Se você se deixar levar pelo politicamente correto poderá contar todos os dias com uma imensidão de conhecimentos prontos para serem aprendidos. Tudo em embalagens confiáveis.
Se se dedicar a seguir todas as regras mais respeitadas a sua agenda vai estar sempre cheia. Você jamais poderá ser acusado de fazer (ou pensar) as coisas erradas.
Cada gesto ou cada atitude sua estará apoiada em precedentes sólidos.
Mas, você viverá somente uma pequena parte de sua vida.
Você será um marionete tecnológico, em que cada gesto seu será comandado por outros, por outras, em conjunto ou separadamente. Você não será exatamente você, mas a resultante de dezenas, centenas até, de influências externas.
Você falará pela voz de seus gurus.Por vezes contraditórios entre si.
O desaprender sugerido aqui é um campo minado, mas vai dar sentido a tudo o que você venha a fazer quando decidir colocar em dúvida o saber oficialmente aceito.
Para acostumar-se a desaprender você conta com um apoio jamais antes disponível. Esta internet.
Mas, correrá o risco contínuo de ser muito desagradável para as pessoas à sua volta. E pior, para você mesmo.
Use a Internet e baixe todo o texto do “Discurso sobre o Método” do Descartes. Basta acessar virtualbooks.terra.com.br/.../discurso_do_metodo.htm .
Garanto que você vai aprender a desaprender com um filósofo atualíssimo para os nossos novos tempos.
Doses diárias de informações sobre comunicação, marketing direto, coisas que nos fazem agir, mudar de opinião e muito mais se você participar
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quarta-feira, 25 de novembro de 2009
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
O quebra- cabeças de Arquimedes e a vida prática. Ou como justificar as suas imperfeições

Há alguns anos eu que nunca aprendi mesmo a jogar xadrez e me sinto um pouco recalcado por esta minha incapacidade, li que “quando mais alguém sabe jogar xadrez... mais sabe jogar xadrez...”.
Naturalmente quem disse isto também não devia jogar xadrez e tinha recalques contra jogadores que segundo o seu ponto de vista nada aprendiam com as suas jogadas magistrais além de jogar xadrez mesmo.
Jogadores de xadrez não viravam estrategistas, nem se tornavam grandes planejadores, nem gênios inventores de projetos de marketing que tenderiam sempre a dar mais certo do que aqueles imaginados pelos “não jogadores” de xadrez.
Tudo isto me veio à cabeça a partir da minha fascinação por um quebra-cabeças cuja autoria é atribuída a Arquimedes (287 a.C. - 212 a.C.), que está sendo redescoberto como um dos maiores gênios da espécie humana, mas que é lembrado pela maioria pelo fato de ter saído correndo nu de uma banheira gritando “Eureka”. Ou achei, em grego.
Ele ao dar a sua corrida pelado descobriu que o seu corpo imerso deslocava exatamente o seu volume em água.
Se a banheira estivesse cheia até a borda toda a água derramada quando Arquimedes entrasse nela seria igual à massa de Arquimedes com precisão absoluta sem precisar fazer nenhuma conta para saber, por exemplo, a massa das pálpebras, o efeito do umbigo, e qualquer outra sutileza para chegar ao número definitivo e correto.
Há um novo livro no mercado – o Codex Arquimedes – que traz ao centro do palco um Arquimedes inventor e engenheiro e o primeiro sábio a dentre outros feitos ter calculado o valor de PI.
Esta história do PI e de sua importância, conforme pesquisa rápida, se torna um conhecimento importantíssimo quando sabemos que o rolar das ondas numa praia, o trajeto aparente diário das estrelas no céu, , o movimento das engrenagens e rolamentos, a propagação dos campos eletromagnéticos e um sem número de fenômenos e objetos, do mundo natural e da Matemática, estão associados às idéias de simetria circular e esférica. Tudo baseado no 3,1416 etc, que estudamos no colégio.
O estudo e uso de círculos e esfera era a especialidade de Arquimedes . O Pi é uma das constantes universais da Matemática, e se não tivesse sido percebido praticamente não haveria matemática, para ser o mais objetivo possível.
Portanto quando nós nos deparamos com um quebra-cabeças inventado por uma pessoa como Arquimedes temos de dar a ele uma atenção especial. O quebra-cabeças chamado de stomachion está no topo desta página de onde você pode copiá-lo.
O nome em grego era relacionado às dores de estomago que afetavam a quem procurava montar as suas 14 peças no formato de um quadrado.
