quarta-feira, 2 de março de 2011

Os males e as vantagens do Google para quem escreve




Eintein disse um dia que a imaginação era mais importante do que o conhecimento.



Até há algum tempo o texto não relacionado à vida acadêmica podia conter imprecisões diversas sem que isto o tornasse uma completa bobagem.

Esta imprecisão endêmica era perfeitamente visível nas cartas de leitores aos jornais.

A pessoa se dispunha a opinar sobre alguma notícia e "compreensívelmente" errava nas suas citações , pois todos sabiam que aquele leitor não era um jornalista.

Portanto podia deixar de lado estes cuidados com a precisão.

Todos imaginavam que os jornalistas contam sempre com os departamentos de pesquisa dos jornais, de arquivos imensos onde vivem todas as informações do mundo.

Com o Google - também com os outros mecanismos de busca - isto mudou.

Se um leitor de jornal se deixa levar pela retórica do bebedor de chopp no botequim, quando acusa uma pessoa por ter feito ou deixado de fazer alguma coisa em tal data tem chance de errar de ponta a ponta e caracterizar-se como um idiota verboso.

E ainda há uma quantidade imensa destes idiotas verbosos que independem de sua capacidade de conviver com as verdades registradas. E combate nos seus escritos "as verdades" que na sua imaginação - ou ideologia - constituem-se, estas sim, em inverdades indiscutíveis.

Tal como achar (mais ainda ter certeza e fé) que o Fidel e seu irmão são benfeitores da humanidade, em Cuba, como Kadaphi se acha ainda hoje o benfeitor do povo na Líbia,que estaria disposto a morrer por ele.

Ora, o Google pode até permitir e endossar bobagens muito repetidas a ponto de parecerem verdades, mas o pesquisador esperto - que souber usar as facilidades que tem ao alcance de seus dedos - vai encontrar a verdade por baixo das informações incoerentes sobre o que estiver buscando.

Falo isto porque me senti meio vigarista hoje quando me dei conta de que muito do que tenho escrito nestes últimos tempos tem sido depurado em pesquisas no Google.

Uma informação que somente em poucos momentos reconheci nos meus textos.

Poderia estar me fazendo de muito culto, de muito bem informado, e o pior , de pessoa completamente competente no tema abordado, sem margens para erro, pois o meu texto dizia tudo o que precisava ser dito sobre o tema.

Daí a minha dúvida explicitada no título acima.

Qualquer pessoa alfabetizada , e quanto mais alfabetizada melhor (em inglês, francês, italiano, alemão, italiano, grego, russo, japonês, javanês, escolha você qualquer língua) será capaz de se tornar numa fonte de sabedoria que nunca na história deste planeta alguém poderia imaginar que pudesse existir.

E parecer que ficou assin por favorecimento divino. Ou por ter recebido este dom de conhecimento universal nas boas escolas que frequentou , na sua magnífica família, nas empresas ou örganizações em que trabalhou, e assim por diante.

Na verdade, se você tiver de escrever sobre qualquer tema, em qualquer língua que você conheça regularmente, só não será capaz de fazer isto se não tiver disposição para fazê-lo.

Este é o lado mau do ponto de vista ético do acesso total às fontes que permitirão você escrever sobre o que quiser. Pois o seu texto estará à prova de quaisquer críticas referentes à precisão dos dados.

Ora, qual seria então o mérito de poder escrever, ou de escrever, qualquer texto?

Faça um teste com você mesmo.

Imagine um tema de que você não entenda nada e escreva um artigo sobre ele.

Coisa secreta, só para você ler.

Pode ter a certeza de que ao fim de seu trabalho você estará se sentindo capaz de escrever sobre qualquer coisa.

E no entanto, e aqui vou expor o lado das vantagens do Google, você não será capaz de escrever coisa alguma que valha a pena de ser lido.

Há umas boas décadas ouvi numa conferência sobre marketing nos EUA que a escala desejável de preparação de um profissional - na era pré-Internet - passava por quatro estágios ou quatro passos:

1. A coleta de dados
2. A transformação dos dados em informação
3. A transformação da informação em conhecimentoa
4. A evolucao da connhecimento em sabedoria para a resolução de problemas.

As pesquisas feitas com o suporte do Google e de todas as ferramentas de busca são uma fonte inesgotável e constantemente renovadas de dados, e de informações.

Mas requerem a inteligência pessoal para evoluir daí para a sabedoria.

Desde a bobagem do super computador nos EUA perder para dois humanos ao responder perguntas do tipo o que é tal coisa por que não conseguiu deduzir se Paris Hilton era uma mulher ou um hotel.

A síndrome do Paris Hilton hotel ou da Paris Hilton devassa não é ainda percebido nos mecanismos de busca por mais sofisticados que sejam, como por exemplo no computador preparado para superar os humanos espertos.

Portanto o veredito do Pio é francamente favorável às pesquisas que apoiam textos, mesmo quando o autor não dá crédito às pesquisas no Google para apoiar o que esteja dizendo.

Numa explicação simplista: ninguém diz que está escrevendo algo em português por saber português, pois isto é o óbvio ululante. É a premissa não explicitada pois a sua própria existência é auto explicativa.

Num texto em que você leia algo e deseje saber mais sobre qualquer coisa que ali está sendo dita em alguma de suas partes, de seus parágrafos, a coisa mais simples a fazer é selecionar as palavras, copiar as palavras, ou as frases, colar o texto todo no Google e esperar os microsegundos enquanto o texto suspeito apareça (ou não) em seu contexto original.

