terça-feira, 7 de outubro de 2014

Você está na linha de frente desta guerra: a última guerra mundial. E NEM SE DAVA CONTA DISTO, NÃO É?

Você e nós todos fomos convocados para entrar na guerra.

Seu regimento está numa posição confortável e se ficar bem quieto, o inimigo nem vai perceber a sua presença.

Quanto menos movimento maiores serão as suas chances de escapar com vida...

Sair vivo é a primeira prioridade de quem está na guerra, conforme pesquisas com soldados de todos os exércitos feita por |SLM Marshal ..

Em compensação toda a sua imobilidade não vai trazer para você qualquer.Terminada a guerra o combatente tímido, que procurava sempre escapar dos combates terá de aguardar o passar do tempo - e o esquecimento geral - para "lembrar-se de combates" que nunca existiram, mas poderia ser imaginada para valorizar o soldado cuja maior virtude terá sido escapar com vida.

 O momento que estamos vivendo é esta nova guerra. Nela não há linha de frente. A linha de frente está envolvendo você todos os dias. Não há como fingir que não se está atacando o inimigo e o inimigo sabe disto.

Mas a prioridade dos combatentes, mesmo sem perceber que estão combatendo, é preservar a vida. 


A Vitória , tal como nas guerras do passado,  será sair com vida deste conflito.



Em meio à guerra em que hoje combatemos na linha de frente há muito diferenças em relação às guerras de que vimos a reprodução em filmes e em  livros.

Mas esta é a mais violenta guerra jamais travada pela espécie humana.

E nela não existem as colinas sossegadas em que se ficar bem quieto não levar balas dos inimigos.

A Internet nos coloca no olho do furacão, bastando uns poucos toques no computador para assistir a nova guerra da fila da frente..

É impossível não ternos acesso a tudo o que está acontecendo em qualquer canto da Terra.

E a nossa cabeça que procurava não se envolver em coisas para a qual não fomos chamados, hoje, diante do fluxo contínuo de notícias dedica-se a criar torcidas e frustrações de todas as intensidades possíveis.

Quem se dedicar a manter uma coerência com "os seus princípios" viverá frustrado com as atitudes das nações que nos cercam, viverá frustrado pela atuação criminosa de quem tem o  poder, viverá a absoluta certeza de que em todos os casos jamais estará de posse prolongada de qualquer posição conquistada.

A nossa guerra total ocupa todos os cantos da Terra e se confunde com uma palavra super usada: O Mercado.

Há pouco tempo o mercado era uma  area pequena, provinciana, em que o controle de tudo era feito por pessoas sem maiores recursos tecnológicos.

Quando o nosso mundo passou a ser integrado à Internet a maior mudança da história da humanidade surgiu quando a facilidade da Internet que surgia para servir a seus usuários tornou-se tão importante a ponto de justificar um conceito novo:é a Internet que entra em você e não você que entra na Internet.

Nada acontece enquanto alguém não vende alguma coisa para alguém.

E a Internet é o novo mercado do mundo.

Os dados, as informações, as ilações, as previsões derivadas da Internet reconstroem os relacionamentos pessoais e empresariais a cada nanosegundo. Em um combate sem fim de que todos somos participantes.

Milhões perdem e ficam para trás. Milhares - democraticamente - usam as mesmas armas e se tornam nos grandes donos de mercados ao possibilitar que os líderes recorram a estes novos gênios para poderem se tornar mais poderosos.

Nunca existiu na terra um potentado tão rico quanto os líderes do mundo virtual.

Todo o poder garantido a chefes que acumularam montanhas de riquezas físicas , desde territórios, joias, bens não chegam a 10% dos ganhos de algumas pessoas físicas, sem exércitos armados, obtiveram ao longo de 30 ou 20 anos de suas vidas adultas.

As novas armas do poder estão sob os nossos dedos.

Do mesmo modo que os sábios de outros séculos contavam com páginas e páginas em que demonstram o seu domínio sobre o conhecimento, hoje todo este conhecimento se coloca ao alcance dos dedos de qualquer pessoa diante de um computador integrado numa rede mundial jamais imaginada .