Passados os tempos descobriu-se que o quadrado pode ser feito com mais de 2 000 combinações das partes o que humilha ainda mais quem não consegue montar o quadrado em apenas uma arrumação de suas 14 peças.
Tudo isto me veio à cabeça por causa das habilidades dos jogadores de xadrez.
Será que as pessoas que conseguem resolver o stomachion e montar os quadrados são pessoas melhores e mais capacitadas do que aquelas que não conseguem resolver o problema?
Na minha visão de marqueteiro em que as reações humanas desejadas por nós são deflagradas por propostas sutis em que buscamos tocar nas cordas mais profundas da sua razão e das suas emoções tenho a quase certeza absoluta que nada ocorre no mundo com a precisão de um quebra-cabeças que encaixa com precisão todas as suas peças.
De saída acho que na vida real o encaixe perfeito NUNCA existe, mas também tenho a certeza de que o que pareça mais próximo do encaixe perfeito é o grande segredo do sucesso dos que conseguem ter sucesso.
Todas as atitudes humanas – desde chupar um Chica-Bom, como dizia o Nelson Rodrigues para definir a coisa mais simples do mundo que podia ser mal feita pelos menos capacitados – abrem perspectivas para a execução falha.
No esforço de fazer a coisa certa – montar o quebra-cabeças da vida com todas as suas peças alinhadas certinho – a maioria das pessoas tem dores de estômago que hoje atendem pelo nome de stress. Stress, todos sabemos, mata.
Se você copiar e montar o quebra-cabeças do Arquimedes será muito bom para o seu ego. Mas, lanço apenas o meu alerta; não pense que ao fazer isto você seja mais capaz do que quem não consegue montar o stomachion .
Pois, estes incapazes podem ser por exemplo o seu chefe, seu governador, seu presidente e serem absolutamente incapazes de pensar em resolver o stomachion.
Mas quem consegue fazer mais coisas com mais sucesso têm a capacidade de diante de um problema sério chegar à solução mais próxima da perfeição, embora possa estar longe da perfeição matemática.
Acho que a grande virtude desejada e pedida a Deus é saber chegar à melhor solução. E não morrer por não ter chegado à solução perfeita.
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quarta-feira, 23 de setembro de 2009
As verdades com 2600 anos de Thales de Mileto. O que você acha ?
Há alguns anos na busca da origem do Conheça-te a ti mesmo, que queria usar como ensinamento especialmente para empresas - pois este autoconhecimento para mim é a principal característica das empresas bem sucedidas - fui me deparar com Thales de Mileto, o cidadão acima.
Thales, além de ser o autor do Teorema Angular de Thales que todos aprendemos nos primeiros anos de colégio (a soma dos três angulos de um triângulo é 180°) foi também reconhecido como o primeiro dos 7 sábios da Grécia.
Viveu de 625 a 547 a.C, era matemático e filósofo, viveu num vilarejo que hoje faz parte da Turquia e sem que disto se faça muito alarde é considerado o Pai da Filosofia Ocidental.
Não é pouco e você ao ler mais um pouquinho este texto vai concordar com quem o classificou assim e entender esta minha mania de citar um sujeito que viveu há 2600 anos em palestras e aulas sobre marketing na era digital, sem me sentir nem um pouco estranho ao fazer isto.
Vou contar dois fatos para que você comece a se entusiasmar com o velho Thales.
A sua capacidade de correlacionar ângulos, triângulos, fazer medições fez com que ele previsse o primeiro eclipse do sol que não pegou uma população de surpresa.
Ao observar o céu ele disse que num certo dia de 585 a.C o sol seria coberto pela lua e o dia iria transformar-se em noite, para logo depois voltar a ser dia de novo sem maiores problemas.
Nesta época era um Deus nos acuda para as virgens em todos os cantos da Terra. Quando o sol sumia eram inúmeros os povos que tratavam de achar virgens para imediato sacrifício ao sol para propiciar a sua satisfação e a sua volta brilhante aos céus.
Não aconteceu mais isto em Mileto pois Thales provou que o que ocorria era muito natural dependendo apenas da criteriosa observação da órbita da Lua, do universo e da capacidade que se podia ter para entender o que ocorria.
Além de ser um amante do conhecimento, especialidade dos filósofos, Thales também amava a vida boa. Num determinado ano suas observações o levaram a crer que a colheita de azeitonas seria um recorde absoluto.
Tratou de arrendar todas as prensas azeitonas da região. Quando se deu a colheita ele deve ter ganhado só com a sua capacidade de observar o que ocorria na natureza muito mais do que seria um grande prêmio da megasena hoje.
