Antes de tudo tive de fazer um esforço para definir qual seria a minha profissão mesmo.
Isto se tornou mais fácil em função de quem fez o convite da palestra e de quem a aceitou por mim: Falei no Instituto GayLussac, em Niterói para estudantes do segundo grau na qualidade de professor da ESPM e de profissional no mercado de comunicação.
Mas, não fui para lá hoje às 7 da manhã, para defender os cursos superiores da ESPM como o melhor caminho para que aqueles estudantes definissem o seu futuro.
Explico esta aparente inconsistência:
O anúncio classificado que o explorador Shackleton publicou convocando sua tripulação para uma expedição à Antártica tornou-se um clássico devido a seus termos e ao sucesso diante dos prospects que se candidataram:
"MEN WANTED FOR HAZARDOUS JOURNEY. LOW WAGES, BITTER COLD, LONG HOURS
OF COMPLETE DARKNESS. SAFE RETURN DOUBTFUL. HONOUR AND RECOGNITION IN
EVENT OF SUCCESS."
Ernest Shackleton não teve muito sucesso em suas expedições. E parece até que e3ste anúncio parece que não teria sido criado nem publicado por ele. Mas o anúncio tornou-se um clássico.
E tem sido citado como a prova de que verdade dita com todas as suas letras pode se tornar na melhor definição do que seja um bom anúncio.
Não falei aos estudantes sobre o anúncio do Shackleton hoje de manhã, mas transmiti a uma turma interessadíssima na área de comunicação que a nossa profissão com todos os seus detalhes requer gente com uma disposição compatível com a dos interessados na convocação para a expedição à Antártica.
Para mim não existe profissão mais fascinante do que a minha. Nada pode ser mais atraente do que descobrir ou criar os novos desafios que ela proporciona a quem se dedique a ela com vigor.
Não a recomendo para os que se deixam deslumbrar apenas pelas aparências externas. Ninguém pode se fingir de dedicado se não tiver esta demanda no seu coração e na melhor parte de sua mente.
Os dias de grandes frios, as longas horas na escuridão ou problemas parecidos vão estar presentes em suas vidas, por vezes acompanhadas da "low wages". Nada porém realiza mais as pessoas quando conseguem transformar seus projetos em realidades.
Correndo riscos insignificantes diante dos corridos pelos comandados de Shackleton nos tempestuosos mares do polo sul.
Tenho a quase certeza de que as minhas palavras diretas e sinceras foram bem recebidas pela turma, pois eles não precisavam revelar-se entusiasmados. O que eu falava "não valia nota", uma espécie de moeda de troca entre alunos e professores.
No fundo alunos só dão a sua melhor atenção a qualquer tema quando aquilo vale nota. Quando o professor recebe grande atenção quando o que ele fala não vale nota pode sentir-se duplamente recompensado.
Não fiz para eles listas de coisas a observar para que pudessem decidir-se pela comunicação, mas enfatizei que nesta nossa profissão é preciso estar disposto a aprender todos os dias, a não ter preconceitos, a reconhecer a nossa importância no mundo de hoje e nos mundos de amanhã.
E principalmente a gostar de gente em todas as suas versões, pois a nossa vida depende de gente. E só de gente.
Doses diárias de informações sobre comunicação, marketing direto, coisas que nos fazem agir, mudar de opinião e muito mais se você participar
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Amanhã será melhor do que hoje porque hoje já é melhor do que ontem...
Quando entrei pela primeira vez numa redação de jornal ouvi uma frase que influenciou muito a minha vida e certamente determinou mudanças no comportamento de toda uma geração, na qual, você leitor deste blog, se inclui:
Good news is no news!
Numa interpretação mais livre isto queria dizer que se o jornal fosse escrito somente com as boas notícias não iria interessar a ninguém.
Daí a necessidade de esmiuçar os fatos e preferir sempre dar as notícias associadas às controvérsias. Ou seja, matérias na linha do “baba ovo” sempre seriam rejeitadas pelos leitores.
Mas, antes de escrever isto aqui dei uma pesquisada no Google e fui descobrir que a expressão nasceu com os seus termos invertidos:
No news is good news. Ou como diziam os franceses “pas de nouvelles, bonne nouvelles”.
Conceito que foi difundido pela primeira vez em 1615 com o rei James, da Inglaterra, dizendo que preferia não receber notícias do que receber notícias más.