As grandes frentes de batalha

Um século é um período imenso numa visão dos seres humanos, mas vale por décimos de segundo numa escala terrestre.

No entanto durante todos os anos da história registrada a vida humana jamais teve de se adaptar tantas vezes a novidades que atingem a cada pessoa na velocidade da luz.

Só não podemos fingir que a guerra é problema dos outros.

Esta guerra é a oportunidade para todos se tornarem heróis realizados por suas atitudes "em combate".

Pense durante um dia quantas guerras estão envolvendo você e prepare-se para elas.

Esta questão de enfrentar guerras e vencê-las tem sido a atividade que construiu a humanidade e a nossa sociedade.


Comente a suas guerras e vamos falar sobre elas em seguida





sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O último segundo antes da mudança, onde tudo acontece

Na vida de todos nós vão se acumulando uma sucessão destes últimos segundos. 

Um pouquinho antes não há qualquer sinal da mudança que virá, alguns momentos depois a nossa vida passa para uma outra fase.

Nem sempre podemos perceber que há alguma coisa ou fato que vai mudar a nossa vida a um segundo do momento em que a coisa vai acontecer.

Por vezes a percepção de que tudo vai mudar demora nos atingir.. Poucas vezes percebemos o efeito da decisão, ou do fato acontecido alguns segundos atrás.

Exemplos ilustram bem estes momentos:

Soube numa visita ao Itamaraty no Rio no dia 25 de agosto de 1961 que o presidente Jânio Quadros havia renunciado poucos minutos antes em Brasília.

De 1961 até 2014 tudo que nos aconteceu como país, como profissionais, como pais de família, como estudantes, como cidadãos foi afetado pelo gesto inesperado de um político inesperado. Imprevisível  para todos.

Na vida pessoal não cito qualquer exemplo, pois todos podemos lembrar quantos foram estes momentos particulares . E seus os efeitos sobre as nossas vidas.

A busca incessante de certezas

Pessoas que foram reconhecidas como capazes de prever o futuro - a começar por Nostradamus - abriram espaço para uma infinidade de magos, magas, astrólogos, religiosos, pesquisadores a que damos atenção todos os dias.

Mesmo os menos crentes nestes previsores não deixam de bater na madeira quando dizem algo que poderia prejudicar o futuro desejado.

Muito menos falar sobre possíveis sucessos e temidas falhas porque  estas coisas não ajudam a realização nem o sucesso do que é desejado.

As incertezas são muito mais importantes do que as nossas certezas. 


Diante da imprevisibilidade em que vivemos as incertezas alimentam a nossa esperança. Pois quando não há esperançadeixa de existir a maior razão para viver a vida.

Todos sabemos da limitação de nossos anos de vida. E todos sabemos pela simples observação que a qualquer momento vamos deixar a vida. E talvez cair numa certeza definitiva.

O que poderia ser visto como um paraíso pode ser visto também como a mais perfeita representação do inferno.

Se isto ocorrer passaremos a enfrentar a eternidade destituídos de esperança.

E a perda da esperança neste raciocínio é eternamente pior do que não sermos vivos.

E daí?

Qualquer momento pode ser o seu momento de mudanças radicais que podem ser entendidas como coisa sem importância, desde a dor no peito que logo passa, ao abandono de uma família, ou de um emprego.

E a única fonte de referência absolutamente confiável é a sua cabeça.

Viu, ouviu, percebeu o que está acontecendo jamais deixe de analisar o que acontece.

Deixar no modo automático, é deixar de lado a sua maior virtude: decidir - por vezes com um trabalho danado -  como você tão pequeno diante de um mundo imenso tem a última palavra.

E não há ninguém melhor do que você para dar esta palavra. 

O primeiro passo para reforçar a sua confiança é lembrar o que fez diante deste último segundo antes das mudanças.

Garanto que os erros e acertos passados terão as mesmas características dos erros e acertos futuros.

Você tem a última palavra!

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Todos os dias você se vê diante do eleitor que vai decidir estas eleições!

Todos os dias você se vê diante do eleitor que vai decidir estas eleições!