Além de ser visto como inteligente e sábio foi reconhecido como um milionário o que o tornou, aos olhos de todos, ainda mais sábio e muito mais inteligente.
Um sofista, um tipo de filósofo dedicado a criticar tudo o que outras pessoas inteligentes afirmavam, decidiu confrontar Thales em seu território fazendo a ele perguntas diante de todos a espera de sua falha.
É preciso dizer que os sofistas viviam perambulando de cidade em cidade, reunindo estudantes, levando-os a pensar, e a repensar no que faziam. Isto é muito intrigante. Na minha vontade de achar explicações para tudo acho que havia alguma coisa na água ou no azeite gregos que os levavam a agirem assim... Nunca se pensou, se falou e se escreveu sobre temas tão variados.
Um dos mais notáveis sofistas foi Protágoras e dele é a frase : “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.
Não eram em nada semelhantes aos oradores que ficam falando ao povo em cima de caixotinhos no Hyde Park. Era gente que pensava, que falava coisas profundas e inteligentes repetidas até hoje como verdades indiscutíveis.
Pois bem,o sofista de plantão de que se perdeu o nome pôs-se diante de Thales e fez a ele as seguintes perguntas e dele ouviu as seguintes respostas, na lata:
1. Qual é a coisa mais antiga?
- Deus, porque sempre tem existido
2. Qual é a coisa mais formosa?
- O Universo, porque é obra de Deus
3. Qual é a maior de todas as coisas?
- O Espaço, porque contem tudo o que foi criado.
4. Qual é a coisa mais constante?
- A esperança, porque permanece no homem depois dele ter perdido tudo o mais.
5. Qual é a melhor de todas as coisas?
- A Virtude , porque sem ela não existe nada de bom
6. Qual é a coisa mais rápida?
- O Pensamento, porque em menos de um minuto pode voar até o fim do Universo
7. Qual é a mais forte de todas as coisas?
- A Necessidade, porque faz o homem enfrentar todos os perigos da vida.
8. Qual é a coisa mais fácil?
- Dar conselhos
9. Qual é a coisa mais difícil?
Depois de pensar um segundo, Thales replicou:
- Conhecer a si mesmo
Você não concorda com ele?
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
O que realmente são as maiores perdas na vida e nos negócios?
Algo que vai preocupar a todos nós por uma simples questão de decurso de prazo é o que realmente tem importância na vida.
Tanto na vida pessoal, quanto na vida dos negócios, como no nosso mundo do marketing.
Peço a sua paciência para me acompanhar nestas considerações de hoje.
Sempre tive um grande apreço pela sabedoria acumulada dos mais velhos. Mesmo aqueles que aparentemente não fizeram grandes coisas, não inventaram coisa alguma.
Mas de gente que pelo simples fato de ter vivido tem condições de nos transmitir conhecimentos preciosos muitas vezes desperdiçados pela preguiça que temos ao "não apurarmos" direito o que têm a dizer como me ensinou o Hilton Nobre, o primeiro chefe de reportagem dedicado a me fazer um melhor jornalista.
Ele dizia que nada substituia a ida do repórter ao local. Uma verdade que se aplica a qualquer que seja o tipo de "repórter" (médico, advogado, publicitário, eleitor...) ao local em que as coisas aconteceram ou em que estão acontecendo.
Este fim de semana, numa reunião há muito desejada pelos parentes de minha mulher, nos reunimos num Hotel de Pindamonhangaba com os descendentes da família Benevides de todas as faixas etárias para simplesmente bater papo, reencontramos primos, tios, conhecer netos, bisnetos e falarmos muito.
Não era festa,nem tinha música alta de fundo, era pura conversa.
O mesmo seria aplicável - no meu caso isolado - se tivesse a oportunidade de trazer para um lugar algumas das centenas de pessoas com quem convivi durante muitos anos da vida em jornais, revistas, agências de publicidade, empresas clientes e com uma infinidade de associados amigos, amigos por vezes muito próximos por um bom tempo, deixados de lado devido às mudanças na vida.
Um dentre estes é o João Marcelo que segue este Almanaque, para o meu imenso prazer e orgulho.
Pois bem, neste fim de semana uma tia muito querida , a Tia Juracy, que hoje completa 85 anos de idade colocou no nosso colo um diamante digno de uma coroa imperial.
É evidente que ao longo de uma vida longa as perdas e os ganhos vão se sucedendo com uma "previsibilidade" terrível.
Numa conversa sobre as grandes perdas que todos tivemos coube a Tia Juracy evidenciar uma verdade imediatamente compartilhada por todos que ao compartilharem a sua verdade se tornaram instantaneamente muito mais sábios.
