidos a fenômeno peculiar, decorrentes do alinhamento de montanhas, que formam barreiras geomorfológicas à penetração da umidade, e à orientação dos ventos regionais, que empurram as nuvens de encontro a essas barreiras, provocando chuvas a barlavento e secura a sotavento.

A forma do território com acentuado alongamento no sentido dos meridianos, concede ao país a grande dádiva da diferenciação climática, fator primordial à diversidade de culturas.

Terras agricultáveis em quantidade, abundância de luz e calor, elevado índice pluviométrico e notável diferenciação climática, eis aí a receita ideal para o sucesso das atividades do campo e para a exclusão do Brasil da lista dos países vulneráveis à crise de alimentos que ameaça grande parte da humanidade.

Ainda com relação ao espaço físico brasileiro, deve ser ressaltado o fato relevante de boa parte do território continental, praticamente a metade dele, ainda conservar a vegetação primária, isto é, aquela existente em data anterior à chegada dos europeus.

Só na Amazônia brasileira (4 milhões de quilômetros quadrados), a formação florestal nativa ainda recobre 3 milhões de quilômetros quadrados, de permeio com 500 mil quilômetros quadrados de outras tipologias vegetais virgens. A despeito de informações cuja veracidade não pode ser confirmada pela realidade e por pesquisas independente a verdadeira Amazônia brasileira é por incrível que pareça o bioma mais bem conservado do planeta!

Esse detalhe feliz coloca nas mãos dos brasileiros o paraíso da biodiversidade, isto é, o maior banco genético da Terra!

Com relação à nossa Amazônia, a região encerra inestimável patrimônio florestal, cujo inventário, aponta para um volume de madeiras igual a 40 bilhões de metros cúbicos, considerando apenas as árvores adultas. Dentro desse volume encontram-se 40% do total de madeiras de lei (hardwoods) existentes no mundo, quantidade essa avaliada, estaticamente, em 1 trilhão de dólares. Note-se que foi usada a expressão “estaticamente”, porque se trata de riqueza renovável, desde que manejada inteligentemente.

O Brasil, todavia, embora amazônico por determinismo geográfico, não se resume à Amazônia!

Há mais de dois milhões de quilômetros quadrados de vegetação primária nas demais unidades paisagísticas do país, quais sejam o domínio dos cerrados, a zona dos cocais, o domínio da caatinga, o domínio da mata atlântica, o domínio do pantanal e o domínio das coxilhas.

No geral, essas unidades reforçam as dádivas da biodiversidade, o potencial madeireiro, além de enriquecer os patrimônios florístico e faunístico do Brasil!

Não há crise de matérias primas, sejam do reino vegetal, sejam do reino animal, que nos possa alcançar!

A possibilidade mais séria de crise para a humanidade, como é voz corrente, é a de água potável.

O suprimento superficial de água doce, em estado líquido, existente no Brasil (2,29 x 1015 m3) corresponde a 21% das disponibilidades mundiais. Só a Amazônia brasileira mantém em estocagem 1,63 x 1015 m3 de água potável, ou sejam, 15% do que existe na Terra.

Então, os brasileiros não precisam temer que lhes falte água desde que aprendam a usar esta dádiva com sabedoria.

Quanto às matérias primas de origem mineral, fácil demonstrar a posição cômoda do Brasil, inclusive porque a Amazônia brasileira, ao invés da África do Sul, é o verdadeiro “Oriente Médio dos Metais”.

As áreas cratônicas do pais (cratons: massas pré-paleozóicas, que não sofreram ulteriores dobramentos orogenéticos) somam 5,4 milhões de quilômetros quadrados, enquanto as áreas sedimentares emersas equivalem a 3,1 milhões, tudo em números redondos.

Os Escudos e demais áreas cristalinas, embora com boa parte do subsolo opaco, isto é, não submetido a qualquer tipo de pesquisa, já revelaram a presença das 26 substâncias metálicas de uso mais comum, sendo que em muitos casos com reservas de grandes proporções.

Assim dizendo, está tudo resumido!

As quatro bacias sedimentares emersas, à semelhança das áreas cristalinas, são bem férteis, podendo-se dizer o mesmo da plataforma continental.

Uma única restrição incide sobre elas, qual seja a pequena disponibilidade de carvão mineral, uma vez que só na parte meridional da Bacia do Paraná aparecem alguns depósitos, não muito significativos dessa substância energética.