Jamais tivemos acesso a tantas informações. Nós sabemos quem são os candidatos . Sabemos no que cada um deles acredita. Ouvimos e lemos o que vão fazer. E o que fizeram  em suas carreiras e como isto como afetou o país e a sua vida.
A única virtude que você – que nós – precisamos ter e cultivar todos os dias é a coisa mais difícil do mundo indicada por Thales de Mileto há 2500 anos: conhecer a si mesmo.
É preciso que sua escolha não seja a mera imitação da escolha de quem quer que seja. Por mais admirável que possa ser esta pessoa..
Responda apena cinco perguntas e saiba como você deverá agir em relação a qualquer candidato ou candidata que pede o seu voto.
1.       Você tem alguma fé que determina como deva agir em relação às demais pessoas, em qualquer circunstância. Se tem uma fé assim some 3 pontos. Se não tem some 0
2.       Nas eleições em que votou avalie os políticos ou políticas que elegeu. Se elegeu a pessoa errada  na maioria delas (conforme os seus critérios de hoje) some 3 pontos. Se seu voto foi correto (conforme os seus critérios de hoje) some um 0
3.       Quais são as qualidades que você considera essenciais paras que o seu candidato ou candidata seja capaz de tocar os projetos que você ache mais importantes.
Se você lembrou de pelo menos 5 destas qualidades sem dificuldade some um 0 nesta tabela. Se não conseguiu some um 3.
4.       Quais são as tarefas executadas que são mais marcantes no candidato ou candidata que você esteja considerando eleger?
Se puder relacionar pelo menos 5 tarefas some um 0 neste teste. Se listar menos de 5 tarefas some 3 pontos.
5.       Se você conseguir citar de memória pelo menos 5 projetos bem executados por seu candidato ou candidata some 0 . Se não chegar a 5, some um 3.
Some os seus pontos. Se o total ficar entre 0 e 6 você será um eleitor capacitado a eleger um candidato ou candidata com qualidades administrativas que merecem o seu esforço em ir votar.
Se você somar mais de 6 pontos lustre o seu espelho e prepare-se para ver todos os dias alguém cujas decisões podem ser muito erradas.
O conselho genérico a ser seguido por todos é repensar todos os votos que vá dar agora e ao longo de toda a sua vida.
Não discuta com os outros  sobre esta questão tão séria. Apenas submeta quem queira discutir com você estas cinco perguntas.
E SEJA O QUE DEUS QUISER...


quarta-feira, 27 de agosto de 2014

“The fundamental cause of the trouble is that in the modern world the stupid are cocksure while the intelligent are full of doubt.” ― Bertrand Russell

Nos debates eleitorais este conceito de Bertrand Russell se prova a cada dia mais atual.
Todo o enredo dos debates gira em torno de certezas comprovadas por palavras e incertezas que demonstram as falhas do debatedor.

Por mais cômodo que seja confiar cegamente a única atitude justa é duvidar das certezas e aumentar as incertezas.

Hoje, mais do que em qualquer época, as verdades tradicionais - que levavam às guerras e às mortes - estão sendo questionadas e por vezes radicalmente desconsideradas.

E as verdades ainda não questionadas mais cedo ou mais tarde também serão questionadas.

Estou cada vez mais cético, temendo ate as minhas certezas históricas.

Pense, logo , desista!

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Como dizer e como não dizer- NÃO

DIANTE DE QUALQUER SITUAÇÃO TEMOS A DAR APENAS DUAS RESPOSTAS :SIM E NÃO.

E O MAIOR PROBLEMA QUE TODOS ENFRENTAMOS É O COMO DIZER O NÃO.

NADA MAIS FÁCIL DO QUE DAR O SIM E CONCORDARMOS COM QUALQUER PEDIDO.

PARA OBTER A APROVAÇÃO DE QUALQUER PROPOSTA POR UM GRUPO A FORMA MA\ISA SIMPLES E EFICIENTE É PEDIR A SUA APROVAÇÃO SEM PALAVRAS:BASTA QUE CADA UM MANTENHA A POSIÇÃO PRESENTE - QUE PERMANEÇAM SENTADOS (OU EM PÉ) PARA DEMONSTRAR O SEU APOIO.