Voltemos para as redações no século 20 e 21 e por seus produtos – notícias, reportagens, artigos – fica evidente que há um cuidado especial em evidenciar os perigos de fim de mundo que nos cercam. Isto fica claro em praticamente todas as coisas que estejam acontecendo.
Imagine uma pessoa influenciável, insegura, temerosa de tudo ao ler um jornal, revista ou assistir noticiários de TV. Claro que ao final do dia estará muito preocupado com o fim do mundo que estaria chegando à galope.
Na saúde os hospitais são insuficientes e cometem as maiores barbaridades com os clientes. Os médicos despreparados são carrascos ocultos, os medicamentos custam fortunas e são ineficazes.
Os laboratórios, assim como a maioria das empresas, não têm a honestidade como ponto forte: compram governos, inventam medicamentos inócuos e tornam-se cada vez mais ricos.
Mas, ao longo das décadas do século 20 a expectativa de vida só teve crescimento.
Se fossemos chamados a projetar como estaria a expectativa de vida do gênero humano e tivéssemos diante de nós apenas as notícias esparsas seríamos uns irresponsáveis se disséssemos que a expectativa de vida das pessoas estava crescendo.
Da mesma forma, diante das avaliações sobre o capitalismo e seus males, também não seria estranho dizermos que o regime do mundo iria provar em breve que a economia global estava entrando numa crise de onde seria muito difícil sair.
Os sistemas de transporte coletivos e pessoais estão também na iminência de um colapso e que será óbvio imaginar um mundo em que o recurso a ele seja o mais restrito possível, “para o bem de todos”.
Num jornal qualquer notícia questionando a iminência das catástrofes merece o apelido de matéria “chapa branca”, lembrando dos tempos já distantes quando somente os carros oficiais do governo recebiam chapas com fundo branco e números em preto.
E, portanto, de uma reportagem “chapa braça” só se poderia esperar interpretações distorcidas da realidade.
O publicamente aceito como certo são as matérias que anunciam maus momentos à frente.
O sagaz Ibraim Sued, em sua coluna de jornal fartava-se de repetir uma jóia do pensamento árabe:
Os cães ladram, a caravana passa...
Nesta década as matérias sobre a grande crise climática gerada pelo homem tornam politicamente incorreta qualquer contraposição relacionada à busca de outras causas para o aquecimento global. A culpa deve recais na desmedida ambição das indústrias e seus produtos provocadores do efeito estufa.
Quem acompanha e se pauta pelas notícias, artigos, livros, entrevistas, pronunciamentos de pessoas famosas só tem a esperar o fim do mundo em breve.
Como a população dos EUA, ao construir abrigos contra ataques nucleares nos anos 50 e 60 do século passado, esperava apenas o início da Terceira e inevitável Guerra Mundial para os próximos dias.
Estamos aqui, com expectativa de vida aumentada. Os abrigos contra ataques nucleares foram usados para outros fins como asseguro que serão usados para outros fins todas as antecipações das grandes tragédias aqui relacionadas.
Não é pelas virtudes individuais de dirigentes, mas pela preocupação biológica da espécie humana preservar-se.
Mesmo sem falar do mundo como um todo, onde as melhorias de vida continuam ocorrendo, o Brasil onde vivemos se torna melhor a cada dia. Coisa que nada tem a ver com o governo, que pelo contrário, com toda a força de sua ignorância sobre qualquer tema, apenas incentiva os cidadãos a se tornarem independentes do estado.
Se este texto fosse guardado numa cápsula e somente aberto daqui a 100 anos eu aposto que quem o lesse iria concordar muito com o que aqui foi dito.
E talvez o usasse para contrapor às projeções de catástrofes vigentes no ano de 2110!
Good news is no news!
Numa interpretação mais livre isto queria dizer que se o jornal fosse escrito somente com as boas notícias não iria interessar a ninguém.
Daí a necessidade de esmiuçar os fatos e preferir sempre dar as notícias associadas às controvérsias. Ou seja, matérias na linha do “baba ovo” sempre seriam rejeitadas pelos leitores.
Mas, antes de escrever isto aqui dei uma pesquisada no Google e fui descobrir que a expressão nasceu com os seus termos invertidos:
No news is good news. Ou como diziam os franceses “pas de nouvelles, bonne nouvelles”.
Conceito que foi difundido pela primeira vez em 1615 com o rei James, da Inglaterra, dizendo que preferia não receber notícias do que receber notícias más.
