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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

O que que eu faço? Para onde eu vou? Compro ou não compro? Ser ou não ser?

Se até há pouco tempo você podia desculpar-se por alguma decisão sua por não ter tido acesso a todos os dados, hoje, e pior, amanhã, será mesmo impossível alegar a sua ignorância como justificativa seja para o que for.

Sempre fui um leitor de livros. Como decorrência disto comprei e ganhei muitos livros na vida que estão espalhados nas minhas estantes como tags vivos de assuntos pelos quais me interessei e pelos quais ainda me interesso cada vez que os retiro de seus cantos para uma releitura aqui e ali.

Hoje, com uns 10 Kindles possivelmente poderia substituir todos os livros - menos os com páginas a cores, os atlas, os livros de arte, e alguns poucos outros - por tudo aquilo que juntei na minha vida.

O Tiê Lima,que trabalha também na REPENSE, é a primeira pessoa que conheço que comprou e recebeu o Kindle internacional da Amazon e já lê nele, todos os dias, a edição do Globo que o acompanha para onde vai em São Paulo, onde reside.

Hoje, tudo acontece em cada hoje, a Amazon anunciou que vai disponibilizar os seus livros também nas telas dos computadores desde que o cliente siga um determinado caminho que nem quis saber qual seria.

Tudo isto por que ainda não sei o que deva fazer, e como deva fazer o que deverei fazer para atender às minhas demandas por novas informações “livrescas”.

Na Bienal do Livro, no Rio, comprei no estande da Record um livro da Bertrand Brasil, 1421, de autoria de um oficial de marinha inglês dedicado a convencer o mundo que os chineses no ano de 1421 foram os verdadeiros descobridores do mundo, percorrendo toda a Terra com esquadras imensas, comandadas por almirantes eunucos – tinham de ser eunucos, mesmo.

O livro é apenas o ponto de partida, ou de entrada, no site do autor que transformou a sua descoberta dos feitos chineses numa oportunidade para obter a glória em 2009, 560 anos depois dos eunucos chineses terem feito as suas viagens incríveis comprovadas por ele nas páginas impressas do livro.

Este seria o livro típico para ser compartilhado com os leitores por um e-reader que dispusesse de cores para exibir mapas e fotos nítidas dos objetos recuperados de naufrágios dos chineses.

Com o Kindle – todo em preto e branco, e mais todas as tonalidades do cinza – isto não seria possível. Faltam as cores, faltam as pesquisas paralelas que todos gostariam de poder fazer.

Mas, que dentro de poucos anos todos nós vamos ler “livros” desta maneira não tenho dúvidas de apostar seja o que for.

Churchill dizia que quem apostava ou era desonesto ou muito burro. Desonesto quando tinha certeza de sua certeza e muito burro quando acontecia exatamente o oposto.

Neste caso dos e-readers nos próximos anos, nos próximos 5 anos, nos próximos 10 anos qualquer aposta de minha parte me caracterizaria como desonesto por ter absoluta certeza de que isto irá acontecer.

Então para que tanto esforço em dizer isto no Almanaque?

Por outro motivo muito mais importante: agora sem apostar, mas tendo uma nova certeza subjacente de que estas leituras virtuais disponíveis on line vão mudar mais as nossas vidas futuras do que por exemplo, a nossa vida passada mudou com a televisão, com a Internet e com o celular.

Sem tornar este tema mais longo do que já está: todos terão acesso a tudo de bom e de mau, e isto vai ter efeitos revolucionários sobre a moral, sobre a política, sobre a religião, sobre a educação, sobre o relacionamento humano. E até onde eu saiba ninguém ainda está falando sobre isto.

O ser ou não ser vai ganhar uma dimensão jamais pensada por Shakspeare (como ele se assinava) do que ele podia imaginar.

Será mais ou menos como um navegador solitário que hoje , simplesmente ao apertar uma tecla num GPS, sabe exatamente onde está sem fazer um único cálculo para definir sua latitude e sua longitude aproximadas.

Neste novo mundo de certezas quem souber usar as simples ferramentas de busca de informações estará tão capacitado quanto o pós-graduado na mais respeitada universidade.

Eles terão acesso instantâneo às mesmas informações.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

55 mil metros quadrados com ideias a considerar; É a Bienal do Livro

Estive ontem percorrendo os 55 mil metros quadrados da Bienal do Livro no Rio Centro do Rio de Janeiro. É um excelente change of pace em relação à Internet. É o saber duramente buscado nos stands das editoras e livrarias e um bom motivo para nos sentirmos acachapados por tanta informação.

Mais de 600 mil pessoas vão passar por lá, o que vem a ser uns 10% da população do Rio. A maioria será de colegiais (mais do que estudantes) que serão levados por seus colégios para se acostumarem com esta coisa de livros e de leitura.

Li ontem que menos de 8% da população possuem livros em suas casas, além dos didáticos obrigatórios para quem esteja estudando. A maioria das pessoas não possui livros. Nem os lê.

A maioria das pessoas só sabe o que vê e ouve na televisão. E mais depressa do que çpodemos prever sua principal fonte de informações passará a ser a Internet.

É bem pouca gente, mas são umas 16 milhões de pessoas, as quais, sem dúvida somos todos nós que lemos, que somos informados, e que somos minoria no Brasil.

Somos nós que temos de tomar posições políticas em favor ou contra outras pessoas que vão governar o país e o nosso futuro próximo.