Os climas prevalecentes nos territórios que viriam a compor o Brasil, no decorrer do Carbonífero, explicam essa falha. O futuro território brasileiro, na época, orbitava em torno do Pólo Sul, apresentando clima seco e vegetação rasteira.

Quanto às demais substâncias que se aglomeram nas rochas sedimentares, não há razão para queixas, mormente quando se tem conhecimento da densidade de pesquisa aplicada ao subsolo, que é insignificante.

Exemplo bem ilustrativo: até junho de 1984, desde o início da pesquisa de petróleo no Brasil, só se havia perfurado 8.867 poços de exploração e explotação no subsolo brasileiro. No decorrer do mesmo ano, o subsolo dos Estados Unidos da América foi alvo de 16 mil poços exploratórios!

Nos últimos anos, todavia, a PETROBRÁS obteve sucesso na exploração da plataforma continental e, mesmo, em terra, a ponto tal que a produção está bem próxima da situação de auto-suficiência e as reservas medidas de petróleo e gás garantem a continuidade do suprimento por mais uns 15 ou 20 anos.

A cresente possibilidade da área do pré-sal lançar o Brasil no grupo dos maiores produtores de petróleo do mundo já teve o seu valor determinado.

Além da área do pré-sal quase nada foi feito para pesquisar o petróleo nas áreas em torno da mega-fratura que vai da foz do Amazonas até a confluência deste com o Trombetas.

A mega-fratura em pauta resultou do processo de separação dos atuais continentes, iniciado há uns 160 milhões de anos (final do Jurássico) e concluído há 85 milhões de anos atrás (final do Cretáceo).

Esses tipos de fratura, em todo o mundo, são os locais onde se acumulam enormes volumes de hidrocarbonetos.

O Brasil, pois, poderá observar de longe a crise de matérias primas da natureza mineral, por ser auto-suficiente no setor!

Resta, ainda, examinar a capacidade energética nacional, a fim de verificar se o país apresenta vulnerabilidades nesse setor vital.

Um dos pontos cruciais do setor energético é a possibilidade de esgotamento prático das reservas de hidrocarbonetos nas próximas décadas.

O Brasil já pode contar com reservas medidas para os próximos dez ou quinze anos, embora tenha boas possibilidades de dilatar por décadas este prazo com o sucesso na exploração das reservas de óleo do pré-sal.

O Brasil tem todas as condições para produzir combustíveis de origem vegetal, aproveitando a biomassa. Esses combustíveis são de alto custo de mão de obra, por exigir um número muito grande de empregados, o que é bom para o país, mas demandam pouco capital, ao contrário da produção dos hidrocarbonetos, que exige o emprego de muito dinheiro para a pesquisa e lavra, com pequeno custo relativo à mão de obra.

Além desse aproveitamento indireto da energia solar, há também duas excelentes opções para fazê-lo diretamente, aproveitando a posição do país e suas condições climáticas: uso de placas armazenadores de calor e o emprego de células fotovoltaicas que geram eletricidade.

Só para dar uma idéia da eficácia do aproveitamento direto da energia solar, deve ser citado o resultado de testes conduzidos nos Estados Unidos da América, sobre o efeito prático do emprego de placas coletoras para aquecimento de água para uso residencial e pré-aquecimento do mesmo líquido para uso nas indústrias. Ficou demonstrado que o uso isolado dos coletores redundou numa redução de 15% no consumo anual de derivados do petróleo.

O emprego conjugado da energia solar será a instância definitiva do homem, uma vez que o SOL direciona para a Terra, diariamente, uma quantidade de energia equivalente a 100 mil vezes a capacidade de todos os geradores de eletricidade instalados no mundo.

Acontece, ainda, que conta o Brasil com um potencial hídrico inventariado igual a 213 mil megawatts de potência instalada, do qual somente uns 30% estão sendo aproveitados.

Portanto, existe uma perspectiva concreta de se instalar mais 150 mil megawatts por conta de novas hidrelétricas, sendo importante frizar que a Amazônia entrará com uma parcela de 110 mil megawatts em que a nova usina de Monte Alto será a mais importante.

Os Estados Unidos da América já aproveitaram todo o seu potencial hídrico, que totaliza apenas 101 mil megawatts, menos da metade do potencial do Brasil.