Voltemos para as redações no século 20 e 21 e por seus produtos – notícias, reportagens, artigos – fica evidente que há um cuidado especial em evidenciar os perigos de fim de mundo que nos cercam. Isto fica claro em praticamente todas as coisas que estejam acontecendo.
Imagine uma pessoa influenciável, insegura, temerosa de tudo ao ler um jornal, revista ou assistir noticiários de TV. Claro que ao final do dia estará muito preocupado com o fim do mundo que estaria chegando à galope.
Na saúde os hospitais são insuficientes e cometem as maiores barbaridades com os clientes. Os médicos despreparados são carrascos ocultos, os medicamentos custam fortunas e são ineficazes.
Os laboratórios, assim como a maioria das empresas, não têm a honestidade como ponto forte: compram governos, inventam medicamentos inócuos e tornam-se cada vez mais ricos.
Mas, ao longo das décadas do século 20 a expectativa de vida só teve crescimento.
Se fossemos chamados a projetar como estaria a expectativa de vida do gênero humano e tivéssemos diante de nós apenas as notícias esparsas seríamos uns irresponsáveis se disséssemos que a expectativa de vida das pessoas estava crescendo.
Da mesma forma, diante das avaliações sobre o capitalismo e seus males, também não seria estranho dizermos que o regime do mundo iria provar em breve que a economia global estava entrando numa crise de onde seria muito difícil sair.
Os sistemas de transporte coletivos e pessoais estão também na iminência de um colapso e que será óbvio imaginar um mundo em que o recurso a ele seja o mais restrito possível, “para o bem de todos”.
Num jornal qualquer notícia questionando a iminência das catástrofes merece o apelido de matéria “chapa branca”, lembrando dos tempos já distantes quando somente os carros oficiais do governo recebiam chapas com fundo branco e números em preto.
E, portanto, de uma reportagem “chapa braça” só se poderia esperar interpretações distorcidas da realidade.
O publicamente aceito como certo são as matérias que anunciam maus momentos à frente.
O sagaz Ibraim Sued, em sua coluna de jornal fartava-se de repetir uma jóia do pensamento árabe:
Os cães ladram, a caravana passa...
Nesta década as matérias sobre a grande crise climática gerada pelo homem tornam politicamente incorreta qualquer contraposição relacionada à busca de outras causas para o aquecimento global. A culpa deve recais na desmedida ambição das indústrias e seus produtos provocadores do efeito estufa.
Quem acompanha e se pauta pelas notícias, artigos, livros, entrevistas, pronunciamentos de pessoas famosas só tem a esperar o fim do mundo em breve.
Como a população dos EUA, ao construir abrigos contra ataques nucleares nos anos 50 e 60 do século passado, esperava apenas o início da Terceira e inevitável Guerra Mundial para os próximos dias.
Estamos aqui, com expectativa de vida aumentada. Os abrigos contra ataques nucleares foram usados para outros fins como asseguro que serão usados para outros fins todas as antecipações das grandes tragédias aqui relacionadas.
Não é pelas virtudes individuais de dirigentes, mas pela preocupação biológica da espécie humana preservar-se.
Mesmo sem falar do mundo como um todo, onde as melhorias de vida continuam ocorrendo, o Brasil onde vivemos se torna melhor a cada dia. Coisa que nada tem a ver com o governo, que pelo contrário, com toda a força de sua ignorância sobre qualquer tema, apenas incentiva os cidadãos a se tornarem independentes do estado.
Se este texto fosse guardado numa cápsula e somente aberto daqui a 100 anos eu aposto que quem o lesse iria concordar muito com o que aqui foi dito.
E talvez o usasse para contrapor às projeções de catástrofes vigentes no ano de 2110!
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Viralizar a fama instantânea na busca do pai da criança. Sinal dos tempos?

Karen, uma dinamarquesa que de fato se chama Bitte, de 29 anos, já está chegando a 20mil exibições de seu vídeo no You Tube – em inglês – onde busca o pai de seu filho gerado há um ano e meio quando o “pai” dele visitou Copenhagen e encontrou-se com ela num bar.
Atenção, a dinamarquesa da foto é apenas uma imagem captada via Google e tal como a personagem da história é fictícia!
O vídeo é muito simples. Karen falando diretamente para a câmara transmitindo dentre outras ideias que não era difícil ocorrerem coisas como estas entre visitantes e moças bonitas de sua cidade e como ela sequer podia lembrar de onde ela era, nem seu nome, nem qualquer outra informação relacionada a seu parceiro de poucas horas ela postava o vídeo para procurar o pai da criança.