Hoje mesmo, 2 de março de 2011, um ministro alemão valorizadíssimo pela Angela Merkel, pediu demissão do seu cargo ao ter o seu doutorado, já antigo, cassado pela universidade onde o adquiriu quando alguém , fazendo este tipo de pesquisa, descobriu que ele chupou a sua tese de fontes não mencionadas.

Só por este tipo de cassação o Google já mereceria um lugar de destaque ä direita de Deus pai todo poderoso...

A grande virtude de quem se empenhe em escrever algo que tenha sentido é o uso de sua capacidade de gerar e usar sabedoria ao galgar os degraus na sua escala de conhecimentos..

Será que alguém já disse isto?

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Melanie Philips, a voz racional sobre este imenso desafio do Oriente Médio: judeus têm direito de viverem em Israel?





Os não judeus, e ainda os não muito preocupados com as políticas relacionadas à humanidade como um todo, assim como os mais cínicos, os menos informados todos, de um modo ou de outro, acabam por se depararem com o problema de Judeus e Palestinos.

Seja pelas razões mais simples , como temerem fazer turismo na área, com receio de atentados, seja por motivos mais fortes e mais diretos como quando conversam com amigos judeus sobre o tema.

Não é possível que posto diante deste problema alguém possa ficar indiferente.

Uma intelectual inglêsa, Melanie Philips, deu uma entrevista de 6 minutos e que está disponível no You Tube ( http://www.youtube.com/watch?v=_4dksiRW-Yg&feature=youtube_gdata_player ) que me levou a compartilhar com os amigos do Almanaque umas poucas observações sobre este tema.

Não é possível esgotar o tema, mesmo nos blogões que escrevo. Garanto porém que você vai sentir-se melhor depois de ler, e depois de pensar no que leu aqui.

Em primeiro lugar, vou ao ponto principal deste debate todo: teriam os judeus direito de imigrar para a Palestina e tomarem uma terra de onde foram expulsos por volta do ano 60 d.C.?

Mais ainda, porque a ONU "inventou" esta história depois da Segunda Guerra Mundial logo em seguida ao holocausto promovido pelos nazistas?

Ora, se era mesmo preciso reunir os judeus em algum lugar. porque não consideraram outras partes da Terra?


Você poderá concluir se se despir de todos os preconceitos - que este não é apenas um problema no Oriente Médio entre judeus e palestinos.

É a própria grande confrontação entre o que é certo com o que é errado, diante de você.

Por trás desta história está a essência da verdade, a definição do que seja justiça e a necessidade de não ignorarmos problemas esperando que estes problemas sejam resolvidos pelos outros, nos deixando viver com mais tranquilidade.

Judeus são um povo muito peculiar. Muita gente gosta deles, muitas outras pessoas os detestam. Mas o que os judeus fazem ou deixam de fazer é o que lhes permitiu continuarem sendo judeus há tantos milênios.

Os judeus mais antigos viveram num canto do Mediterrâneo que tornou-se no berço de pelo menos três civilizações, numa terra de filófosos ( que influenciam o que você pensa e faz hoje) e ainda mais profundamente numa privilegiada "base de operações" no relacionamento dos homens com Deus.

Seja Deus o que os homens da região achavam que Deus era ou deveria ser , seja por que Deus mesmo, decidiu dar uma atenção mais detalhada às pessoas daquele pedaço da Terra.

Deu certo este início de relacionamento, mas, gerou grande parte dos problemas passados, presentes e futuros da humanidade. E também a solução destes problemas.

Mesmo quando as pessoas hoje não se declarem ligados a nenhuma igreja é incrível que durante algum momento de seus dias, de todos os seus dias,fazerem uma oração quase despercebida sempre que algo de positivo ocorre em suas vidas.

Trata-se do "Graças a Deus!" Graças são o reconhecimento dos devotos à atenção que Deus, por sua própria disposição ou como resposta às preces dos devotos, optou por conceder-lhes.

O que aconteceu de bom não é nunca atribuído pelas pessoas ao acaso. Em ato reflexo, esta vantagem obtida, desde um bom lugar no cinema, à classificação em um concurso público é atribuída a Deus a quem o favorecido imediatamente agradece.

Os mais devotos, ao ouvirem um "Graças a Deus!" respondem automaticamente "Amem!, completando uma oração.

Este Deus a que todos dão graças, ou a que pedem socorro quando se vêem ameaçados (Que Deus me ajude! Pelo amor de Deus! e outras expressões semelhantes) não é outro senão o mesmo que repassou a Moisés os seus 10 mandamentos.

Não foram mandamentos simplemente repassados para Moisés; foram mandamentos que através de Moisés foram integrados à forma de organizar as sociedades de todos os homens e mulheres, harmonizando os seus interesses acima e além de todas as Leis dos homens. Pois nenhuma lei escapa de ter sido pautada nos preceitos expostos nos
10 mandamentos.

Mas, indo além de forma a comprovar a sua força, as Leis do Deus de Moisés e de Israel não requerem um fiscal ou um policial para serem obedecidas: elas têm na mente de cada cidadão do mundo o mais rigoroso guardião de seus prícípios...

Uma pessoa que ocultamente deixe de cumprir algum mandamento, quando tem a sua infidelidade descoberta, recebe a desaprovação imediata de todos.

Contra ele (ou ela) não são alinhados artigos de Códigos Penais, ou de qualquer código humano.

A desaprovação decorre da certeza de que se trata de alguém desalmado.

Um conceito que não aparece em códigos legais. Almas não fazem parte de qualquer preceito legal. Mas estão no âmago dos preceitos religiosos trazidos ao mundo justamente pelo Deus de Israel.