A APROVAÇÃO SERÁ QUASE SEMPRE DE PELO MENOS 80% DAS PESSOAS.

É UMA APROVAÇÃO TÊNUE , QUE PODERÁ SER REVERTIDA MAIS ADIANTE, MAS SERÁ UMA APROVAÇÃO TEORICAMENTE DEMOCRÁTICA POIS TODOS FORAM "OUVIDOS".

MAS O "VERDADEIRO" NÃO TEM DE SER DADO AO VIVO - APÓS UMA APRESENTAÇÃO - QUE REPRESENTARÁ A VONTADE REAL DE QUEM TEM O PODER DE NEGAR UM PEDIDO.

A APRESENTAÇÃO DESTE NÃO É UMA DAS TAREFAS MAIS DESAFIANTES PARA QUEM TEM O PODER DE DIZER ESTA PALAVRA:

TANTO PODE SER APENAS A PALAVRA , SEM EXPLICAÇÕES QUE A JUSTIFIQUEM , COMO NÃO DAR QUALQUER EXPLICAÇÃO PARA A NEGATIVA.

OU A TENTATIVA DE FAZER QUEM A OUVE UM "ALIADO" ÀQUELA ATITUDE..

ESTA ATITUDE SEMPRE IRÁ TRAZER A QUEM RECEBEU O NÃO UM SENTIMENTO NEGATIVO DE QUEM OUVIU O NÃO.

NÃO HÁ MOTIVOS SUFICIENTES PARA QUEM OUVE UM NÃO QUANDO ESPERAVA UM SIM VENHA A CONCORDAR COM OS ARGUMENTOS EXPOSTOS POR QUEM NÃO VAI APROVAR UMA PROPOSIÇÃO.

AO CONTRÁRIO: QUANTO MAIS OUVIR MAIS VAI ACUMULAR ARGUMENTO PARA DAÍ EM DIANTE REPROVAR MAIS ESTE E TODOS OS COMPORTAMENTOS DE QUEM DISSE O NÃO, POSSIVELMENTE ATÉ O FIM DOS TEMPOS.

O NÃO SEM MAIORES EXPLICAÇÕES TEM VÁRIAS VIRTUDES:

1. SEMPRE NA VISÃO DE QUEM O OUVIU SERÁ MAIS VALORIZADO POIS SERÁ UM SIMPLES NÃO. NÃO VAI TER MAIS MENSAGENS NEGATIVAS ANEXADAS.

AO DIZER OS MOTIVOS FICARÁ DEMONSTRADO COMO HÁ UMA FALTA DE SINTONIA "INSUPERÁVEL" ENTRE AS PARTES.

2. QUEM PROPÕE PELO SIM E RECEBE UM SIMPLES NÃO NÃO CORRE O RISCO DE TER ABALADO O RESPEITO PRÓPRIO ALÉM DE TER OUVIDO UM NÃO.

A SOMA DAS EXPLICAÇÕES EXPLICANDO O NÃO SERÁ SEMPRE UM NÃO MUITO MAIS INTENSO DO QUE O NÃO SIMPLES.

PORTANTO PARA PRESERVAR AMIZADES, RELACIONAMENTOS CIVILIZADOS DIGA O NÃO SIMPLES SEMPRE APÓS O PEDIDO E NÃO CONSTRUA BARREIRAS PARA O RELACIONAMENTO FUTURO - A MENOS QUE CRIAR ESTAS BARREIRAS SEJA O SEU OBJETIVO .

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Criatividade é uma subversão de comportamento que tem o dom de levar as pessoas não criativas a se considerarem inteligentes.

Criatividade é uma subversão de comportamento que tem o dom de levar as pessoas  não criativas  a se considerarem inteligentes.   




E o são, sem dúvida.


Ao perceber uma obra da criatividade há nas pessoas não envolvidas com aquela criação a sensação de realização, de descoberta , de privilégio por ter acesso aquilo antes das pessoas que não viram , ou que até podem ter visto, mas não valorizaram o que viam.