O “case” passou a ser tema de sites interessados em analisar, até sob o ponto de vista de marketing, o novo comportamento dos jovens. Uns caindo de pau na louquinha e outros levando os leitores a verem tudo como coisa muito normal.
Num destes sites, americano, Get to the point , num post “You Lie” são contados mais detalhes da história inclusive com a identificação de Karen como Bitte, uma atriz dinamarquesa.
Enquanto isto do outro lado do mundo, ou quase, aqui em São Paulo, uma outra moça com um minivestido e formas voluptuosas foi forçada a deixar a sua faculdade de turismo, na Uniban,banida que foi da sala por seus colegas que a chamavam de vagabunda, para dizer o mínimo, pois ela estava demasiadamente atraente sob o ponto de vista sexual.
Nem os rapazes nem as moças podiam conviver com ela no mesmo ambiente sem que alguma coisa mais séria pudesse ser evitada do ponto de vista sexual.
Pelas fotos da paulistana, que não a mostram claramente, mas de perfil com o rosto esfumaçado, ela é bem mais atraente do que a Karen dinamarquesa, e teria todas as condições para obter mais espaço no You Tube com as suas desditas acessadas pelo mundo.
E talvez isto vá ocorrer se já não estiver ocorrendo.
O que nos leva a pensar, como gente de comunicação, como as coisas mudam depressa diante de nossos olhos na nossa sociedade tão aberta.
Enquanto pensava, antes de escrever este texto, me veio numa frase em latim que bem representa estas mudanças chocantes numa sociedade: O tempora o mores.
Que quer dizer “Oh tempos, oh costumes”, ou de forma mais livre: “Oh que novos tempos estes que permitem que novos costumes nos sejam impostos sem que façamos nada a respeito”.
Quem disse isto foi Cícero, que os alunos de direito quando o latim era matéria do vestibular, associam às catilinárias, em que Cícero perguntava ao senador Catilina até quando ele iria abusar da paciência dos romanos com suas desonestidades.
Isto ocorreu mais menos entre os anos 20 e 40 de nossa era.
Quase desisto de escrever este post diante da sua absoluta falta de originalidade, mas decidi escrevê-lo em seguida exatamente pelo mesmo motivo.
Porrada nas moças? Ou elas são apenas sinais do nosso tempo?
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sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Os e-books e os leitores offline. Bola de Cristal?
Há alguns anos recebi de presente um DVD com os 500 mais importantes livros já publicados no mundo em todos os tempos.
Fiquei fascinado pois na tela de meu computador tinha a meu dispor obras sobre filosofia, literatura, poesia, religião sem qualquer esforço maior do que um clic para abri-la.
Não mergulhei logo naquela minha nova biblioteca. Mas quando fiz isto no primeiro fim de semana mais folgado me surpreendi adorando o que lia e rapidamente me decepcionando com tanta fartura.
Difícil selecionar UM livro e dedicar a minha atenção TOTAL para as páginas que se sucediam na minha tela . Mais difícil era não cair na tentação de pesquisar os outros títulos para uma lida rápida enquanto dava uma pausa no primeiro título escolhido.
Confesso que pouco tempo depois da alegre descoberta guardei o meu presente precioso e só voltei a pensar nele ao escrever este texto hoje.
Este texto é sobre algo muito melhor do que os 500 livros num só lugar. É sobre os e-books e sobre a diferença que vão fazer em nossa vida.
O kindle foi inventado para dar ao leitor parte das sensações agradáveis que temos como leitores tradicionais de livros. O kindle pode ser lido na cama, no ônibus, no escritório de forma muito mais CÔMODA do que a mesma leitura feita num livro.
Não há o perigo do vento virar as páginas. De termos de pesquisar páginas mais ou menos onde achamos que paramos e deixamos de marcar enquanto vamos ao banheiro, ou beber um copo d'água.
Nele cabem uns 2000 livros, centenas de revistas e jornais atualizados a todo momento - isto nos EUA, naturalmente - e que já torna impossível compará-lo com o os meus 500 livros originais num DVD.
Na evolução do kindle não haverá mais espaço para dúvidas.
Ao sublinharmos qualquer linha será possível chegar às suas fontes, às fontes relacionadas com o tema abordado, aos livros que devam ser lidos para complementar o que se está lendo.