Há poucos dias, em outro blog, (Tabus Nunca Mais), propus um reexame das bases da mitologia grega e de seu sucesso disfarçado nos dias de hoje.

Os deuses gregos - naquelas observações - têm os seus mesmos antigos poderes evidenciados de forma disfarçada no dia-a-dia de todos nós, em especial em lugares como os shoppings centers, a mais sábia formatação de seus templos em qualquer momento da história.

Mas, depois de ter assisitido ontem a entrevista de Melanie Philips, enviada pelo Ike Zarmati, decidi deixar de lado a divertida avaliação dos deuses reconhecidos pelos povos nas margens do Mediterrâneo e tocar nesta questão de vida ou morte para tanta gente, e talvez para nós aqui tão longe do Oriente Médio.

A questão é se os judeus e todos os povos mediterrânicos que o consideram como também seu Deus terão qualquer privilégio imerecido em sua luta pela manutenção do estado de Israel, agora.

À pergunta inicial deste texto adianto a minha resposta: os judeus têm direito de voltar às terras de Israel e

E conquistaram este direito não depois da segunda guerra mundial,como pode parecer a muitas pessoas, mas em todos os dias, e todos os séculos desde que foram expulsos de lá.


Judeus, como todos que negociam com judeus sabem, são pessoas insistentes, radicais na defesa de suas idéias.

Judeus numa discussão sabem ser cansativos para o adversário. A dúvida socrática, de responder a uma pegunta com outra pergunta, se não foi um artifício inventado pelos judeus foi por eles levado à perfeição.

- Você é ou não culpado deste crime?

- O que você considera culpa? E o que para você é um crime?


Isto feito para valer, sem piscar os olhos, e mantido com precisão a cada nova frase pode levar o adversário à loucura ou induzi-lo a eliminar fisicamente o seu torturador pela lógica.

Esta insistência vem do mesmo poço de onde os pensadores judeus beberam todos os dias a inspiração para levá-los de volta à sua terra original.

Se você tem uma fazenda e é expulso de lá, vai tentar por todos os meios e modos voltar a ela. Durante um ano, dois anos, uma década, cinco décadas. Talvez transmita o mesmo empenho a seus filhos e os seus filhos poderão tentar transmitir a mesma intenção a seus filhos e netos.

Os judeus ficaram fazendo este apelo a todos os seus descendentes por quase 2 000 anos.

Para a imensa maioria das pessoas do mundo esta "ocupação" das terras de Israel foi justificada, depois da Segunda Guerra Mundial, para abrigar um povo cujos descendentes foram liquidados da forma abjeta pelos nazistas em fornos crematórios de campos de concentração em diversos locais da Europa.

Parecia uma solução bem urdida sob medida para um problema recente.

Um fato público, notório e intensamente divulgado com fotografias, filmes e depoimentos emocionantes tornou indiscutível que o retorno a Israel era mesmo necessário. Se este retorno tivesse ocorrido nos anos 30 do século XX teriam sido talvez poupadas 6 milhões de vidas e o mundo seria melhor.

O novo Israel, de 1947 até agora, tem enfrentado uma violenta oposição dos palestinos - que ocupavam aquelas terras - e dos seus primos árabes mussulmanos.

Desde do retorno dos judeus a Israel não têm ocorrido novos grandes fatos para justificar emocionalmente a sua volta. Os pobrezinhos espezinhados e mortos nos fornos não conseguiram produzis - graças a Deus - nenhum outro grande fato traumático e emocionante.

Em 1967, em pleno feriado do Yon Kippur ( quando os judeus estão recolhidos em preces e em jejum) as forças armadas de Israel derrotaram em 6 dias, tropas egípcias que se preparavam para reocuparem as terras do estado de Israel.

Os judeus que poucos anos antes foram tangidos pelos nazistas para os fornos crematórios pela primeira vez demonstraram a sua força militar destruindo os inimigos numa operação muito mais eficaz e eficiente do que a blitzgrieg dos alemães, em 1940 na Europa.

O número de baixas dos judeus foi insignificante. Suas perdas materiais mínimas, enquanto as perdas dos inimigos foram TOTAIS.

Esta vitória foi muito boa para Israel e para o orgulho dos judeus, mas foi a origem de uma catástrofe de "relações públicas".

A teimosia dos judeus que sempre consideraram retornar a Sion com muita humildade depois de serem escorraçados de muitos países, passou a envergar fardamento militar com tropas eficientes e "invencíveis" diante de seus inimigos.

Os judeus deixaram de ser dignos de pena e passaram a ser temidos por seu poderio militar e pela forma como o empregaram.

E os principais culpados de ter deixado de lado esta missão de comunicar ao mundo as suas necessidade e anseios foram justamente os judeus. Todos os judeus, para que não haja dúvidas.

Justamente os judeus que transformaram os 10 mandamentos transmitidos por Deus a Moisés - através do primeiro grande esforço de comunicação global - em preceitos universais.

Justamente eles que tiveram entre seus filhos Jesus, que por meio de seus apóstolos tornou a religião antiga de uns poucos na religião mais praticada pela maioria dos outros povos da Terra.

Justamente eles cansaram-se de defender suas razões históricas e passaram a imitar todos os seus inimigos ao longo da história, apoiados unicamente pela força das suas armas.

Todos os povos que recorrem a este tipo de argumento - para quem observa a história com mais atenção - acaba perdendo as guerras. Judeus derrotados no ano 60 sem dispararerm um tiro continuaram a existir e voltaram para lá formalmente em 1947.

Todos os seus opositores armados foram desaparecendo ao longo da história.