Um som, uma letra de música, um ritmo, uma harmonia,  um quadro, uma proposta filosófica (a relação é infinita)  que superem a barreira da incompreensão em sua primeira exibição pública tem o seu valor evoluído para uma nova virtude: a de tornar a pessoa melhor ao sentir-se como o que pode ser mais próximo da coautoria daquela criação..

A criatividade numa peça de artesanato produzida por artistas com poucos recursos, em locais de poucos recursos quando é percebida e valorizada por alguém estranho àquele ambiente produz a mágica de ser de imediato revalorizada pelos circunstantes e tornar o admirador externo – o padrinho da avaliação positiva – numa pessoa admirável naquela comunidade somente pelo fato de ter valorizado aquela obra criativa.

Que se torna maior pela admiração da pessoa não pertencente ao grupo onde vive o artesão. E tanto mais valorizado será ele quanto mais notória seja a pessoa de fora.

A criatividade não existe quando não encontra admiradores. Pois na admiração de outras pessoas é a medida da criatividade.  

E o seu aspecto mais duro é que pode ser vista de imediato como exigir dezenas e até centenas de anos para ser “descoberta” pelas pessoas.

Van Gogh - 30 de março de 1853 – 29 de julho de 1890 -   não teve a sua criatividade admirada ao longo de seus 37 anos de vida. Seu extraordinário valor começou a ser percebido nos primeiros anos do século 20 quando também se tomou conhecimento de sua imensa obra, mais de 1000 quadros, gravuras e esboços que se tornaram sofisticados nos seus dois últimos de vida.

A explicação de que os padrões estéticos do mundo evoluíram sendo Van Gogh um precursor deste novo momento da criatividade seria justificável, mas ainda estaria longe de uma verdade incontestável.

Outros pintores também foram revolucionários nos anos anteriores ao século 20, Van Gogh porém teve o privilégio de ter sido redescoberto.

As obras de Van Gogh e seus quadros em especial  passaram a ser comprados por milhões de dólares pois  independente de sua expressão artística, tornaram-se oficialmente  admirados por pessoas cujos critérios artísticos não eram diferentes  do das pessoas que ao longo de vida dele não investiriam nas obras que agora passaram a ser surpreendentemente valiosas.

A criatividade requer molduras onde possa ser vista e identificada pelo maior número de pessoas, e quanto mais pessoas mais valorosa será a Criatividade de seu autor.

A EXPERIÊNCIA DE REVOLUÇÃO DA CRIATIVIDADE E A BOSSA NOVA


O reconhecimento de um valor mais alto só pode existir em pessoas com muitas incertezas em sua mente. As incertezas não podem ser apenas as incertezas artísticas. 

Alguém que abrigue num determinado critério estético – como considerar um modo de fazer música, ou de pintar quadros, ou em projetar prédios, ou de definir comportamentos sociais, ou estruturas legais – será incapaz de admirar o novo, mesmo que ele caia no seu colo.

A capacidade de questionar os seus filtros racionais, mantendo-se coerente e sadio em seu modo de viver, é uma virtude cuja aplicação põe em risco a vida de quem se questiona em relação a qualquer tema.

O contestador reconhecido como uma pessoa criativa corre o sério risco pessoal de perpetuar a sua contestação aos ambientes em que viva, sem jamais ter sido criativo, embora ele próprio possa se achar um revolucionário incompreendido.

Talento que será usado exatamente na medida que o seu meio permita usar para garantir a sua sobrevivência. Dependendo do ambiente em que viva poderá contar com a leniência de seus vizinhos para sobreviver à espera de seu momento de florescer.

Um cabo do exército austríaco que sobreviveu à Primeira Guerra Mundial sendo pintor de paredes  que deveria ser reconhecido como um artista capaz de produzir quadros penou por alguns anos como um gênio criativo não reconhecido por seus colegas, e explodiu para desgraça do mundo como ideólogo de um movimento que muito além de seus quadros empolgou milhares de admiradores.

Os admiradores eram incapazes de urdirem toda a trama ideológica do cabo pintor, mas se sentiam  inteligentes, superiores, uma elite privilegiada por compreender e se integrar no nazi-fascismo de Adolf Hitler.

As frustações de Hitler foram a inspiração para a sua autoconstrução como fuhrer  do III Reich , e ele só pode vir a ser o que foi porque foi aceito e cultuado por um dos povos mais educados do mundo ocidental.