Do grupo com idade além dos 80 estavam presentes apenas quatro representantes já que uma imensa legião de outros são hoje apenas parte de nossas memórias.
Mas ao falar sobre perdas Tia Juracy embora se desse conta das decorrentes das mortes disse que as perdas mais dolorosas e continuadas eram a de pessoas vivas.
A começar pelos parentes que pelos motivos mais diversos deixam este envolvimento familiar carinhoso e intenso sem que se lhes conheçamos os motivos (incluindo desde os parentes distantes até o de irmãos )da mesma forma que isto ocorre com velhos e fiéis amigos.
As mortes são parte da vida e da natureza, mas estas outras perdas são mais chocantes porque o diálogo que seria possivel se torna impossível de um momento para o outro.
O mesmo, sem o conteúdo dramático dos relacionamentos familiares, ocorre quando "mortes de vivos" ocorrem quando trabalhamos com empresas assemelhadas a nossas famílias por anos ou mesmo por apenas meses, e subitamente passamos por um abandono "injustificado" sob o nosso ponto de vista.
Gente é um bicho muito estranho que conta e usa um conjunto de células que tem o nome de cérebro, um órgão incassável em sua tarefa de pensar, de projetar o presente desejado, e o futuro para onde pretendemos ir . E que nos leva a trabalhar todos os dias.
Caramba! O tempo que nós temos para manter esta parceria produtiva com o nosso cérebro é muito curto!
Dos 200 mil anos em que podemos dizer formamos a nossa genealogia com milhões de avós e avós de avós e assim por diante, num mergulho a tempos imemoriais, cada um de nós conta com um maximo de 100 anos para exercermos esta parceria produtiva.
É muito pouco para fazermos todas as coisas boas de que somos capazes e um desperdício de vida quando nos dedicamos a fazer bobagens, como esta coisa de morrer em vida para gente tão interessante com quem deixamos de nos relacionarmos por causas idiopáticas - como classificam os médicos.
Não é sem uma razão mais profunda que a geração presente criou os sites de relacionamento, coisa que não tem muito sentido para a imensa maioria das pessoas, mas uma necessidade zoológica tão intensa como foi a das grandes migrações que os homens primitivos fizeram em busca de melhores condições de vida e sobrevivência da espécie.
(Vá escrever prolixamente assim no raio que o parta!)
Mas, para quem teve a paciência de ler este Almanaque até aqui sugiro que pense um pouco mais nas perdas mencionadas pela Tia Juracy.
Pense um pouco mais e acho que irá beneficiar-se passando a ser ao mesmo tempo um parente melhor, um melhor ser humano, uma pessoa muito melhor e last but not least, um cliente muito melhor ...
Tanto na vida pessoal, quanto na vida dos negócios, como no nosso mundo do marketing.
Peço a sua paciência para me acompanhar nestas considerações de hoje.
Sempre tive um grande apreço pela sabedoria acumulada dos mais velhos. Mesmo aqueles que aparentemente não fizeram grandes coisas, não inventaram coisa alguma.
Mas de gente que pelo simples fato de ter vivido tem condições de nos transmitir conhecimentos preciosos muitas vezes desperdiçados pela preguiça que temos ao "não apurarmos" direito o que têm a dizer como me ensinou o Hilton Nobre, o primeiro chefe de reportagem dedicado a me fazer um melhor jornalista.
Ele dizia que nada substituia a ida do repórter ao local. Uma verdade que se aplica a qualquer que seja o tipo de "repórter" (médico, advogado, publicitário, eleitor...) ao local em que as coisas aconteceram ou em que estão acontecendo.
Este fim de semana, numa reunião há muito desejada pelos parentes de minha mulher, nos reunimos num Hotel de Pindamonhangaba com os descendentes da família Benevides de todas as faixas etárias para simplesmente bater papo, reencontramos primos, tios, conhecer netos, bisnetos e falarmos muito.
Não era festa,nem tinha música alta de fundo, era pura conversa.
O mesmo seria aplicável - no meu caso isolado - se tivesse a oportunidade de trazer para um lugar algumas das centenas de pessoas com quem convivi durante muitos anos da vida em jornais, revistas, agências de publicidade, empresas clientes e com uma infinidade de associados amigos, amigos por vezes muito próximos por um bom tempo, deixados de lado devido às mudanças na vida.
Um dentre estes é o João Marcelo que segue este Almanaque, para o meu imenso prazer e orgulho.