Ora, o mundo que se dane e aprenda como a coisa deva ser, poderia ser a declaração arrogante de um chefe militar judeu durante alguns anos, mas ela somente poderá ser repetida por mais alguns anos, com perdas de muitas vidas, de muitas inteligências.

Os povos de toda a terra estão em busca de paz e de convivência harmoniosa entre as nações. Um sonho divino, que todos buscam.

Acredito que se hoje fosse promovido um plebiscito mundial quanto à ocupação das terras de Israel por Palestinos ou Judeus os judeus perderiam fragorosamente.

Este não é como pode parecer um problema de JUDEUS E PALESTINOS. É um problema de nós todos.

Faça o seu comentário a favor dos judeus ou contra eles a seguir e tome parte neste confronto em que a maior derrotada poderá ser a sua própria consciência.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O maior desafio já colocado diante da humanidade

O Malthusianismo é a teoria meio apavorante originada por Malthus de que a população da Terra estava crescendo mais do que a capacidade dos campos produzirem alimentos. E que mais cedo ou mais tarde a fome generalizada iria afetar a toda a população.

Malthus tinha certeza de que enquanto a população crescia geometricamente a capacidade de produzir alimentos, mesmo com a abertura das novas terras da América - ele não citou a África - não haveria condições de alimentar adequadamente as pessoas.

Em consequência disto a humanidade teria de dedicar-se a guerras intensas, a contar com epidemias descontroladas para manter viva e sadia a "tripulação" da nave terra.

Propunha dentre outras coisas que o casamento fosse adiado, que o número de filhos fosse limitado, enfim que o estado interferisse rapidamente na vida dos cidadão sob pena de tudo ir para o vinagre.

Detalhe muito importante: Malthus disse isto tudo em 1798!

O Malthusianismo foi o meu primeiro susto em relação a meu futuro quando jovem.

Depois, o crescimento do mundo e do Brasil ao longo do século 20 tornaram Malthus um bicho papão menor, pois, dentre outras coisas, os defensivos agrícolas asseguraram um crescimento também geométrico na produção de grãos.

A Índia, por exemplo, que convivia nos anos 40 com a fome registrada nos "jornais cinematográficos", antes da televisão graças a coisas simples e danosas ao meio ambiente como o DDT tornou-se exportadora de grãos.

No Brasil gigantesco cujas terras ainda têm o potencial de produzir alimentos para nós todos e para o mundo, o Malthusianismo deixou as manchetes.

O Malthusianismo Ganhou outra cara, muito mais apavorante

A mesma ciência que tornou os campos mais férteis e pelos mesmos motivos tornou a população mais idosa.

E toda a matemática para assegurar o sustento dos mais velhos através de mecanismos de previdência social (tenha o nome que tenha nos vários países) está diante de uma agonia anunciada.

Na Europa, em que o índice de natalidade já é negativc - nascem menos pessoas a cada ano para substituir os vivos - não há condições mais de se ter 4 trabalhadores ativos pagando a algum órgão governamenntal para garantir o pagamento mensal para um aposentado.

Quatro em atividade pagam para um aposentado poder viver.

Todo este caos europeu - evidenciado na Grécia e espalhado na França, Inglaterra, Itália, Espanha, Portugal e qualquer país que lá faça as suas contas vai se tornar mais intenso nos próximos anos.

Daí o alerta deste post. Imagine vir a ser escolhido presidente ou dirigente de país em meio a esta confusão crescente?

Não vejo mais espaço para demagogias eleitoreiras em qualquer parte do mundo. O Brasil que está - independente de quem o governe - muito melhor do que 90% do resto do mundo não pode assegurar esta vantagem por muito tempo diante de um mundo carente e famélico.

Portanto temos de dar muito mais atenção a estes problemnas do que temos dado até aqui.

E quem tem de fazer isto somos todos nós, levando aos eleitos a pensar seriamente neste problema.

A teoria de que no fim tudo dá certo, e se não seu certo é porque não chegou ao fim, vai ter de ser reestudada e não só pelos nossos dirigentes, mas por eles em sintonia com todos os outros do mundo, e depressa.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O que desejo a você neste fim de ano é exatamente o que desejo para mim sempre... E acho que vale o esforço da leitura do texto a seguir.



Esta mensagem só foi escrita por mim mas representa o que o casal da foto acima tem a dizer a todos os nossos amigos, hoje, véspera de Natal de 2010.

Você amiga e amigo está recebendo uma infinidade de votos sinceros para que tenha um bom Natal e seja capaz de grandes realizações em 2011.

Algumas destas mensagens são curtinhas, outras mais longas, mas todas elas contem doses de amor verdadeiro que me emocionam.

Hoje, dia 24 de dezembro, pensei (ou repensei) mais na força destes votos e aqui no facebook estou ousando explicar os meus votos.

Sei bem da definição do chato ser a pessoa que ao ser perguntada: Como Vai?, Explica, para o completo tédio de quem perguntou. Mas, vou arriscar mesmo assim...

Desejo hoje a você é que aja diante de você mesmo com o cuidado sincero e crescente de gostar cada vez mais de você mesmo.

Isto não tem nada a ver com egoísmo, ou soberba.

Conclui que a única forma de você ser feliz e compartilhar a sua felicidade com os nossos companheiros de viagem na vida é esta busca contínua do orgulho do que você mesmo faz.

Tanto nos grandes gestos quanto nas menores coisas que faça.

Não se trata apenas de gestos e atitudes para revelar aos outros.

É para você diante de você mesmo.

Pois, a única pessoa, o único juiz a que você pode submeter o que faz ou deixa de fazer é você mesmo. E não a ninguém mais.