Um aval que por seu peso tornou o livro Mein Kempf – Minha Luta – uma bíblia para muitos líderes nacionais que se sentiram mais “inteligentes” ao aderirem ao pacote ideológico do cabo do exército austríaco da Primeira Guerra Mundial.
A única formação profissional organizada a que teve acesso o frustrado pintor de quadros medíocres que pode extravasas a sua criatividade com os milhões de mortos e feridos da Segunda Guerra Mundial.

Criatividade pode ser algo muito perigoso, daí não ser de espantar que as pessoas que testemunharam o aparecimento da Bossa Nova no Brasil tivessem cuidados especiais em adotá-la como uma legítima manifestação criativa e artística dos brasileiros.

Os brasileiros de todas as classes e capacitações econômicas viviam – sem saber disto pois quem está vivendo não sabe bem de que forma aquele momento vai ser julgado pela história – os efeitos da vitória da democracia – representada pelas Nações Unidas – contra as forças totalitárias do nazismo, fascismo e imperialismo dos alemães, italianos e japoneses.

Tudo que tivesse conotações com os valores mais ostensivos com os países líderes das Nações Unidas era bom. Sem precisar comprovar seu valor de forma mais definitiva.

A educação liberal, a democracia representativa, as expressões artísticas americanas – especialmente as norte-americanas – tinham todas o carimbo de coisa boa.

Foi num ambiente musical derivado de um passado muito criativo, especialmente no Rio de Janeiro que havia sido a sede da corte imperial, a sede dos governos da república, o centro da inteligência e da cultura brasileira que a música, os filmes a maneira de ser dos norte-americanos foi absorvida.

Nós cariocas adolescentes não podíamos admitir sermos vinculados a apenas valores herdados de nosso passado glorioso. O samba com a força de seu ritmo que nos tocava no fundo da alma era muito bom, mas deveria comportar releituras na sua composição.

O samba tal como uma variação em religiões que cria seitas passou a ser expresso como samba, com uma mudança na divisão de seu ritmo.

À nova divisão rítmica foi dado o apelido um tanto depreciativo de bossa nova, assim como a pintura de alguns artistas franceses no início do século ganhou o nome de impressionismo – também depreciativo, por inspiração de um quadro de Monet .

A respeitabilidade das pessoas era construída em torno de sua coerência pessoal com o passar dos anos.  Um elogio a que todos aspiravam era de “homem íntegro”.
Que tinha uma segunda leitura como homem de ideias firmes em relação a todos os assuntos e quanto mais assuntos com ideias íntegras mais respeitáveis seriam os cidadãos.

Todas as pessoas diante das contínuas novidades do pós guerra tinham dois caminhos a seguir: correr atrás dos novos comportamentos ( com um risco nunca antes detectado sobre a sua integridade) ou resistir às mudanças antes mesmo de saber do que se tratava, assegurando o respeito da família, vizinhos, colegas sem o menor esforço físico e mental.

A criatividade da bossa nova foi irrigada pelo desafio de vencer o repúdio dos preguiçosos íntegros e radicalmente apoiada pela necessidade de demonstrar o nosso valor. A bossa nova até pelo número de músicos, da escolha de seus instrumentos apropriou-se de conceitos jazzísticos, mas fugia a esta ligação com empenho igual aos valores das músicas tradicionais brasileiras do século 20.

O sucesso da Bossa Nova foi muito além do mundo musical. Zeitgeist , que quer dizer espírito da época , um termo em alemão (que deve ter influenciado as massas germânicas a elegerem e cultuarem o Hitler) invadiu todas as áreas do pensamento dos brasileiros.

Brasília=, (patrimônio da Humanidade reconhecido pela UNESCO dezenas de anos após a sua fundação) , nasceu ao som da Bossa Nova.

Nem Lúcio Costa nem Niemeyer nem qualquer arquiteto ou engenheiro que construiu a Cidade ao que eu saiba debruçou-se sobre suas pranchetas ouvindo a bossa nova. Mas a Bossa Nova foi o diapasão de tudo o que se fez no Brasil quando ela se integrava ao bom gosto brasileiro.