Pois bem, neste fim de semana uma tia muito querida , a Tia Juracy, que hoje completa 85 anos de idade colocou no nosso colo um diamante digno de uma coroa imperial.
É evidente que ao longo de uma vida longa as perdas e os ganhos vão se sucedendo com uma "previsibilidade" terrível.
Numa conversa sobre as grandes perdas que todos tivemos coube a Tia Juracy evidenciar uma verdade imediatamente compartilhada por todos que ao compartilharem a sua verdade se tornaram instantaneamente muito mais sábios.
Do grupo com idade além dos 80 estavam presentes apenas quatro representantes já que uma imensa legião de outros são hoje apenas parte de nossas memórias.
Mas ao falar sobre perdas Tia Juracy embora se desse conta das decorrentes das mortes disse que as perdas mais dolorosas e continuadas eram a de pessoas vivas.
A começar pelos parentes que pelos motivos mais diversos deixam este envolvimento familiar carinhoso e intenso sem que se lhes conheçamos os motivos (incluindo desde os parentes distantes até o de irmãos )da mesma forma que isto ocorre com velhos e fiéis amigos.
As mortes são parte da vida e da natureza, mas estas outras perdas são mais chocantes porque o diálogo que seria possivel se torna impossível de um momento para o outro.
O mesmo, sem o conteúdo dramático dos relacionamentos familiares, ocorre quando "mortes de vivos" ocorrem quando trabalhamos com empresas assemelhadas a nossas famílias por anos ou mesmo por apenas meses, e subitamente passamos por um abandono "injustificado" sob o nosso ponto de vista.
Gente é um bicho muito estranho que conta e usa um conjunto de células que tem o nome de cérebro, um órgão incassável em sua tarefa de pensar, de projetar o presente desejado, e o futuro para onde pretendemos ir . E que nos leva a trabalhar todos os dias.
Caramba! O tempo que nós temos para manter esta parceria produtiva com o nosso cérebro é muito curto!
Dos 200 mil anos em que podemos dizer formamos a nossa genealogia com milhões de avós e avós de avós e assim por diante, num mergulho a tempos imemoriais, cada um de nós conta com um maximo de 100 anos para exercermos esta parceria produtiva.
É muito pouco para fazermos todas as coisas boas de que somos capazes e um desperdício de vida quando nos dedicamos a fazer bobagens, como esta coisa de morrer em vida para gente tão interessante com quem deixamos de nos relacionarmos por causas idiopáticas - como classificam os médicos.
Não é sem uma razão mais profunda que a geração presente criou os sites de relacionamento, coisa que não tem muito sentido para a imensa maioria das pessoas, mas uma necessidade zoológica tão intensa como foi a das grandes migrações que os homens primitivos fizeram em busca de melhores condições de vida e sobrevivência da espécie.
(Vá escrever prolixamente assim no raio que o parta!)
Mas, para quem teve a paciência de ler este Almanaque até aqui sugiro que pense um pouco mais nas perdas mencionadas pela Tia Juracy.
Pense um pouco mais e acho que irá beneficiar-se passando a ser ao mesmo tempo um parente melhor, um melhor ser humano, uma pessoa muito melhor e last but not least, um cliente muito melhor ...
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Toda esta beleza da nossa Terra, me assusta um pouco
Rodei uns 2 mil quilômetros de carro entre o Rio de Janeiro e Chavantes, em São Paulo uma cidade próxima a Ourinhos. Fizemos Teresinha e eu a viagem em 9 horas com as paradas de praxe e a introdução gloriosa do velocímetro oral invenção dela para avisar cada vez que o carro estava acima de 120 km/h.
Mas, o que mais me impressionou nesta viagem foi a constatação da beleza de nossa Terra, não só a Terra brasileira, ou da Terra paulista.
Fui me maravilhando com as belezas de nosso planetinha, com as cores da vegetação, as áreas plantadas gerando alimentos, as cidades, cidadezinhas, vilarejos em que seres humanos trabalhavam (enquanto eu viajava nas minhas feriazinhas) criando novas riquezas.
E novamente me vi preocupado com uma destas minhas bobagens recorrentes: a minha quase certeza absoluta de que nós - em um planeta como a Terra - não temos semelhantes neste universo impossível sequer de ser imaginado.
Não sou maluco sozinho em relação a este tema : Enrico Fermi, o físico italiano, residente nos Estados Unidos e um dos pais da bomba atômica levantou a hipótese de nossa solidão no universo nos anos 40 e a levou até 1954, quando veio a falecer bem moço (nasceu em 1901) mas já laureado em 1938 com um prêmio Nobel de Física.