Em 2011 vou completar um número de anos que me permite dizer ter visto muita coisa e ter conhecido milhares de pessoas cujas vidas se relacionaram e se relacionam com a minha vida e com a vida das pessoas de quem gosto.

Garanto que se houvesse um medidor de felicidade os mais felizes têm sido sempre os que respeitam a si próprios e inoculam (até sem querer) este vírus nas pessoas a sua volta.

Elas são exatamente as pessoas que conheço e conheci que ajudam a fazer o mundo melhor.

Desejo que você, (assim como todos) façamos o download de um programinha pessoal – pois acho que todos já temos um sem dar muita atenção a ele – para nos assegurar a coerência em relação ao que fazemos ou pretendamos fazer.

Vida é antes de tudo relacionamento.

E Relacionamento é um via de duas mãos, se não for de muito mais mãos. Só se consegue manter um relacionamento quando estamos com disposição de estabelecer relacionamentos uns com os outros.

Tenho dito, quando dou aulas para estudantes de comunicação, que nesta nossa atividade é preciso como o primeiro passo gostar de gente, pois só assim podemos realizar coisas boas.

Na verdade quando digo estas coisas a eles estou tentando semear em suas cabeças o que vejo como a melhor forma de conduzir as suas vidas. Qualquer vida.

Tales de Mileto, que viveu há 2 600 anos, continua sendo um exemplo de sabedoria para todos nós. E para mim todos os dias.

Ele - que foi considerado o primeiro dos sábios da Grécia - teria em relação ao que estou dizendo nesta mensagem um juízo muito simples: a coisa mais fácil do mundo é dar conselhos.

O que era uma verdade incontestável em Mileto, na Grécia antiga é ainda mais verdade hoje e sempre. Garanto.

Tales teve também de dizer o que ele – que considerava dar conselhos a coisa mais fácil - qual seria a coisa mais difícil do mundo.

E ele disse: conhecer a si mesmo.

Só quem pode conhecer a si mesmo somos nós, os únicos com o privilégio de vivermos todo o tempo de nossa vida conosco mesmos.

Temos a missão (a obrigação) de tornar esta convivência fonte de prazeres e orgulhos e realizações que somente nós mesmos podemos ver.

Por isto desejo a você amiga e amigo que na busca deste conhecimento cada vez e cada dia você goste mais de você.

E tenha motivos para isto que só você sabe serem verdadeiros.

Estes são os votos com todo o carinho do Luiz Roberto – para os que me chamam assim e do Pio Borges como acabei sendo reconhecido por muitos outros amigos.

Se já trabalho sendo um, imagine meu esforço para sermos dois!!!

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ser ou não ser é apenas o começo. Pensar ou não pensar é muito mais desafiador

A atuação de Hitler como o pior dos demônios ao vivo da humanidade não pode ter qualquer justificativa. Mas, confesso que durante toda a minha vida adulta jamais fui capaz de entender ter sido ele eleito e reeleito pelo povo alemão.

Não só ele. Mussolini, na Itália e Hirohito, imperador do Japão estavam em seus postos legalmente. Não eram usurpadores.

O que isto pode nos ensinar, o que isto pode nos levar a pensar...

Durante toda a minha vida - iniciada quando estávamos na Segunda Guerra Mundial - os nazistas, os fascistas e os imperialistas japoneses me intrigaram.

Não quando eu era um menino "integrado" nas forças aliadas com a sanha de acabar com eles todos. Meu pai era do Exército e estava servindo em Recife - uma zona de guerra sobrevoada por Fortalezas Voadoras que saiam de Natal para bombardear a África e por vezes voltavam para Recife.

A guerra era também minha representada por meus brinquedos - tanques, aviões, canhões com os quais eu acabava com todos os inimigos do eixo.



Os fatos, descontada a guerra, era que Alemanha, Itália e Japão, embora integrados num Eixo do Mal, tinham sido e eram participantes ativas na evolução da humanidade.

Seu povos não constituíam uma organização criminosa e odienta decidida, por seus estatutos demoníacos não escritos, a ferrarem o mundo.

Nas histórias em quadrinhos houve umm personagem com estas características demoníacas - o dr Silvana - que deve ter sido criado para representar como agem as forças do mal quando são deixadas soltas e no caso dele, sem o capitão Marvel disposto a acabar com as suas articulações...

A Segunda Guerra Mundial, depois de matar uns 60 milhões de pessoas, terminou como todos sabemos: Hitler se matando com Eva Braun em seu bunker, Mussolini pendurado de cabeça para baixo ao lado de Clara Petacci, sua amante numa praça de Milão e com Hiroito, continuando imperador do sol nascente no Japão, mas sob a nova administração de MacArthur, até as coisas se tornarem mais confiáveis.

Mussolini e Hiroito foram drs Silvanas de segunda linha. Mas Hitler tornou-se o pior vilão da história da humanidade.

Na mesma ocasião na URSS, o georgiano Stálin, independente dos combates contra o seu aliado inicial Hitler e depois seu inimigo, promoveu a prisão de milhões de habitantes de seu país e a morte de pelo menos 20 milhões deles por fuzilamento ou em campos de trabalho forçado na Sibéria.

Stálin foi outra demonstração viva da existência do demônio, mas não chegou aos pés do Adolfo austríaco que foi o fuherer - condutor - da Alemanha de 1930 até 1945.

Por uma notável coincidência um pouco antes e após a libertação dos escravos em 1888 o Brasil gigantesco, (como os EUA, Argentina e outros países com muitas terras ) receberam navios e mais navios de estrangeiros cujo futuro não lhes parecia promissor em seus países.

No Brasil, além de portugueses , que fizeram o "achamento" do país, como o definiu Pero Vaz Caminha, recebemos grandes grupos de alemães, italianos e japoneses.