Será também possível acessar via dispositivo de leitura - seja o kindle , seja qualquer outro inventado ou a ser inventado - qualquer informação existente no universo sobre o tema abordado.
Hoje, numa supersimplificação pensada por mim para justificar o que vou dizer adiante, um navegador solitário num barquinho numa viagem de volta ao mundo não precisa de sextantes, nem de cronômetros, nem rádios para localizar-se em algum ponto aproximado de qualquer oceano. Ele simplesmente aperta o botão do GPS e obtem esta informação precisa instantaneamente. Como obtem na mesma tela a sua rota, os ventos,o tempo para chegar a qualquer outro ponto.E tudo o mais que queira.
Pergunto eu: terá o GPS extraído muito do componente de aventura dos navegadores solitários? Ou terá tornado esta tarefa mais acessível a todos os navegadores? Tem até uma menina de 13 anos autorizada pelos pais a fazer esta viagem até agora impedida pelos quixotes de plantão.
Pergunta exagerada? Então vamos lá: a numeração decimal em algarismos arábicos permitiu que qualquer pessoa fizesse contas, antes somente possíveis a sábios capacitados a lidar com ábacos e a registrar os seus passos, talvez em algarismos romanos. Teriam os algarismos arábicos diminuído os skills dos matemáticos ?
No caso dos e-books, ao contrário de minha reação contrária à leitura na tela, tenho tudo para crer que irão aumentar em muito a transferência de conhecimentos para nós mesmos e muito mais ainda para as gerações que vierem depois de nós.
Ninguém vai ficar menos culto, ninguém vai-se tornar mais preguiçoso, nem menos capaz de pesquisar qualquer coisa por abandonar aos poucos os tijolinhos de papel que nós tanto apreciamos.
Eles vão ser muito melhores do que nós. Se isto é pouco, digo mais: eles serão melhores do que os melhores de nós nos dias atuais.
Basta pensar um pouco, se você me permite oferecer esta sugestão.
Fiquei fascinado pois na tela de meu computador tinha a meu dispor obras sobre filosofia, literatura, poesia, religião sem qualquer esforço maior do que um clic para abri-la.
Não mergulhei logo naquela minha nova biblioteca. Mas quando fiz isto no primeiro fim de semana mais folgado me surpreendi adorando o que lia e rapidamente me decepcionando com tanta fartura.
Difícil selecionar UM livro e dedicar a minha atenção TOTAL para as páginas que se sucediam na minha tela . Mais difícil era não cair na tentação de pesquisar os outros títulos para uma lida rápida enquanto dava uma pausa no primeiro título escolhido.
Confesso que pouco tempo depois da alegre descoberta guardei o meu presente precioso e só voltei a pensar nele ao escrever este texto hoje.
Este texto é sobre algo muito melhor do que os 500 livros num só lugar. É sobre os e-books e sobre a diferença que vão fazer em nossa vida.
O kindle foi inventado para dar ao leitor parte das sensações agradáveis que temos como leitores tradicionais de livros. O kindle pode ser lido na cama, no ônibus, no escritório de forma muito mais CÔMODA do que a mesma leitura feita num livro.
Não há o perigo do vento virar as páginas. De termos de pesquisar páginas mais ou menos onde achamos que paramos e deixamos de marcar enquanto vamos ao banheiro, ou beber um copo d'água.
Nele cabem uns 2000 livros, centenas de revistas e jornais atualizados a todo momento - isto nos EUA, naturalmente - e que já torna impossível compará-lo com o os meus 500 livros originais num DVD.
Na evolução do kindle não haverá mais espaço para dúvidas.
Ao sublinharmos qualquer linha será possível chegar às suas fontes, às fontes relacionadas com o tema abordado, aos livros que devam ser lidos para complementar o que se está lendo.
Será também possível acessar via dispositivo de leitura - seja o kindle , seja qualquer outro inventado ou a ser inventado - qualquer informação existente no universo sobre o tema abordado.
Hoje, numa supersimplificação pensada por mim para justificar o que vou dizer adiante, um navegador solitário num barquinho numa viagem de volta ao mundo não precisa de sextantes, nem de cronômetros, nem rádios para localizar-se em algum ponto aproximado de qualquer oceano. Ele simplesmente aperta o botão do GPS e obtem esta informação precisa instantaneamente. Como obtem na mesma tela a sua rota, os ventos,o tempo para chegar a qualquer outro ponto.E tudo o mais que queira.