Fermi especulava que até aquela ocasião nenhum sinal de vida em qualquer lugar do universo havia sido detectado por nós aqui na Terra. E ele considerava seriamente a hipótese de estarmos mesmo sozinhos.
Passaram-se mais de 60 anos. A ciência evoluiu em saltos quânticos neste período e aqui estamos nós em 2009 sem ter detectado qualquer sinal de vida em outros corpos celestes, que dizer de vida inteligente como somos forçados a qualificar a nossa vida...
Sempre que fico mais tempo em contato com o mundo natural, no mar, no campo, fora das cidades não consigo deixar de me maravilhar com a vida a meu redor.
Os mesmos átomos que fazem parte do solo, do ar, das águas daqueles lugares ao se combinarem de outras formas foram capazes de gerar vidas que se renovam e evoluem há alguns milhões de anos.
Nós próprios somos um milagre (cada um ou cada uma de nós) pois somos o resultado desta renovação, destas reproduções sucessivas que mergulham por milhões de anos no passado. Poucas vezes me dou conta deste privilégio genético milagroso e único.
E se realmente Fermi estiver com a razão?
Você consegue imaginar que podemos ter na Terra as únicas formas de vida do universo que nos rodeia?
Numa das últimas descobertas confirmadas pelos cientistas mais capazes me garantem que há mais corpos celestes do que grãos de areia em todas as praias da Terra.Muito mais do que as 6 mil estrelas que vemos a olho nu, numa noite clara.
Se pensarmos que em todo este mundo de areia exista um único grãozinho em que a vida surgiu , e que nós somos parte desta vida é no mínimo assustador.
É um bocado duro - se isto for verdade - estarmos aqui sozinhos neste universo.
Onde ficamos com Deus, com os nossos deuses, com a nossa fé e a nossa razão de existir?
Como podemos imaginar este fato e na verdade como podemos imaginar qualquer coisa?
Dai o meu susto na viagenzinha de férias. Se estamos realmente sozinhos temos no mínimo a obrigação de repensar neste privilégio todos os dias.
E tratar de fazer por merecê-lo embora, reconheço, não tenhamos outra alternativa...
Mas, o que mais me impressionou nesta viagem foi a constatação da beleza de nossa Terra, não só a Terra brasileira, ou da Terra paulista.
Fui me maravilhando com as belezas de nosso planetinha, com as cores da vegetação, as áreas plantadas gerando alimentos, as cidades, cidadezinhas, vilarejos em que seres humanos trabalhavam (enquanto eu viajava nas minhas feriazinhas) criando novas riquezas.
E novamente me vi preocupado com uma destas minhas bobagens recorrentes: a minha quase certeza absoluta de que nós - em um planeta como a Terra - não temos semelhantes neste universo impossível sequer de ser imaginado.
Não sou maluco sozinho em relação a este tema : Enrico Fermi, o físico italiano, residente nos Estados Unidos e um dos pais da bomba atômica levantou a hipótese de nossa solidão no universo nos anos 40 e a levou até 1954, quando veio a falecer bem moço (nasceu em 1901) mas já laureado em 1938 com um prêmio Nobel de Física.
Fermi especulava que até aquela ocasião nenhum sinal de vida em qualquer lugar do universo havia sido detectado por nós aqui na Terra. E ele considerava seriamente a hipótese de estarmos mesmo sozinhos.
Passaram-se mais de 60 anos. A ciência evoluiu em saltos quânticos neste período e aqui estamos nós em 2009 sem ter detectado qualquer sinal de vida em outros corpos celestes, que dizer de vida inteligente como somos forçados a qualificar a nossa vida...
Sempre que fico mais tempo em contato com o mundo natural, no mar, no campo, fora das cidades não consigo deixar de me maravilhar com a vida a meu redor.
Os mesmos átomos que fazem parte do solo, do ar, das águas daqueles lugares ao se combinarem de outras formas foram capazes de gerar vidas que se renovam e evoluem há alguns milhões de anos.
Nós próprios somos um milagre (cada um ou cada uma de nós) pois somos o resultado desta renovação, destas reproduções sucessivas que mergulham por milhões de anos no passado. Poucas vezes me dou conta deste privilégio genético milagroso e único.
E se realmente Fermi estiver com a razão?
Você consegue imaginar que podemos ter na Terra as únicas formas de vida do universo que nos rodeia?
Numa das últimas descobertas confirmadas pelos cientistas mais capazes me garantem que há mais corpos celestes do que grãos de areia em todas as praias da Terra.Muito mais do que as 6 mil estrelas que vemos a olho nu, numa noite clara.