Em Santa Catarina havia tantos deles que a língua falada nas ruas poderia ser alemão ou italiano, em dialetos , ou portugues também em dialeto.

Antes de meu nascimento, meu pai e minha mãe moraram em Brusque em SC, quando meu pai tinha a missão militar de integrar os jovens"germânicos" em nosso exército durante o serviço militar. Muitos dos jovens "catarinas" vieram servir o exército no Rio de Janeiro e eram maioria no Batalhão da Polícia do Exército.

Não sei, nem estudei, se esta integração forçada num ambiente carioca promoveu a ruptura étnica dos catarinas com as suas origens paroquiais. Mas, para o bem da população brasileira praticamente não existem hoje grupos étnicos radicais no país.

Há neo-nazistas aqui e ali que aparentemente curtem mais se encherem de tatuagens "sinistras" e a posarem de maus do que se dedicarem a estudos e planos mais profundos das bases do nazismo.Desconfio que nos dias atuais todo grupo radical seja integrado por "analfabetos funcionais" a que acrescento "Graças a Deus!!"

Hoje temos no Brasil milhões de brasileiros com sobrenomes em que se integram origens italianas, com alemães, japonesas , portuguesas, indígenas sem maiores traumas.

Mas durante a Guerra a coisa era bem diferente. O chopp e os tira gostos, as saladas de batatas, o einsbein, as linguiças eram parte principal da alimentação e bebericação dos boemios brasileiros e em especial dos cariocas.

Com Hitler se chamando Adolfo imagine a impossibilidade moral - por mais elástica que fosse ela - de um cara ir se divertir no Bar Adolfo? Não dava, mas a sede e o apetite continuava e antes do quebra-quebra cívico o Bar Adolfo virou Bar Luiz, como se abrasileiraram todos os outros bares da mesma estirpe.

Na minha casa vivemos a saia justa das saias justas. Minha mãe tinha duas irmãs mais próximas, filhas do mesmo pai, o Dr. Getúlio desembargador e já falecido ex-presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo e da mesma mãe , D. Ermelinda nascida na fazenda de seu pai em São Mateus.

Gilda e Glycia eram casadas com oficiais do exército e Guiomar era casada com um alemão, tio Bruno que havia chegado ao Espírito Santo como comprador de café para empresas alemãs no início da década de 30.

Tio Bruno, antes do meu nascimento, foi o introdutor dos hábitos alimentares alemães na família. Mas à medida que Hitler e o nazismo demonstravam a sua eficiência na Alemanha a coisa aqui também se complicou no ambiente familiar.

Meu tio Carlos, o Cacá, como engenheiro do Exército, morou na Alemanha um ano por volta de 1938 em missão oficial de buscar know how para abrir uma fábrica de máscaras contra gases para o exército em Bonsucesso, no Rio.

Tanto ele como Tia Glycia - a Ciá - voltaram da Alemanha falando alemão e vim a saber depois de crescido com a certeza de que Hitler estava pronto para ir à Guerra.

Mas, a Alemanha como todo estava um brinco. Estradas primorosas, juventude disciplinada, fervor patriótico, os parentes de Tio Bruno com empresas muito bem sucedidas, e um rancor profundo contra os traidores que haviam assinado a rendição em 1918 e as cláusulas das reparações pela Grande Guerra.

No Brasil, como devia acontecer com grande parte dos alemães e seus descendentes havia uma profunda admiração pela administração que tornava o seu país tão humilhado pela derrota em 1918 novamente tão admirável.

Estou me referindo a estes acontecimentos com a perspectiva familiar para tornar estes fatos tão distantes mais reais para quem os lê, aqui

Mas, o rancor dos nazistas era muito mais intenso do que um jogo de cena. Eles queriam a vingança para implantar o reich dos 1000 anos.

Hitler, falou as palavras mais doces para um povo que já havia se
sentido o superior, e tinha sido reduzido em sua importância da forma mais drástica.

E conseguiu que este povo fardado e sem farda cumprisse as suas determinações acrescentando sempre um "Heil Hitler", a tudo o que diziam com ênfase.


Hitler, Mussolini e Hirohito foram os grandes culpados de tudo e, embora durante a guerra, os alemães, italianos e japoneses fossem para nós os grandes inimigos , depois da Guerra muito rapidamente estes três povos perderam este ar demoníaco.

E o que é mais estranho ainda: a Alemanha, a Itália e o Japão nos próximos 40 ou 50 anos tiveram grande sucesso. Mais sucesso até que os povos aliados europeus e asiáticos cujos exércitos os combateram de 1939 a 1945!

A união européia é conduzida pela Alemanha. A Itália está integrada ao grupo tal como esteve integrada ao Eixo. O Japão se tornou na terceira maior economia do mundo, de onde foi alijada somente há poucos dias pelo crescimento da China.

Toda esta longa introdução para chegar ao capítulo das culpas dos povos pelas atitudes de seus líderes que sempre foram por eles apoiados nos sistemas vigentes em cada um de seus países.

Vamos lá às coisas mais desagradáveis de ouvir : quem identificava judeus para Gestapo eram os bons alemães, assim como os italianos patriotas faziam o mesmo com os judeus da Itália.

O laborioso povo japonês, fardado, cometeu barbaridades contra coreanos, chineses, ingleses, holandeses, e quem mais estivesse a sua frente.

Com o fim da guerra muitos deles - do povo patriota - foram levados aos tribunais e condenados pelos atos que fizeram "por terem cumprido ordens".

Mas, nem 1% da grande massa que cometeu barbaridades foi parar nos tribunais.