Houve inclusive um concerto com os criadores da Bossa Nova no Carnegie Hall de Nova York que ocupou  em nosso orgulho nacional um nicho como da Miss Brasil Marta Rocha que teria deixado de ser eleita Miss Universo, nos Estados Unidos, por ter duas polegadas a mais nos quadris.

O JORNAL DO BRASIL FOI GRANDE PALCO DA BOSSA NOVA EM TODA A SUA EXTENSÃO CULTURAL.

O Jornal do Brasil ocupava a sua primeira página – a capa – com anúncios classificados de emprego. Era uma comunicação de uma pessoa, o anunciante, visando um leitor que deveria encontrar ali o emprego que iria lhe garantir a vida econômica.

Na década de 50 o Jornal do Brasil, com o seu grupo de jornalistas com ideias avançadas começou a dividir o espaço nobre da capa com notícias e fotografias numa diagramação que abdicou dos fios entre as colunas que era a maneira tradicional de fazer jornais.

O JB passou a ter assinantes em maior número e tornou-se no exemplo para os demais jornais do Brasil. O seu suplemento dominical SDJB premiava os melhores intelectuais publicando as suas ideias no belíssimo caderno que não ficava a dever tanto em conteúdo como em estética ao que havia de melhor no mundo.


Havia uma elegância na forma do JB que se tornava numa forma de ver o Brasil daqueles anos. Não havia espaço para “aloprados” cafajestes na política. Seria algo muito inadequado aos olhos críticos dos leitores, mas claro que os aloprados existiam cheios de temores de serem vistos ou comparados aos privilegiados pelo reconhecimento jornalístico sofisticado.

NA PUBLICIDADE TAMBÉM MERGULHAMOS EM NOVAS ÁGUAS

Foi nos anos 50 que por um incentivo de Assis Chateaubriand a propaganda brasileira deu salto além do brilho pessoal de alguns de seus profissionais formados por sua própria vocação.

Foi fundada em São Paulo, nas instalações dos Diários Associados, do Chateau, a Escola que se se tornou na ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) e também o Museu que se transformou no MASP.

O Chateau era a essência da controvérsia: um misto de cangaceiro e visionário que dominou a comunicação no Brasil com jornais e rádios em todas as capitais e foi também o pioneiro das televisões botando no ar a Tupi de São Paulo antes de que as pessoas tivessem receptores de TV em suas casas.

Para adquirir as primeiras obras do acervo do MASP ele pedia doações aos grandes líderes empresariais mediante ameaças sutis de matérias nas suas mídias que iriam comprometer a sua imagem.

Os doadores , tanto os convencidos a doar como os achacados permitiram o MASP surgir e obter muito sucesso.

A ESPM , com o slogan: aprenda com quem faz. Começou a libertar o pensamento das pessoas que queriam trabalhar com propaganda dos laços de aço que tornavam, as agências internacionais o local onde se fazia a boa publicidade. E apenas lá.

A criatividade brasileira em ambiente descontraído, mas refúgio dos intelectuais pragmáticos , passou a ser vista e premiada nos grandes eventos internacionais.
Brasileiros se tornaram presidentes de grandes agências norte-americanas e mostravam que com engenho e arte isto seria possível para qualquer cara talentoso que quisesse ser publicitário.

A criatividade ousada por definição não podia ser ensinada nos cursos. Os cursos tinham e têm a função maior de não sufocar  a criatividade dos criativos que aprimoravam os seus dons olhando para outras coisas.

O Fusca,. Volkswagen foi a peça mais criativa do Ferdinand Porsche que inventou um carro pequeno nos anos 30 na Alemanha que gastava pouca gasolina e era refrigerado a ar.

O Fusca tornou-se num dos jipes do Wermarcht  alemã, sendo usado desde os locais cobertos de neve aos desertos do norte da África.

O carro começa a ser montado e logo fabricado no Brasil. Só que aqui o modelo alemão de engenharia impecável teve de ser adaptado localmente para ficar bom.