Além disto a capacidade de geração de energia no Brasil não se esgota com o que já foi mencionado, eis que o urânio e o tório, combustíveis da fissão nuclear, são abundantes no país. Embora do primeiro só se tenha medido, até agora, uma reserva equivalente a 2% das reservas mundiais, no caso do tório as medições, ainda incompletas, indicam que as reservas domésticas já chegam a 30% de tudo o que existe no planeta.

Devido a isto tudo - a estes fatos - o Brasil tem reais condições para oferecer energia aos seus habitantes, seja para o conforto pessoal seja para o progresso continuado.

Não há como deixar de formular uma pergunta lógica: por que todas essas benesses que o território oferece ainda não foram aproveitadas para tornar os brasileiros prósperos e felizes?

A resposta só poderá ser uma: má gestão dos negócios de Estado.
Entenda-se por má gestão ignorância, incompetência, corrupção e outras coisas do mesmo quilate.

O Brasil, devido às mesmas circunstências que tanto favorecerem o seu território teve a sua evolução política e econômica feita muitas das vezes por acaso. Sem planejamento estratégico devido às nossas limitações.

Enquanto no Hemisfério Norte, motivados pela sábia advertência de Thomas Paine, resumida na frase “The blood of the slain, The weeping voice of the nature cries: ´Tis time to part” os habitantes das Treze Colônias engajaram-se numa guerra cruenta, bateram e expulsaram os colonizadores, cortando todos os vínculos com a Coroa inglesa a ponto de não estabelecerem sequer representação diplomática na antiga metrópole, no Brasil a Independência política foi de fato um negócio de pai para filho.

A Carta de Lei de D. João VI, que ratificou o Tratado de 1825, pelo qual Portugal reconheceu a Independência do Brasil, demonstra a maneira “gentil” que presidiu a nossa separação.

Nela o Rei de Portugal assume o título de Imperador do Brasil, compartilhando-o com o filho D. Pedro de Alcântara, a quem confirmou como seu herdeiro e sucessor.

Em simultaneidade, ocorreu a faceta dramática do reconhecimento da nossa Independência: D. Pedro aceitou a imposição portuguesa de transferir para o Brasil uma dívida de 2 milhões de libras esterlinas, que Portugal contraíra com os banqueiros ingleses.

Tal ato teve como conseqüência a transferência do comando dos negócios do Brasil para a Inglaterra e, pior do que isso, a manutenção de todas as práticas econômicas coloniais: exportação de matérias primas brutas em troca de produtos manufaturados.

Essa prática perdurou até os dias atuais, exceto durante a pausa revigorante que nos proporcionou Getúlio Vargas, o primeiro Presidente nacionalista.

O que se passou daí por diante até a ascensão do atual Presidente é história contemporânea, que não vem ao caso relembrar.

Todavia, não se pode deixar de ressaltar o grau de dependência a que fizeram chegar o Brasil, principalmente devido a interferência dos que caíram no conto da “globalização”.

Segundo o famoso publicista norte-americano, John Kenneth Galbraith, “a globalização não é um conceito sério e nós, norte-americanos, a inventamos para dissimular a nossa política de intervenção econômica nos outros Estados e para tornar respeitáveis os movimentos especulativos de capital, que sempre causam graves problemas”.

De um modo geral, no Brasil, todas as atividades econômicas de porte passaram às mãos de grupos de fora, cujos acionistas são completamente dissociados da comunhão nacional. E estrategicamente trabalham para manter as suas vantagens no Brasil e no mundo.

As taxas elevadíssimas de juros, fixadas pelo chamado COPOM, têm como justificativa maior frear a inflação, mas são mantidas lá na estratosfera para atrair investimentos diretos que equilibrem as contas externas do país, além, é claro, de favorecer aos bancos aqui estabelecidos.

Até os bancos estrangeiros receberam inédita autorização para operar no varejo bancário, auferindo lucros e remetendo os mesmos para os países de origem às custas da poupança dos pobres cidadãos brasileiros!

E para rematar a manobra lesiva aos interesses estratégicos do Brasil os atuais dirigentes, ditos esquerdistas, ainda autorizaram, com a conivência da maioria dos congressistas, o ingresso do capital estrangeiro na mídia, com o que será consumada a captura total do compartimento econômico do país, sem que os brasileiros recebam qualquer informação a respeito.

A única reação eficaz, entretanto, será aquela comandada por cidadãos que não sejam destros, nem tampouco sinistros, mas plenamente brasileiros; que não sejam a favor do Estado Mínimo, nem tampouco do Estado-Máximo, mas tão somente do Estado-Necessário.
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