Ninguém pode alegar desconhecimento sobre qualquer tema que exista sob ou além do sol.

Na Bienal o tamanho do meu desconhecimento se torna evidente e prova ser insuperável.

Se fosse ler tudo sobre o que me interesso usaria todos os dias da minha vida e de muitas outras vidas para ... exercer o prazer de saber mais, cada vez mais e ter a certeza de que ainda vai faltar muito a aprender. Iria faltar tempo para fazer e isto é tão imperdoável quanto não saber...

Para que precisamos tanto saber ?

Temos um cérebro relativamente pequeno mas que segundo Isaac Asimov é a mais fascinante concentração de matéria existente (ou conhecida) no Universo.

Ele nos instiga todo o tempo e nos leva a pensar cada vez mais no que estamos fazendo.

Comprei um livro 1424 em que um pesquisador inglês escreveu depois de redescobrir as provas de que esquadras gigantescas chinesas percorreram todos os mares do mundo em torno de 1420, comandadas por almirantes eunucos (parece que criavam menos casos...) autores de cartas náuticas precisas de costas que seriam "desbravadas" dezenas ou centenas de anos mais tarde.

Ele disse também que os chineses nesta ocasião já eram capazes de dessalinizar a água do mar. Vôte!

O livro parece meio estranho, coisa destes malucos que aparecem nas redações de jornais dizendo que viajaram ao espaço (o que aliás a mulher do primeiro ministro japonês anda dizendo que fez) e trazem "provas" e mais "provas" do que dizem atabalhoadamente.

O livro do inglês não é mal escrito, mas seu texto deixa margens de dúvidas aqui e ali em relação às suas provas. Ele quer provar demais cada afirmação que faz. É como nos acontece quando encontramos um mentiroso contumaz que insiste para que perguntemos para outras pessoas se eles estão ou não estão dizendo a verdade...

A razão dos feitos dos almirantes eunucos chineses não terem sido absorvidos pela história é que logo em seguida às grandes viagens eles decidiram abandonar tudo o que descobriram, apagar todos os registros, sumir com as cartas feitas por que acharam que nada teriam a ganhar com o mundo. Ao contrário, chegaram à conclusão que teriam muito a perder se insistissem nesta navegações em seus juncos de 150 metros de comprimento.

Não cheguei neste ponto ainda, mas já comecei a pensar em como estas descobertas de 600 anos atrás podem impactar a nossa vida hoje.

Esta semana li notícias de que os descendentes deste mesmos chineses depois de todas as mudanças nas várias histórias dos vários povos nos últimos 600 anos tornaram-se este ano os líderes das exportações do mundo.

Podiam ter começado antes, mas preferiram fazer isto agora,e com um apetite voraz.

O que pude observar neste primeiro livro dos milhares pelos quais me interessei na Bienal é que não há nada de mais errado do que menosprezar alguém, algum povo, alguma etnia.

A denominação de "chino pants" para caracterizar as calças caquis tão em moda há alguns anos foi dada em função das roupas usadas pelos imigrantes chineses mais ou menos "escravizados" nos EUA para construir as estradas de ferro dormente a dormente no século XIX e no início do século XX.

As versões mais vistas de chineses no mundo ocidental e na nossa história derivam destes chineses trabalhadores sacrificados por falta de melhores alternativas em seu país de origem.

Mas do mesmo berço de que sairam os chineses casca grossa já havia regitro de pelo menos 5000 anos de história contínua. Filosofia, história, pesquisas, invenções e descobertas.

Eles inventaram a pólvora, a bússola e a imprensa só para citar os que aprendemos no curso primário e nos parecia uma curiosidade, na base do "veja só". Hoje, no meu livro novo, pude constatar que os chineses não inventaram estas novidades apenas para fazer graça.

Portanto, como subproduto do livro fortaleceu-se meu respeito a eles e a todas as pessoas e todos os povos menosprezados a partir de "verdades" não comprovadas.

Nós mesmo, brasileiros, somos os primeiros a nos menosprezarmos com frases do tipo:

- Também,coisas como estas (e cita uma grande merda) só acontecem aqui mesmo. Nós é que somos os culpados disto tudo. Não temos cultura, só pensamos em ganhar nosso dinheiro e estamos pouco nos importando com os outros...

Concluindo, antes que os amigos tentem me internar como maluco - mas prometendo voltar ao assunto: uma Bienal do Livro é um momento mágico nas nossas vidas.

Sem exagero. Vou provar esta declaração pelo absurdo: se alguém for mantido num chiqueiro de porcos à antiga, cheio de lama e de cocô, chafurdando para lá e para cá, dificilmente vai pensar em outra coisa além de lama e de cocô e de como não se deixar afundar nela.

Quem se deixa mergulhar no ambiente vivo de todos os livros e de todas as culturas dificilmente vai concentrar seus pensamentos em lama e em cocô...

Coisa grossa!!! Pela qual peço desculpas.

Fico muito feliz com a expectativa dos 600 mil visitantes à Bienal por que todos têm a possibilidade de alargarem os seus mundos internos por alguma leitura descoberta na Bienal.

Quem sabe uma destas pessoas possa beneficiar milhões de outras mais adiante com o que descobriu lá.

Estive com a Rosemary, a editora da Bertrand Brasil responsável pelo 1442 e ela me disse que o mesmo autor tem outro livro a ser publicado em que "prova" que o renascimento na Itália e na Europa foi propulsado pelos chineses.

Já estou ficando com medos destes caras...