Se pensarmos que em todo este mundo de areia exista um único grãozinho em que a vida surgiu , e que nós somos parte desta vida é no mínimo assustador.
É um bocado duro - se isto for verdade - estarmos aqui sozinhos neste universo.
Onde ficamos com Deus, com os nossos deuses, com a nossa fé e a nossa razão de existir?
Como podemos imaginar este fato e na verdade como podemos imaginar qualquer coisa?
Dai o meu susto na viagenzinha de férias. Se estamos realmente sozinhos temos no mínimo a obrigação de repensar neste privilégio todos os dias.
E tratar de fazer por merecê-lo embora, reconheço, não tenhamos outra alternativa...
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Não deixe a sua vida para depois...
Há um bom número de anos desenvolvi uma mala direta para vender terrenos em Búzios numa área anteriormente ocupada por uma salina. O empreendedor tinha absoluta certeza do sucesso de seu novo loteamento e fez questão de exigir que o título a ser apresentado aos possíveis compradores era exatamente este:
Não deixe a sua vida para depois!
Ele deveria estar na ocasião com uns 60 anos ou mais e argumentava com entusiasmo ser esta a frase que de fato impulsionaria os indecisos a investir na esperança dos prazeres a serem vividos na nova casa.
Se há uma palavra que desliga a atenção das pessoas é o NÃO, associada que está às primeiras frustações de todos nós. Por isto a minha consciência profissional se insurgia contra uma criação minha iniciada pelo NÃO fatal.
Mas o cliente insistia, não com a argumentação simplista de que eu sou cliente, portanto faça o que ordeno, mas com o ardor de um evangelista reafirmando ser o NÃO justamente o ingrediente secreto de nossa mala direta.
Segui a orientação dele. E vendemos praticamente todos os lotes com a mala direta enviada aos associados do Diners. Os demais - a minoria - foram vendidos no estande de vendas amplamente divulgado ao longo da estrada.
Nos cartazes o apelo era o mesmo: Não deixe a sua vida para depois!
Hoje de manhã ao me encaminhar para a agência parado num sinal de trânsito em Copacabana vi um cidadão de seus 80 e poucos (ou talvez muitos) anos cruzando a rua Toneleros com um passinho curto, mas com o olhar atento aos carros parados e uma atenção ainda mais especial quando ouviu uma motocicleta chegando entre os veículos parados.
Tranquilizou-se e seguiu até o outro lado da rua, com toda a lepidez que a sua idade permitia.
Foi a primeira vez no dia que a frase do empreendedor de Búzios saiu de algum cantinho oculto de minha memória e surgiu como um cartaz luminoso na minha frente:
- Não deixe a sua vida para depois!
Caramba!
Quando ajudei a vender aqueles lotes em Búzios com aquela frase mágica ainda estava numa fase da vida que Fernanda Torres classificou em seu artigo desta semana na Vejinha Rio como a do homem imortal que segundo ela nos afeta a todos do sexo masculino até os 50 anos.
Ao assistir a travesia do transeunte idoso me dei conta da sabedoria mais profunda da frase e de como seria importante seguir o seu conselho.
Já sabemos, como profissionais dedicados ao convencimento de nosso público, que a tendência de procrastinar decisões é a maior barreira a vencer quando temos a oferta certa, o produto certo, para o público certo. A tendência é deixar aquela decisão e todas as outras para depois.
Tudo que aprendamos para fazer reverter esta preguiça mental de deixar uma área do "nada fazer" para a área do "fazer" é segredo bem guardado das empresas que conseguem obter mais sucesso (mais vendas) e dos profissionais que sabem usar estes recursos.
Me dei conta, ao assistir os esforços do cidadão ao atravessar a rua, que esta "preguiça" não se aplicava somente às decisões de compra: ela é muito mais importante e uma exigência diária em relação às nossas próprias vidas.
Fui plenamente recompensando por este raciocínio deflagrado ao presenciar os esforços do cidadão cruzar a rua um pouco mais adiante: diante do Hospital Miguel Couto seguiam pela calçada uma menininha de seus 2 anos, bem agasalhada (hoje o Rio tem 19° C de temperatura!) e a sua mãe.
Não há para onde ir quando se anda naquela calçada além do Hospital, pois daí em diante há apenas a entrada de veículos dos sócios do Jockey Clube, e quilometros de muros.
Elas iam ao Hospital visitar alguém.
Enquanto a mãe exibia um ar tenso e preocupado, a meninha soltou-se da sua mão e saiu dando uma corridinha saltitante e feliz, risonha e cheia de entusiasmo em direção à porta do Hospital.