Pergunto eu: terá o GPS extraído muito do componente de aventura dos navegadores solitários? Ou terá tornado esta tarefa mais acessível a todos os navegadores? Tem até uma menina de 13 anos autorizada pelos pais a fazer esta viagem até agora impedida pelos quixotes de plantão.
Pergunta exagerada? Então vamos lá: a numeração decimal em algarismos arábicos permitiu que qualquer pessoa fizesse contas, antes somente possíveis a sábios capacitados a lidar com ábacos e a registrar os seus passos, talvez em algarismos romanos. Teriam os algarismos arábicos diminuído os skills dos matemáticos ?
No caso dos e-books, ao contrário de minha reação contrária à leitura na tela, tenho tudo para crer que irão aumentar em muito a transferência de conhecimentos para nós mesmos e muito mais ainda para as gerações que vierem depois de nós.
Ninguém vai ficar menos culto, ninguém vai-se tornar mais preguiçoso, nem menos capaz de pesquisar qualquer coisa por abandonar aos poucos os tijolinhos de papel que nós tanto apreciamos.
Eles vão ser muito melhores do que nós. Se isto é pouco, digo mais: eles serão melhores do que os melhores de nós nos dias atuais.
Basta pensar um pouco, se você me permite oferecer esta sugestão.
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Como e por que você compra alguma coisa ... e como será o seu futuro!!!
Estou diante de um desafio merecedor - se ainda estivesse ativo - de uma consulta ao oráculo de Delfos. Que aliás não era UM oráculo, mas uma porção de mocinhas inspiradas e bem tratadas meio alucinadas por umas emanações gasosas saídas de umas fendas no chão.
O meu desafio atual é falar por 40 minutos sobre como a Internet e as mídias on line vão afetar as vendas de um determinado produto.
Mas, de certa forma, o que vou sugerir deverá ser válido para TODOS os produtos vendidos ontem sem a Internet e cada vez mais vendidos hoje com Internet também.
Sempre que sou levado a prever o futuro lembro de uma das milhares de frases de Mark Twain sobre praticamente qualquer assunto, sendo esta sobre o problema de fazer previsões, "especialmente sobre o futuro...".
Mas, tudo me leva a ter certeza de que o futuro nos levará cada vez mais para este lugar em que estou agora - diante de uma tela de computador fazendo mais e mais coisas, inclusive a BUSCAR o que poderia pensar em comprar.
Imagine-se numa rua bem movimentada numa grande cidade no início do século XX engarrafada com veículos puxados por cavalos assustados por vezes por uns poucos automóveis com motores a explosão.
Você seria capaz de NAQUELA OCASIÃO de dizer que aquela cavalhada, aquelas carruagens, aquela maneira de se movimentar em poucos anos seria abandonada. Que aquelas cocheiras, aqueles condutores, toda aquelas coisas seriam varridas do mapa pelos barulhentos automóveis?
O que se verifica - na história de nossas vidas - é que mesmo quando somos testemunhas oculares de alguma coisa dificilmente naquela ocasião somos capazes de PREVER consequências do que temos diante de nós.
Com a Internet isto não está acontecendo desta forma. Na Rocinha - grande favela do Rio de Janeiro - há mais de 100 lan houses. Nenhum jovem da Rocinha precisa que alguém lhe diga que o mundo - via Internet - vai mudar o seu futuro. Ele nem sabe que futuro é este. Ele sabe que o presente dele muda todos os dias.
Portanto não há previsor de plantão que não assegure que o futuro, dia-a-dia, vai entrar em nossas vidas pela Internet.
Mas, quanto ao futuro das vendas? Vender produtos foi o primeiro passo para que os nossos antepassados primatas de várias tribos, formassem a nossa civilização.
Para vender era preciso produzir a mais, entregar, receber algo em troca, garantir que esta operação podia ser feita sem precisar matar ninguém, estabelecer regras, leis, etc.
Hoje com todas as nossas invenções a compra de qualquer coisa que possa ser vendida passa ou deveria passar pela Internet.
Mas a Internet não é somente a mesma coisa que havia antes somente que muito mais rápida.
Todas as insuperáveis vantagens que a Internet propicia somente podem ser vistas como insuperáveis vantagens se forem usadas. E uma das maiores vantagens ao alcance de todos nós é agirmos , ou vendermos ou comprarmos , conforme os nossos mais profundos interesses.