E, não tenho medo de errar, ao declarar aqui que ninguém se sentiu culpado de coisa alguma feita sob as ordens dos mandantes de plantão.

Como hoje novamente não se sentiriam culpadas de coisa alguma que lhes fosse ordenada pelos seus dirigentes máximos. Especialmente quando eles pela palavra ou pela tradição entusiasmavam todos a seguirem as suas ideias.

Ao cursar a faculdade de Direito uma das coisas que mais me fascinava era a determinação da culpa. E em seguida as ações da sociedade para punir os culpados cujos crimes haviam sido julgados.

Até o início do século XIX as penas para quem cometia crimes eram físicas.

Corta o nariz, marca com ferro em brasa, arranca um olho, anda com uma cangalha no pescoço e todos podem dar pancadas enquanto ele passa pelas ruas, leva 50 chibatadas.

Ou enforca, ou fuzila. Até furto de carteira era punido na Inglaterra com enforcamento em praça pública. Um acontecimento que atraia multidões, inclusive de batedores de carteira que mesmo diante do colega com a corda no pescoço cumpriam bravamente a sua missão de furtar carteiras. Atenção: não era assalto na base do "a bolsa ou a vida!" Era afanar a carteira ou a bolsa do cidadão numa mágica rápida só percebida pelo sem carteira quando ficava difícil identificar os ladrões.

Na verdade todas estas penas implicavam na morte do culpado. Mais depressa ou mais lentamente. Chibatadas com um chicote imundo, quando não havia medicamentos, matavam de infecção em poucos dias. E ninguém, nossos antepassados inclusive, via nada de tão mau nisto.

A ideia de mandar criminosos para a prisão nasceu para "recuperar os criminosos, que teriam se tornado criminosos por culpa da sociedade". E a sociedade toda por meio dos recursos gerados por seus impostos tratava de recuperar os recuperáveis.Ou seja, cada crime tinha duas penas: a prisão do criminoso e o pagamento de sua recuperação pela sociedade.

Muitos nazistas, fascistas e japoneses fiéis ao imperador passaram por prisões - quando não foram condenados à morte - e voltaram à sociedade depois de cumprirem as suas penas.

E os seus compatriotas que os apoiaram plenamente as suas ações?

E que com quase absoluta certeza fariam exatamente o que os condenados fizeram? Como exorcizaram as suas culpas? Como voltaram ao convívio com a sociedade?

Ora, basta visitar os seus países.

Estão todos, desde os muito jovens, aos adultos e aos velhos que conviveram com as barbaridades, muito bem.

Por isto tenho horror quando hoje em dia alguém argumenta alguma coisa usando adjetivos pátrios genéricos.

Ora, você sabe como os argentinos são...
Ora, nos Estados Unidos, os americanos jamais aceitariam este desrespeito às Leis...
Ora, os japoneses são admiráveis. Depois do tsunami e do terremoto as ruas estavam todas limpas, enquanto os edifícios estavam todos destruídos...

Quer piorar: você não pode confiar nesta torcida do Vasco, os corintianos não pensam, os colorados matam seus adversários por causa da cor da camisa...

Por isto fica cada vez mais claro para mim que as pessoas são exatamente aquilo em que acreditam.


E que o exercício de repensar as suas crenças e a sua fé é a atividade mais sadia a que todos podemos e devemos nos dedicar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Está começando a me incomodar muito.esta bandidagem.....




Foram seis episódios de violência terrorista de bandidos contra a população do Rio de Janeiro durante este fim-de-semana. Nós marqueteiros que sempre queremos entender por que as coisas acontecem - e como podemos propor mudanças que promovam resultados - temos que abordar este desafio como um problema de marketing.

De forma bem resumida, um programa de pacificação de favelas, já implantado em várias delas, tornou a vida bandida mais difícil para os marginais que lá se aboletaram desde que um governador cuja experiência - como ele dizia - "vinha de longe" , decidiu que a polícia não iria subir morros atrás de traficantes.

Outras pessoas, mais pensantes na avaliação de problemas de ocupação (como qualquer militar que faz um curso de aperfeiçoamento em sua profissão) sabe que para dominar uma região o ideal é buscar o "high ground".

Ficar por cima como todos os povos antigos tratavam de ficar para dominar a planície abaixo, coisa que se tornou muito mais sofisticada ao longo dos séculos.

Quando a bomba atômica foi usada pelas duas primeiras e felizmente únicas vezes o que elas representaram do ponto de vista militar era que declarava o fim do "high ground".

Quando o cogumelo da explosão apareceu sobre Hiroshima e sobre Nagasaki demonstrou que de nada adiantava estarem as forças japonesas encasteladas no alto de morros - que não existiam em Hiroshima, mas que existiam em Nagasaki. As duas cidades foram arrasadas da mesma forma.

Pois bem, no Rio de Janeiro finalmente as autoridades encarregadas da segurança pública decidiram acabar com a vantagem do high ground dos bandidos e desenvolveram um plano muito bom de ocupação das favelas.

No Rio de Janeiro da minha infância e juventude a grande aventura da garotada influenciada por filmes de Tarzan, expedições e descobertas estava no fundo de nossas casas.

Em Copacabana nós tínhamos o mar de um lado com todas as novidades que começavam a fazer sucesso, do jacaré promovido por bons motivos a surf, aos mergulhos com máscara e pés de pato , que evoluiram para cursos que dão diplomas a quem sabe fazer isto direito, sem arriscar demasiadamente as suas vidas, e aos esportes de areia em especial ao frescobol o mais carioca e desprendido de todos.