No Rio Grande do Sul a maior parte das estradas não tinha pavimentação.  Era de terra e a sua superfície recebia pedrinhas britadas para ficarem mais resistentes e não se transformarem em atoleiros nas chuvas.

As pedrinhas gaúchas são de basalto, um rocha escura que quando é partida se parte em dadinhos com bordas vivas que tal como os dados de jogar voam longe quando são apertadas de um lado só.

Os outros carros tinham as suas caixas de rodas protegidas por para-lamas incorporados às carrocerias. Os Fuscas tinham os seus quatro para-lamas como projeções fora da carroceria.

Um Fusca na disparada nas retas dos pampas promovia uma chuva de basalto cortante que afetava sobretudo a parte interna dos para-lamas. Que ficavam marcados como se tivessem sofrido uma chuva de granizo que vinha do chão.

O Fusca para ser usado nos pampas tinha de receber uma chapinha por dentro do para-lamas para impedir que os dadinhos de basalto amassassem a lataria.
Coisa que os engenheiros alemães nunca imaginaram que seria necessária em lugar algum do mundo.
Os jipes Willys do nordeste tinham também de ser adaptados pelos mecânicos locais para ficarem bons , melhores do que os jipes americanos que foram testados em todos os terrenos do mundo durante a Segunda Guerra Mundial.

Criatividade é ser capaz de imaginar estes aprimoramentos mecânicos a partir da descontração de um mecânico de interior. E criatividade aplicada é não impedir que estes desrespeitos sejam feitos  em relação aos trabalhos dos engenheiros americanos e alemães.

Eu tive no interior do estado do Rio um jipe com chassis alongado e motor de seis cilindros a gasolina que consumia uma barbaridade por quilômetro rodado, mas tinha este consumo reduzido em torno de 20% quando tinha o giglê do seu carburador gigantesco substituído pela ponta de uma caneta esferográfica Bic , de que era extraída a esfera .

O jipe perdia também potência, mas praticamente para tudo o que se fazia com ele havia potência suficiente.

O cara criativo que resolveu usar a ponta da caneta Bic para botar no giglê , cujo nome se perdeu, demonstrou o que era criatividade.  



Não parecia uma revolução criativa,
mas era e foi .Marcou o momento mais criativo dos brasileiros no século 20
MAIS SOBRE ESTE TEMA DENTRO DE DEZ ANOS...VALE A PENA ESPERAR!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Está cada vez mais difícil ter opinião firme sobre fatos. Sempre sinto falta de informações para ter certeza do que falo...E VOCÊ NUNCA VAI TER TODOS OS FATOS À MÃO. O BOM SENSO É A SUA ÚNICA ALTERNATIVA...

O que você acha da Crimeia, do plebiscito na Crimeia, do posicionamento do Putin, da reação do Barack Obama? a Europa  ocidental que cota com mais de 60% do gás russo para passar pelo inverno?

Tem mais:se você acha estes temas estão muito distantes de seu dia-a-dia:

O que você carioca tem a dizer sobre as obras do Porto Maravilha. sobre a Cidade da Música na Barra da Tijuca, sobre as linhas do BRL, sobre a abertura de novas vias com nomes como Transcarioca e similares?

No geral, o que você acha das pessoas que comemoraram os 50 anos do golpe de 31 de março de 1964, e das pessoas que vão execrar a data do mesmo golpe? O ganhou um grupo e outro?

E do voo até agora perdido do 777 da Malasyan e da posição política da China de que vai depender muito a possibilidade do Brasil ser bem governado e de seus habitantes terem empregos duradouros e progresso pessoal? Você pode confiar nos chineses e jogar o seu futuro nesta crença?

Basta abrir qualquer jornal de qualquer país e pode ter a certeza de quer as suas dúvidas vão aumentar.

É inacreditável que o excesso de informações de milhares de fontes promova esta incapacidade de compreender o que é verdade, e o que nos interessa.

O que prevejo é a seleção de fontes precisas sobre todos os temas.

O furo das notícias será sob medida.encomendado por quem tenha interesse específico no tema.

Difícil será selecionar as areas de interesse dos 7 bilhões de pessoas.

A única arma de que dispomos é o bom senso e uma formação intelectual honesta e saber usar este bom senso...