O controle remoto da TV nas mãos de um telespectador ativo é o inferno dos publicitários. Diante do intervalo no programa ele pode emudecer a imagem, ou levá-lo a outros programas. Nosso interesse está no programa e não necessariamente nos comerciais que financiam a sua produção.
No entanto, vejam só, uma produtora de cosméticos consegue vender com mais eficiência seus produtos quando eles são integrados - demonstrados e valorizados - como enredo de novelas.
São os novos "automóveis" aparecendo aqui e ali , entre os veículos puxados por cavalos...
A boa notícia para todos os que vendam alguma coisa é que vão vender cada vez mais e cada vez mais precisamente com o apoio na Internet. O custo de cada venda vai ser menor.
A má notícia, se ter de adquirir uma nova habilidade seja ruim, é que você e todos nós teremos de deixar de lado nossas carruagens e aprender a dirigir automóveis cada vez mais rápidos.
À propósito, no templo do Oráculo de Delfos que era procurado por gente de toda a terra havia uma frase gravada no seu portal. Uma frase que poderia ser interpretada como a solução caseira que poderia poupar a viagem, os gastos e os esforços dos visitantes:
Conhece-te a ti mesmo.
É exatamente o que você, eu e todos estes 6 bilhões de pessoas na Terra tem de tratar de fazer urgente. E agora tornada muito mais fácil pela Internet. Pergunte a qualquer um dos frequentadores das lan houses da Rocinha...
O meu desafio atual é falar por 40 minutos sobre como a Internet e as mídias on line vão afetar as vendas de um determinado produto.
Mas, de certa forma, o que vou sugerir deverá ser válido para TODOS os produtos vendidos ontem sem a Internet e cada vez mais vendidos hoje com Internet também.
Sempre que sou levado a prever o futuro lembro de uma das milhares de frases de Mark Twain sobre praticamente qualquer assunto, sendo esta sobre o problema de fazer previsões, "especialmente sobre o futuro...".
Mas, tudo me leva a ter certeza de que o futuro nos levará cada vez mais para este lugar em que estou agora - diante de uma tela de computador fazendo mais e mais coisas, inclusive a BUSCAR o que poderia pensar em comprar.
Imagine-se numa rua bem movimentada numa grande cidade no início do século XX engarrafada com veículos puxados por cavalos assustados por vezes por uns poucos automóveis com motores a explosão.
Você seria capaz de NAQUELA OCASIÃO de dizer que aquela cavalhada, aquelas carruagens, aquela maneira de se movimentar em poucos anos seria abandonada. Que aquelas cocheiras, aqueles condutores, toda aquelas coisas seriam varridas do mapa pelos barulhentos automóveis?
O que se verifica - na história de nossas vidas - é que mesmo quando somos testemunhas oculares de alguma coisa dificilmente naquela ocasião somos capazes de PREVER consequências do que temos diante de nós.
Com a Internet isto não está acontecendo desta forma. Na Rocinha - grande favela do Rio de Janeiro - há mais de 100 lan houses. Nenhum jovem da Rocinha precisa que alguém lhe diga que o mundo - via Internet - vai mudar o seu futuro. Ele nem sabe que futuro é este. Ele sabe que o presente dele muda todos os dias.
Portanto não há previsor de plantão que não assegure que o futuro, dia-a-dia, vai entrar em nossas vidas pela Internet.
Mas, quanto ao futuro das vendas? Vender produtos foi o primeiro passo para que os nossos antepassados primatas de várias tribos, formassem a nossa civilização.
Para vender era preciso produzir a mais, entregar, receber algo em troca, garantir que esta operação podia ser feita sem precisar matar ninguém, estabelecer regras, leis, etc.
Hoje com todas as nossas invenções a compra de qualquer coisa que possa ser vendida passa ou deveria passar pela Internet.
Mas a Internet não é somente a mesma coisa que havia antes somente que muito mais rápida.
Todas as insuperáveis vantagens que a Internet propicia somente podem ser vistas como insuperáveis vantagens se forem usadas. E uma das maiores vantagens ao alcance de todos nós é agirmos , ou vendermos ou comprarmos , conforme os nossos mais profundos interesses.
O controle remoto da TV nas mãos de um telespectador ativo é o inferno dos publicitários. Diante do intervalo no programa ele pode emudecer a imagem, ou levá-lo a outros programas. Nosso interesse está no programa e não necessariamente nos comerciais que financiam a sua produção.