Imaginei mil explicações para aquela alegria toda, e fiquei feliz de numa única viagem de automóvel ter me defrontado com a frase aplicada a um idoso e vê-la confirmada alegremente pela menininha.
Ela não estava deixando a sua vida para depois, ela se antecipava a ela com aquela alegria matinal e bem agasalhada em sua corridinha.
Agradeci muito pela "coincidência" de receber uma confirmação imediata quanto à correção de minhas elocubrações no trânsito...
Não deixe a sua vida para depois!
Ele deveria estar na ocasião com uns 60 anos ou mais e argumentava com entusiasmo ser esta a frase que de fato impulsionaria os indecisos a investir na esperança dos prazeres a serem vividos na nova casa.
Se há uma palavra que desliga a atenção das pessoas é o NÃO, associada que está às primeiras frustações de todos nós. Por isto a minha consciência profissional se insurgia contra uma criação minha iniciada pelo NÃO fatal.
Mas o cliente insistia, não com a argumentação simplista de que eu sou cliente, portanto faça o que ordeno, mas com o ardor de um evangelista reafirmando ser o NÃO justamente o ingrediente secreto de nossa mala direta.
Segui a orientação dele. E vendemos praticamente todos os lotes com a mala direta enviada aos associados do Diners. Os demais - a minoria - foram vendidos no estande de vendas amplamente divulgado ao longo da estrada.
Nos cartazes o apelo era o mesmo: Não deixe a sua vida para depois!
Hoje de manhã ao me encaminhar para a agência parado num sinal de trânsito em Copacabana vi um cidadão de seus 80 e poucos (ou talvez muitos) anos cruzando a rua Toneleros com um passinho curto, mas com o olhar atento aos carros parados e uma atenção ainda mais especial quando ouviu uma motocicleta chegando entre os veículos parados.
Tranquilizou-se e seguiu até o outro lado da rua, com toda a lepidez que a sua idade permitia.
Foi a primeira vez no dia que a frase do empreendedor de Búzios saiu de algum cantinho oculto de minha memória e surgiu como um cartaz luminoso na minha frente:
- Não deixe a sua vida para depois!
Caramba!
Quando ajudei a vender aqueles lotes em Búzios com aquela frase mágica ainda estava numa fase da vida que Fernanda Torres classificou em seu artigo desta semana na Vejinha Rio como a do homem imortal que segundo ela nos afeta a todos do sexo masculino até os 50 anos.
Ao assistir a travesia do transeunte idoso me dei conta da sabedoria mais profunda da frase e de como seria importante seguir o seu conselho.
Já sabemos, como profissionais dedicados ao convencimento de nosso público, que a tendência de procrastinar decisões é a maior barreira a vencer quando temos a oferta certa, o produto certo, para o público certo. A tendência é deixar aquela decisão e todas as outras para depois.
Tudo que aprendamos para fazer reverter esta preguiça mental de deixar uma área do "nada fazer" para a área do "fazer" é segredo bem guardado das empresas que conseguem obter mais sucesso (mais vendas) e dos profissionais que sabem usar estes recursos.
Me dei conta, ao assistir os esforços do cidadão ao atravessar a rua, que esta "preguiça" não se aplicava somente às decisões de compra: ela é muito mais importante e uma exigência diária em relação às nossas próprias vidas.
Fui plenamente recompensando por este raciocínio deflagrado ao presenciar os esforços do cidadão cruzar a rua um pouco mais adiante: diante do Hospital Miguel Couto seguiam pela calçada uma menininha de seus 2 anos, bem agasalhada (hoje o Rio tem 19° C de temperatura!) e a sua mãe.
Não há para onde ir quando se anda naquela calçada além do Hospital, pois daí em diante há apenas a entrada de veículos dos sócios do Jockey Clube, e quilometros de muros.
Elas iam ao Hospital visitar alguém.
Enquanto a mãe exibia um ar tenso e preocupado, a meninha soltou-se da sua mão e saiu dando uma corridinha saltitante e feliz, risonha e cheia de entusiasmo em direção à porta do Hospital.
Imaginei mil explicações para aquela alegria toda, e fiquei feliz de numa única viagem de automóvel ter me defrontado com a frase aplicada a um idoso e vê-la confirmada alegremente pela menininha.
Ela não estava deixando a sua vida para depois, ela se antecipava a ela com aquela alegria matinal e bem agasalhada em sua corridinha.
Agradeci muito pela "coincidência" de receber uma confirmação imediata quanto à correção de minhas elocubrações no trânsito...
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