Do outro lado, oposto ao mar, estavam e estão os morros do mundo que têm as vistas mais lindas que alguém possa desejar ver. Parece exagero ?

Não é! Toda a fama e o prestígio do Rio de Janeiro vem das curvas dos morros, dos verdes, das curvas das praias, do azul do mar se lançando em praias espetaculares de areias branquinhas onde qualquer pessoa pode entrar, sentar, nadar sempre que queira.

Isto visto de cima, subindo aos poucos por trilhas entre a floresta atlântica se torna tão presente em nossas vidas que fica fácil entender como a perda deste privilégio é terrível.

Os traficantes que para o topo das favelas foram enviados por uma decisão de um político tornaram os morros e seus moradores os seus grão-ducados.

Se eu quisesse subir os morros da minha infância e juventude percorrer as suas trilhas e escalar as suas pedras e encostas teria de me sujeitar - talvez e quase certamente - a pedir licença a estes caras para andar por ali.

Coisa que com a natural malandragem carioca - se é assim que se possa denominar esta capacidade de tentar reverter uma decisão de uma autoridade que tem poderes para impedir o seu deslocamento pode ser chamada - tenho a certeza de que acabaria conseguindo.

Mas, depois da ocupação das trilhas pelos traficantes, nunca mais tive disposição de me submeter a esta possível humilhação, no que considerava desde criança o meu território.

Pois bem, a polícia tirou a maior parte dos bandidos do topo dos morros, e acabou com a farra de seu negócio com drogas adquiridas por novos aventureiros que subiam somente os primeiros metros para lá comprarem a maconha e a cocaína necessárias para atingirem o que para eles representava felicidade.

Os caras perderam boa parte de seus negócios e perderam muito de sua moral. Os home deram uma decisão neles, e eles que andavam de um lado para o outro com armas pesadas, posando de donos dos grão-ducados tiveram de se mudar para morros menos nobres em termos de localização.

Pergunto eu: tirar o sofá da sala alguma vez resolveu o problema do marido enganado por sua fogosa companheira que o usava para receber amigos mais íntimos esquecendo juras de fidelidade a seu legítimo esposo???

Não! E a piada de tão velha se tornou na metáfora obrigatória em relação à busca de soluções que não contemplam o problema, mas apenas a aspectos formais em relação a eles.

Alguém pensava que diante da redução de ganhos altíssimos e do status de rei do pedaço como eram vistom por menininhas entusiasmadas com os seus "feitos" fossem se dedicar a novas carreiras honestas, como tornarem-se motoboys, prestadores de serviços simples, ou qualquer outra profissão simples?

Se os franceses que são muito mais educados, com muito mais anos em escolas, dedicam-se a acabar com o Sarkozy por ele aumentar em dois anos o tempo necessário para aposentadoria, imagine o grossão imbecil, que não sabe fazer nada na vida, a não ser andar de um lado para o outro em vielas de onde ele arrecada milhões de reais a cada ano?

O que faltou fazer ?

Com toda a simplicidade de uma resposta curta para um problema complexo, o que não se fez foi eliminar do convívio com a sociedade os bandidos antes instalados nas favelas e nos morros.

Mudamos o sofá de lugar e ele agora está plantado nas vias de grande movimento do Rio e seus ocupantes - os bandidos desprestigiados das favelas - estão queimando carros (matando os donos que se oponham a isto) e tentando mostrar a sua força.

Mas, hoje ao ouvir no rádio do carro do que estava ocorrendo na confluência da Dutra com a avenida Brasil e do que havia ocorrido no dia anterior na linha vermelha não pude deixar de me solidarizar com a atitude de minha mulher ao puxar um terço e a ficar rezando no gigantesco engarrafamento na chegada ao Rio pela Washington Luiz.

- Para que você reza, para os bandidos sumirem, perguntei meio irritado.

- Rezo para ter tranquilidade de percorrer este caminho onde isto pode nos acontecer.

Sábia resposta, mas que deflagrou toda esta minha nova irritação.

É preciso que todos façamos coisas para acabar com isto. Rezar é parte da resposta, mas não é suficiente.

Não vai dar? Dá sim, mas é preciso saber o que as autoridades se dispõem a fazer e a saber o que fizeram a cada dia.

Fique de olho denuncie ou aplauda, mande seus comentários e vamos ver como poderemos reassumir a nossa cidade para nós todos.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

A falta que faz os "Avisos aos Navegantes"

A Hora do Brasil e depois a Voz do Brasil, já em processo de liquidação, há muito tempo deixaram de mencionar os "Avisos aos Navegantes".

Uma seção do noticiário em que a Marinha informava pelo rádio todos os dias a situação e a confiabilidade dos farois na costa brasileira.

Era um conforto de que não nos apercebíamos quando ouvíamos.

O governo informava diariamente quando os "navegantes" não deviam confiar em sua sinalização.

O encerramento da seção deve ter sido deflagrado diante da ausência e impossibilidade de publicar todos os dias os avisos a muitas outras profissões que precisariam de muito mais alertas do que os navegantes.

Por exemplo, um "avisos aos estudantes" começaria a gerar protestos bem antes da primeira prova do ENEN ser respondida.

Não haveria infraestrutura para atender a demanda de perguntas e ações.

O grande desafio seria um "avisos sos eleitores": pensando bem,notas neutras sobre o que os eleitores deveriam saber todos os dias talvez viessem a descontinuar as eleições.

Mas, ao ouvir no carro ontem a Voz do Brasil senti subitamente que o "Avisos aos Navegantes" fazia falta, mas jamais poderá ser renascido.

Graças a Deus, a Internet permite que você busque os avisos sobre tudo. O problema é separar os alhos dos bugalhos...