No entanto, vejam só, uma produtora de cosméticos consegue vender com mais eficiência seus produtos quando eles são integrados - demonstrados e valorizados - como enredo de novelas.
São os novos "automóveis" aparecendo aqui e ali , entre os veículos puxados por cavalos...
A boa notícia para todos os que vendam alguma coisa é que vão vender cada vez mais e cada vez mais precisamente com o apoio na Internet. O custo de cada venda vai ser menor.
A má notícia, se ter de adquirir uma nova habilidade seja ruim, é que você e todos nós teremos de deixar de lado nossas carruagens e aprender a dirigir automóveis cada vez mais rápidos.
À propósito, no templo do Oráculo de Delfos que era procurado por gente de toda a terra havia uma frase gravada no seu portal. Uma frase que poderia ser interpretada como a solução caseira que poderia poupar a viagem, os gastos e os esforços dos visitantes:
Conhece-te a ti mesmo.
É exatamente o que você, eu e todos estes 6 bilhões de pessoas na Terra tem de tratar de fazer urgente. E agora tornada muito mais fácil pela Internet. Pergunte a qualquer um dos frequentadores das lan houses da Rocinha...
sexta-feira, 12 de setembro de 2008
Interatividade ou nada...
Quando foi popularizada a televisão nos anos 50 havia muitos que diziam ter chegado o fim do rádio,o fim do cinema, o fim do teatro. Nada disto aconteceu, mas o rádio, o cinema e o teatro mudaram bastante ao longo destes 60 anos.
Com a Internet novamente os oráculos do futuro simplificado - onde a catástrofe sempre atrai mais atenção do que a evolução harmoniosa - antecipavam o fim da comunicação tal como era e ainda é feita na maior parte das vezes.
Não se precisa ser "oráculo do bem" para dizer com certeza que no futuro :
nº 1 as modificações derivadas da comunicação on line vão mudar a forma de nos comunicarmos e
nº2 o resto do mundo não vai acabar, vai modificar-se da mesma forma como se modificaram o teatro, o cinema e o rádio com o sucesso da televisão.
Ora, para dizer isto para que usar o blog?
Para informar aos leitores que quem resistir às mudanças na área virtual - e portanto, quem não está já adiantado nesta área - vai ter pouco a fazer em comunicação nos próximos anos.
Três conselhos. Aquilo que Tales de Mileto já considerava a coisa mais fácil do mundo há 2600 anos.
1. Procure com o empenho de um garimpeiro em busca de pepitas de ouro os parceiros mais confiáveis para desenvolver esta sua nova face.
2. Mesmo que você não tenha aprendido TUDO sobre o tema, trate de fazer alguma coisa, JÁ. Não há o que não possa ser aprendido e modificado rapidamente, pois os custos de "estar no ar" são infinitamente menores do que os que você incorria ao utilizar-se das mídias tradicionais.
3.Trate de ser SURPREENDENTEMENTE RELEVANTE no que for fazer.
Com a Internet novamente os oráculos do futuro simplificado - onde a catástrofe sempre atrai mais atenção do que a evolução harmoniosa - antecipavam o fim da comunicação tal como era e ainda é feita na maior parte das vezes.
Não se precisa ser "oráculo do bem" para dizer com certeza que no futuro :
nº 1 as modificações derivadas da comunicação on line vão mudar a forma de nos comunicarmos e
nº2 o resto do mundo não vai acabar, vai modificar-se da mesma forma como se modificaram o teatro, o cinema e o rádio com o sucesso da televisão.
Ora, para dizer isto para que usar o blog?
Para informar aos leitores que quem resistir às mudanças na área virtual - e portanto, quem não está já adiantado nesta área - vai ter pouco a fazer em comunicação nos próximos anos.
Três conselhos. Aquilo que Tales de Mileto já considerava a coisa mais fácil do mundo há 2600 anos.
1. Procure com o empenho de um garimpeiro em busca de pepitas de ouro os parceiros mais confiáveis para desenvolver esta sua nova face.
2. Mesmo que você não tenha aprendido TUDO sobre o tema, trate de fazer alguma coisa, JÁ. Não há o que não possa ser aprendido e modificado rapidamente, pois os custos de "estar no ar" são infinitamente menores do que os que você incorria ao utilizar-se das mídias tradicionais.
3.Trate de ser SURPREENDENTEMENTE RELEVANTE no que for fazer.
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